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Diário das Sessões do Senaâp

que, ouvindo S. Ex.a as minhas considerações, as levasse a Conselho de Ministros para ali serem ponderadas urgentemente, como se me afigura de justiça. . O Sr. Ministro retirou da sala; mas como estamos no fim da sessão, sendo natural que em breve feche o Parlamento e eu não volte a ter ensejo de cumprir este dever, permita-me, Sr. Presidente, que mesmo na ausência do Governo eu exponha o que entendo em prol de povos que estão sendo prejudicados por estrangeiros, vendo arrasadas as suas propriedades e destruídos os seus bens.

Sr, Presidente: à çombra de uma má lei, lei vandálica e diabólica, estabeleceu--se uma companhia inglesa na freguesia de Gonçalo, d^ concelho da Guarda, com o fim de explorar minério, creio que estanho e volfraâio.

A Companhia levou para ali uma máquina, a que o povo chama «draga infernal», que revolvendo a terra, não sei se como os tanks americanos que tudo revolvem e destroem na sua passagem, tem àrrazado as propriedades, reduzindo-as a cascalho e a terra areenta, improdutivas e desoladoras.

j A máquina infernal tudo tem aniquilado !

Aquela rica e feracíssima região está reduzida em grande extensão a escombros, parecendo que um cataclismo geológico arrasou ali aquelas propriedades agrícolas.

Várzeas verdejantes e lindas, revolvidas; pomares dos mais belos frutos destruídos; vales fecundos que eram o sustento de muita gente, transformados em lençóis de areia.

Emfim, sob o esbraseamentó dessa «draga maldita», toda a vegetação se transforma desoladoramente em cascalho e terra Infecunda.

Há dias, num brilhante artigo, o grande .apóstolo da democracia, José Augusto de Castro, em ímpetos de revolta, de justa revolta, recrimina o Parlamento por não ter apreciado um projecto de lei da autoria do Sr. Yasco Borges, tendente a remediar esse mal, alterando a bárbara lei das minas.

O Distrito da Guarda, jornal republicano dirigido pelo ilustre professor do liceu, Dr. Frutuoso Alves, no seu último número reproduzindo uma representação

do povo de Adão, *>ra ameaçado pela cdraga infernal» e devastadora, apela também para os poderes públicos e protesta igualmente contra o vandalismo quer a troco de uns míseros escudos, dados por uma só vez, arranca riquezas às entranhas da torra, deixando povoações sem ter onde semear um punhado de trigo-ou plantar uma árvore de íruto.

Aqueles protestos junto o meu protesto, esperando que V. Ex.a, Sr. Presidente, mandará fazer sciente destas minhas palavras o Governo para -que adopta prontas e imediatas providências, na certeza de que não mais perderei de vista a. maldita draga de Gonçalo.

Disse.

O Sr. Presidente:—Eu transmitirei essas considerações.

O Sr. Procópio de Freitas:—As muitas irregularidades que tem havido por esse país fora, em matéria de recenseamento eleitoral, têm motivado os mais-justos e veementes protestos.

Já nesta Câmara alguns colegas protestaram contra actos desta natureza.. Cabe-me agora também a vez de lavrar o meu protesto contra o que, segundo me informou pessoa da minha confiança, se passou em Lamego, riscando-se do caderno do recenseamento eleitoral todos o» cidadãos que pertencem ao Partido Republicano Radical e não se inscrevendo nêle-outros cidadãos que requereram nesse sentido, quando ao mesmo tempo se incluíram no caderno eleitoral indivíduos que não satisfaziam às condições legais.-

Isto, Sr. Presidente, é absolutamente revoltante.

Quem assim procede não pode de maneira nenhuma ser verdadeiramente republicano, pois, quem o é. não pode permitir que se cometam crimes desta natureza.

A Eepública não necessita de processos^ destes para só defender, nem os partidos devem usar tais processos para trazerem ao Parlamento os seus representantes.

Eleições feitas com cadernos eleitorais assim organizados são uma verdadeira burla contra a qual protesto* E preciso' que pessoas que assim procedem sejam punidas com todo o rigor.