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Diário das Sessões do Senado

Nunca tive a honra de ser ouvido pelo Sr. Presidente da República sobre organizações dos Ministérios, mas a verdade ó que se eu fosse ouvido -diria a S. Ex.a que este momento ó para realizações práticas e nunca para provocar conflitos nem desprestigiar a autoridade.

E necessário fazer com a maior ponderação a escolha dos homens que deverão ocupar aquelas cadeiras.

Estamos a breve trecho das. eleições e não há ninguém que não queira ser Governo para presidir ao acto eleitoral, e assim influir na administração pública.

Não é justo, porém, que, estando prestes a realizar-se as eleições, se vá decretar a dissolução do Parlamento, porque o Parlamento só pode ser dissolvido quando correntes de opinião o reclamem, e essas correntes não estão formadas neste momento.

Se o Sr. Presidente da República o fizesse nesta altura, provocaria o que se chama um golpe de Estado.

Afastada essa possibilidade restam duas soluções: uma a saída de um Ministério do bloco, outra a saída de um Ministério do Partldc Democrático.

O bloco pode considerar-se falido, pouco ou nada presta na sua obra, e esse pouco é ainda muito imperfeito e incompleto. Mas fazendo justiça aos homens que compuseram e formaram o bloco, nas suas intenções somos obrigados a reconhecer que elas tiveram por fim orientar os actos do País, embora tivessem errado muitas e numerosas vezes.

Mas tornada por assim dizer impossível ou pouco provável a organização de um Governo saído d0 bloco, porque não só esse conjunto perdeu a consideração pública e sem consideração e simpatia da opinião pública não se governa ou administra, mas também porque entre os seus membros já há conflitos, questões irredutíveis que tornam senão difícil quási impossível a organização de um novo Governo o que nos resta?

Resta-nos o grande Partido Democrático para governar.

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Não, porque assim como o Sr. Rodrigues Gaspar caiu sob a acção do Sr, José Domingues dos Santos e dos seus

amigos, um Governo presidido pelo Sr. António Maria da Silva seria derrubado também pelos seus próprios correligionários.

Não posso manifestar-me" sobre este assunto, porque desconheço a vida íntima dos partidos e só julgo segundo as notícias que a imprensa me transmite ou algum amigo me dá em tom confidencial.

Mas m0smo que seja possível uma união do Partido Democrático, que desapareçam todos esses atritos e as causas que trazem alguns homens indiferentes à acção ' do partido «jseria conveniente entregar neste momento o Governo só ao Partido Democrático, ou ainda ao Partido Democrático apoiado pelos independentes?

Isso soria ainda uma situação muito difícil e para pensar, porque se o Partido Democrático ficar encarregado das novas eleições teria o monopólio do Poderá seu favor, e ó isso que o País não aceita, porque oPaí^quero que os partidos se revezem no .Poder.

Rosta-nos uma solução, a da concentração tam apregoada. Diz-se que em virtude dos últimos acontecimentos será fácil um entendimento entre Democráticos e Nacionalistas.

Se dependesse de mim a organização de um Governo nestas condições não admitiria as concentrações.

Nesses Governos de concentração há as pastas principais, que são jentregues àqueles que tom maior predomínio, e as pastas que eu chamarei secundárias.

Lrgo, aqueles que não se sujeitam a uma situação de manifesta inferioridade, a breve trecho começam a conspirar. E daí, as dificuldade, a perda de união, a perda de energia, o o Governo começa a não governar, mas sim a ser governado.