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Sessão de 17 de Marco de 1926

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• que os interesses da Madeira não são os interesses dos Açores.

Da própria discussão há pouco aqui travada réconhece-se isso.

Nenhum Sr. Senador, porém, aduziu quaisquer argumentos no sentido de não se revogar essa portaria; antes todos entendem que ela deve ser revogada.

Portanto, isso vem animar-me na minha intenção.

Disse o Sr. Procópio de Freitas que essa revogação só pode ser feita depois de se ter a certeza que a companhia fará essa cabotagem. Mas, se a iião íizer, quem revoga aportaria torna depois a publicá-la.

Apoiados.

E minha intenção chamar as diversas empresas e pôr-lhe o. assunto, e, embora ele não corra exclusivamente pela'minha pasta, tenciono, em todo o caso, revogar a portaria, tomando ao mesmo tempo as medidas precisas para que tanto a Madeira corno os AçOres não sejam prejudicados.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Procópio de Freitas: —Pode revogar-se a portaria, contanto que se mantenham .as carreiras regulares.

O Sr. Vicente Ramos : —Ê assunto para depois. ;

O Sr. Querubim Guimarães:—Sr. Presidente-: lamento a -desarmonia que vai entre a família dos dois belos arquipélagos portugueses, que não sei,se será por os ananases serem maiores na Madeira que nos Açores (Risos), e faço votos por que a paz volte a reinar.

Sou patriota, Sr. Presidente.

Entendo realmente que bom seria que a marinha mercante portuguesa pudesse desempenhar o papel que se pretende, mas, ela é tam pequena...

Ainda houve umas certas esperanças, quando Portugal ae apossou da frota mercante alemã, mas tudo isso já lá"vai.

E a propósito direi que vi nos jornais uma notícia referente àquele célebre navio Porto, o navio que, partindo daqui mima manhã de nevoeiro, levou o Sr. Presidente da República ao Brasil, mas com tantas dificuldades, que chegámos a recear .que S. Ex.a não conseguisse abordar as praias brasileiras.

Vi pelos jornais que esse navio desapa receu misteriosamente.

Não sei, Sr. Presidente, se ele entrou no número dos navios que foram vendidos em hasta pública ou se por qualquer circunstância, por um favor da sorte, conseguia de momento transformar-se de um Porto velho e arrastado num Porto airoso e ligeiro.

Não sei pois o que será feito desse tal Porto; sei apenas que ele foi dar um passeio até à bandeira estrangeira e bom será que o Sr. Ministro do Comércio nos dê a tal respeito as devidas informações.

Mas isto, Sr. Presidente, foi apenas um incidente.

O que eu queria, quando pedi a palavra, era unicamente dizer a V. Ex.a e à Câmara que mo agsocio, como Senador pelo distrito de.Aveiro, com muita comoção, ao voto de sentimento pela horrorosa catástrofe que sucedeu na Praia do Fura-douro.

Estou convencido que V. Ex.a e a Câmara conhecem essa praia, tam linda e tain pobre, onde habita .unia população piscatória grande. .

Foi nessa população, onde a pobreza e a miséria são enormes, que o fogo destruidor fez coni que ficassem porventura na miséria e na desgraça tantas famílias dôsses operários do mar, .merecendo portanto da nossa parte e do Governo a maior atenção.

Tive muito prazer em saber que o nosso ilustre colega, e também.Senador pelo distrito de Aveiro, o Sr. Ferraz Chaves, apresentara um projecto de lei para o qual fora chamada a atenção do Sr. Ministro das Finanças, para serem socorridos esses desgraçados.

Era esta a minha obrigação como representante do distrito de Aveiro e como português e homem de coração que se iin-.pressiona, como toda a gente, com catástrofes desta natureza. A

Há um outro- assunto para o qual eu desejava chamar a atenção do Poder Executivo, representado neste momento pelo Sr. Ministro do Comércio.

Eu não sei se porventura nós vivemos ou não num país onde há um código fundamental, chamado a Constituição, que consigna a liberdade de expressão do pensamento.