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26 DE ABRIL DE 1905 923

de Portugueses dispersos pelo Mundo o conforto mural que a vista do pavilhão nacional flutuando altivo nos mastros de um transatlântico lhes pode proporcionar.
E a certeza de que o seu indestrutível patriotismo os animaria a preferência pela bandeira nacional e ainda a existência em escala crescente de grandes correntes emigratórias de portugueses para o Brasil, Argentina e Venezuela levaram ao estabelecimento ide carreiras regulares de passageiros para as Américas do Sul e Central.
É o êxito foi, de facto, o esperado. Nem só os emigrantes manifestam o desejo de viajar em navio nacional; também os portugueses que regressam ou vem de visita à Pátria dão preferência à nossa bandeira.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Dificuldades de natureza financeira protelaram a construção dos novos paquetes, mas a sua entrada ao serviço, depois de se ter perdido em parte a excelente oportunidade de uma exploração extraordinariamente rendosa, quando havia poucos navios estrangeiros naquela linha, marcou ainda posição animadora no movimento dos emigrantes.
Assim, em 1951 o número de emigrantes transportados para a América do Sul em navios nacionais atingiu apenas 23 por cento da emigração total.
Em 1952 aquela percentagem subiu para 25 por cento e em 1953 atingiu o valor de 38 por cento.
As carreiras para a América Central iniciaram-se em 1953 e nesse ano os navios nacionais transportaram 775 emigrantes. No ano de 1904 o número de emigrantes transportados subiu já para 2600.
Dos números referidos pode verificar-se facilmente a posição que o armamento nacional vai assumindo à medida que os seus serviços se desenvolvem. E como as importâncias das passagens pagas a navios estrangeiros são transferidas para os países da bandeira do navio que efectuou o transporte, é fácil avaliar a economia de divisas resultante do recurso aos navio nacionais, cujas passagens são pagas em escudos que ficam no País.
E para se fazer uma ideia mais completa das receitas cobradas, cuja saída se evitou, elaborou-se o quadro seguinte, que engloba as entradas provenientes de todos os passageiros, incluindo os emigrantes, transportados em navios portugueses para a América do Sul.

(Ver tabela na imagem)

O apuramento das receitas proveniente das passagens para a América Central deu 7570 contos para o ano de 1953.
A estas verbas, que constituem cambiais poupadas, há a juntar as divisas importadas e correspondentes às receitas das passagens compradas nos portos estrangeiros, em moeda do país, para a viagem de regresso. No que respeita a paisagens adquiridas na América do Sul, a receita foi, em 1953, de 32 000 contos aproximadamente.
Poderá dizer-se que Portugal também exportou divisas quando da construção dos navios em estaleiros estrangeiros. Mas esse facto verifica-se em quase todas as indústrias em que há inicialmente necessidade de adquirir apetrechamento fora do País.
Porém, a partir de determinado momento as divisas exportadas são compensadas pelos rendimentos nas indústrias e o número de famílias que cada indústria por si sustenta, não pode deixar de tomar-se em consideração para premente resolução do problema social.
Citando, como exemplo, um navio feito para a carreira da América do Sul, e cujo custo foi de cerca de 400 000 contos, verifica-se que em menos do três anos a receita bruta das passagens cobradas ascendeu a perto de 278 000 coutos.
E este navio, além de contribuir para sustento de muita gente que vive em terra de trabalhos prestados à navegação, emprega 346 homens efectivos na sua tripulação.
De exposto facilmente se conclui que a marinha mercante, além dos serviços inestimáveis prestados ao País na ligação permanente dos seus territórios e no sustento de cerca de 30 000 famílias que vivem das actividades ligadas à indústria dos transportes por mar, pode constituir um elemento importantíssimo no equilíbrio da balança monetária.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - É por todos conhecido que alguns países de fracos recursos industriais e limitadas possibilidades de exportação procuram, através dos serviços das suas frotas de comércio, angariar as divisas de que necessitam para o equilíbrio da sua posição económica.
Entre eles citarei a Noruega, país com 3 milhões de habitantes e que hoje dispõe de uma frota de mais de 7 milhões de toneladas, principal fonte das suas receitas.
Desta tonelagem apenas 15 porcento é empregada no serviço nacional. A parte restante percorre todos os mares do Globo, angariando fretes que entram no país sob a forma de cambiais e constituem precioso contributo para a balança dos invisíveis.
Sr. Presidente: entrando agora na apreciação da importância que para a economia da Nação representam as carreiras reservada; por lei à bandeira nacional, isto é do tráfego destinado a manter ligações frequentes e cómodas entro todos os territórios da comunidade portuguesa, é também do conhecimento geral que o extraordinário desenvolvimento das províncias de Angola e Moçambique obriga a desviar para os seus portos a maioria da tonelagem do armamento nacional.
O povoamento daqueles territórios e o fluxo crescente do passageiros levaram à organização de itinerários especiais, com o aumento do número de navios na carreira do passageiros privativa de Angola, aumento que só o desenvolvimento da frota tornou possível.
A forma como tem evolucionado o movimento de cargas e de passageiros nessas carreiras pode ver-se no quadro abaixo:

(Ver tabela na imagem)

Não é de pôr a hipótese de o tráfego entre territórios português; não ser reservado à bandeira nacional, embora haja, em Portugal quem defenda tal teoria.
Não deverá, porém, esquecer-se que o nosso país faz quase 100 por cento do seu comércio externo por via marítima. Um país nestas condições, se não dispuser de