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128 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 57

para a elaboração do projecto, o qual foi entregue poucos meses depois. A despesa total prevista é de 50 000 contos, assim distribuída:
Na 1.ª fase 16000 contos; na 2.ª 14 000 contos e na 3.ª 20 000 contos.
Esta a obra que tem de ser realizada por um município que tem um orçamento de cerca do 10 000 contos (6000 dos quais são absorvidos por pessoal, subsídios às juntas de freguesia e encargos de empréstimos) e que não dispõe de mais de 4000 para a satisfação das despesas facultativas!
Não vemos como sem um subsidio substancial do Estado e uma comparticipação que ultrapasse o até hoje permitido, ou sem um empréstimo em condições especiais, se possa fazer face a esta obra, que envolve uma acuidade extrema.
Sr. Presidente: o problema do matadouro não é menos grave do que o dos esgotos. É preciso visitar aquela casa «a desfazer-se», de pavimentos permeáveis e com fendas, assistir a baldeação das matérias fecais para os pátios, ver a pobreza de todo aquele material, para poder avaliar da necessidade urgente da sua substituição. O terreno está escolhido e o projecto concluído e aprovado pelo Conselho Superior de Obras Públicas e homologado por S. Ex.a o Ministro.
O custo da obra foi previsto para cerca de 8000 contos e a Câmara julga poder arcar com essa responsabilidade desde que lhe seja autorizada a realização de um empréstimo e garantida uma sobretaxa de £31 por quilograma de carne, para amortização. Pêlos cálculos feitos, resultaria, durante a amortização, um preço de mais £85 para a carne de bovino e de mais 571(5) para a de ovino, ambas, aliás, inferiores à de £90 para qualquer tipo de corne que parece existir no Porto e em Braga.
Embora a nova ponte, como muito bem disse S. Ex.a o Ministro, «não permita considerar resolvido em termos definitivos o problema das suas comunicações», deu solução às necessidades mais imperiosas.
A cidade espera que o necessário desafogo do Tesouro dê possibilidades de realização «às obras de grande vulto já delineadas» e que hão-de completar, no sistema das comunicações, as agora efectivadas. Não as conhecemos, mas confiamos abertamente nestas palavras do ilustre membro do Governo, certos de que, logo que possível, se completarão os trabalhos da circulação rodoviária para alam das quatro entradas da cidade - no sentido do Porto, no de Lisboa, no da Figueira da Foz e no da estrada da fieira. Todos eles são insuficientes, especialmente os três últimos.
E não só os da circulação rodoviária, mas também os do caminho de ferro, reclamam transformação que não permita delongas. A cidade baixa é cortada por um caminho de ferro que compromete a circulação e põe constantemente em risco a vida dos transeuntes e possui uma estação de que já não carece e que compromete e tolhe seriamente a sua expansão urbanística.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: -Não discutimos as razões que levaram à construção da estação nova de Coimbra. Afirmamos que as actuais condições da cidade reclamam a sua remoção e a sua fusão com a estação velha numa única, ampla e moderna estação. Sabemos que estão adiantados os estudos que dizem respeito à mudança da parte inicial do ramal da Lousã e à fusão das estações e esperamos dever mais esta grande obra ao Governo da Revolução Nacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: -A continuação da urbanização da margem direita, permitindo a abertura de uma ampla avenida marginal que seja o prolongamento do Parque da Cidade e da Avenida de Navarro até ao Choupal, e a urbanização da margem esquerda, permitindo a criação de duas modernas zonas citadinas, separadas - ou, melhor, ligadas - pelo Mondego, hão-de ser obra do nosso tempo. A cidade assim o espera.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: -Sabemos que a urbanização da margem esquerda, a poente da Avenida de João das Regras, vai começar dentro em breve com a construção da sede duma simpática organização desportiva e do edifício do Grémio da Lavoura. Esperamos que a sua arquitectura seja digna do local onde vão implantar-se.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Seja-me também permitido lembrar aqui a necessidade urgente de concluir o estádio municipal e de acudir à Igreja de Santo António dos Olivais, deixando para outra ocasião outras obras de que Coimbra igualmente carece.
O estádio municipal, em boa hora começado, ficou na cauda do cortejo de estádios que o Governo subsidiou - que se iniciaram e completaram, em Portugal, nos últimos anos. Coimbra tem necessidade da sua conclusão e espera que o ilustre Ministro das Obras Públicas ajude a Camará a levar a bom termo as indispensáveis obras para o seu aproveitamento integral.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - A Igreja de Santo António dos Olivais, situada num dos locais mais belos de Coimbra e dos mais visitados pêlos turistas nacionais e estrangeiros, carece de obras urgentes, que permitam salvar os preciosidades artísticas que possui e que impeçam a sua completa ruína. Erigida no lugar onde professou Santo António, antes da sua partida para a Itália, é zona turística preferida e dói-nos a alma contemplar o abandono a que estão votadas as suas capelas laterais, a inutilização da sua valiosa estatuária de barro policromado da escola coimbrã, as telas e os frescos de Pascual Parente e os próprios azulejos do século XVIII que revestem as paredes da Igreja. Custa-nos que o lugar sagrado onde viveu o santo português possa ser, como tem sido, motivo de censura e desgosto por parte de tantos estrangeiros que por ali passam.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Nós, que reivindicamos com orgulho a honra da pátria de Santo António e que o sabemos tão venerado pelo nosso povo, não devíamos votar ao abandono a Igreja construída no local onde ele professou.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Se não houvesse outras razoes, esta bastaria para nos levar a solicitar ao Governo a sua protecção para aquele santuário.
As verbas gerais da diocese não chegam para todas as suas necessidades. Aquela Igreja, embora não seja monumento nacional, reclama um tratamento à parte, dadas as suas especiais características. A sua conservação interessa não só a ela própria, mas à cidade e ao turismo nacional, e por isso se justifica que as verbas para a soa conservação não saiam das obras gerais da