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Diário das Sessões do Senado

campanhas mais violentas contra o antig%o regime, feita por partfi dos republicanos, foi justamente por entender-se quo o regime monárquico do qualquer mod-j restringia esse direito.

Julguei eu, que vivi no outro regime e pelo qual estou aqui lutando, que com a vinda desta democracia triunfante esse direito do liberdade de pensamento fosse realmente uma cousa que nào merecesse contestação.

Mas a cada passo vejo o contrário em todas as manifestações do pensamento, e até naquelas que tomam mais os nas sós sentimentos.

Isto vem a propósito da impossibilidade que teve o Sr. Homem Cristo (Filio), a quem se referiu o Sr. Dias de Andrade, de realizar a sua conferência em Coimbra.

Eu tenho com o Sr. Homem Cristo (Filho) pouca intimidade.

Aprecio o seu valor, a sua coragem física, as suas qualidades de escritor, aprecio as suas obras, mas discordo muitas vezes das suas opiniões.

Sou portanto absolutamente insuspeito tratando aqui deste assunto.

Mas isto é pecha daquela terra, porque eu sei que já duas conferências se estive ram para realizar em Coimbra, e não se realizaram porque isso feria a susceptibilidade do governador do distrito.

Será ele o responsável?

Eu, ne.stes tempos em que tudo anda subvertido, ainda compreendo que o governador civil de Coimbra não terá, até certo ponto, grandes responsabilidades.

Tem-na sim esta situação anormal, em. que vivemos do maior desrespeito, sem que haja alguém que-' faça entrar no caminha do dever essa autoridade que não sabe respeitar as leis nem ninguém.

Aconteceu isso numa conferência que quis realizar o Sr. Carlos JVlalheiro Dias, pessoa que tantos serviços tem prestado ao País e ato durante o seu período de ausência no Brasil.

O Sr. Carlos Malheiro Dias é uma personalidade em destaque no mundo; são tam conhecidos fora e dentro de Portugal

os seus magníficos trabalhos literários que escusado será fazer aqui o elogio.

Pois o Sr. Carlos Malheiro Dias foi tra-tac.o duma forma que ó para lamentar.

{;O que é que BJ conseguiu com essa proibição ?

Unicamente proporcionar a meia dúzia de ii.dividnalidades inferiores, sem auto-?'idade da espécie alguma riem autoridade mo:'al, o prazer de levar a sua por diante.

Isto é absohitament'- impróprio de um pai * que, se diz civilizado.

Já cor/i o Sr. Fernando de Sousa aconteceu c -uesmo: foi lhe proibida a conferência que S. Ex.a quis realizar em Coimbra. E chego a convencer-me- que nós estí.mos a viver num país muitíssimo pior do que aqueles que são dirigidos pelos sobas.

O Sr. Alfredo Pimenta foi fazer uma conferência em Coimbra; declarou não ofer.der a acção política de quem quer que fôs?c; se se pronunciava sobre o assunto era apenas por questão de humanidade, e, quando se dirigiu à acção da igreja, foi tratado indelicadamente por uma meia dúzia de individualidades inferiores.

X Io compreendo que por este processo t>e poss"a conseguir realizar alguma cousa de útil para a República.

Todavia, o Sr. José Domingues dos Santos, que foi Presidente de Ministério, fez uma conferência Lá dois ou três dias no Porto, e pôde dizer o que quis. O Sr. Álvaro de Castro, que tem responsabili-dadvjs políticas, porque é chefe dum grupo, pôde dizer o que quis e fazer o comício.

Sr. Presidente: ^é porventura verdade que om Portugal os que não comungam nas i.leas políticas rios homens do Governo não podem fazer uma conferência mesmo quando ela não tenha um aspecto político?

Sr. Presidente: eu invoco ao menos o sentimento republicano do Governo. É preciso acabar com esses processos, que são i.bso utamente indignos, inferiores, e que èstâc abaixo dum país civilizado como dizem ser o nosso.