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8 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 103

da velha camaradagem entre marinheiros dos dois povos atlânticos; as largas e agradáveis referências feitas em Londres à Nação Portuguesa, ao seu progresso e prestigio, à renovação nacional operada pelo Senhor Presidente do Conselho.
Testemunhemos pois a nossa profunda gratidão ao povo da Grã-Bretanha, à sua soberana e ao seu Governo e reconheçamos a grandiosidade do serviço prestado ao País pelo Chefe do Estado, Senhor General Craveiro Lopes.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Gastão Figueira: - Sr. Presidente: como V. Ex.ª já referiu, em começos de Junho último o Chefe do Estado visitou a Madeira, oficialmente, e lá se demorou três dias. Três dias de festa na rua, nos salões e nas almas. Teve, sem dúvida, Sua Excelência oportunidade de sentir e verificar o portuguesismo, o amor à causa nacional, de todos os madeirenses, que compreenderam o grande significado da sua honrosa visita.
Às notáveis realizações do Estado Novo naquela terra belíssima foram presenciadas pelo Sr. General Craveiro Lopes, que se inteirou directamente dos seus problemas em aberto, na preocupação das melhores soluções a dar-lhes.
Ninguém duvida de que a sua larga visão dos interesses nacionais, abarcando, natural e necessariamente, os que são peculiares à Madeira, hoje tão do seu conhecimento, contribuirá imenso para que esta ilha continue a ocupar no pensamento e na acção do Governo o lugar de merecido destaque onde há muito a colocou o Sr. Presidente do Conselho.
Ao relembrar essa visita inesquecível, que tanto aplaudimos, fazemos votos sinceros por que Deus sempre guarde o homem que é, neste momento, o mais alto representante da Nação, símbolo da sua unidade indefectível.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Armando Cândido: -Sr. Presidente: V. Ex.ª incluiu na chamada deste dia o nome do Doutor José Alberto dos Reis e teve a propósito palavras bastante felizes que despertaram em mim o desejo de as secundar, embora com o apagado valor da minha voz.
É verdade que o Doutor José Alberto dos Reis, como Presidente que foi desta Assembleia, encheu o cargo com os primores do seu carácter e os dons da sua cultura.
É verdade que o Doutor José Alberto dos Reis advogou como ele próprio dizia, sem ruído nem espalhafato, mas com nobreza e com dignidade, com honra e com isenção.
Que outros - acrescentava ainda com a humildade que caracteriza as almas grandes- pratiquem a advocacia com mais brilho e proficiência, não tenho dúvida em o afirmar, mas que ponham nessa prática maior fervor, maior culto e maior devoção, não dou licença.
É também verdade que o Doutor José Alberto dos Reis na Universidade de Coimbra, do alto da sua cátedra, espalhou pelos seus alunos o seu profundíssimo saber.
Mas eu não estou aqui para recordar a figura do Presidente da Assembleia, do advogado, do professor de Coimbra; estou aqui como homem que tem obrigação de fazer da lei um seguro instrumento de justiça para enquadrar a minha homenagem noutros limites.
É que, ao considerar-se o Doutor José Alberto dos Reis como professor, não o podemos situar unicamente em Coimbra, uma vez que pela impressionante utilidade dos seus ensinamentos se tornou mestre da Universidade em que todos nós, homens de leis, procuramos em cada dia aprender mais para raciocinar melhor.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Quantas vezes, no meu já longo exercício de magistrado judicial, me tenho dirigido aos seus comentários e notas sobre processo civil para tirar negras e torturantes dúvidas com a mesma necessidade do que busca à tona das águas revoltas uma tábua para as mãos desesperadas...
Quantas vezes!
E quase sempre o mestre me deu a solução ou as luzes para a encontrar por mim mesmo.
Se a arte de simplificar constitui o melhor segredo da arte de ensinar, ensinou com o sublime poder da simplicidade e da clareza.

Vozes: - Muito bem, muito bem !

O Orador:-Quem percorrer a vastidão dos seus comentários ao Código de Processo Civil encontrará muitas referências a opiniões de advogados e magistrados que ele julgou, por mais modestos que fossem, dignos da sua atenção.
Este traço mostra o seu espirito generoso e compreensivo, a sua humanidade - já que lhe conheço uma só desumanidade, a de trabalhar até à morte, uma enorme desumanidade consigo próprio lavada a cabo com heróica persistência até à beira dos 80 anos.
Foi o maior e o mais devotado animador das reformas do nosso processo civil e a sua fé nunca quebrou nem diminuiu pelas canseiras que teve de vencer e pelas batalhas que teve de ganhar.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Quando da publicação do Decreto n.° 12 353 o Prof. José Alberto dos Reis recebeu de um magistrado ilustre uma carta que deveria ter constituído para o seu coração um prémio deveras consolador.
Recordo-me de que nessa carta se nomeava o relatório do decreto como obra-prima de clareza, de precisão, de saber, de elevação, de honestidade, se aplaudia o alcance do novo diploma renovador da velha liturgia processual e se incitava a magistratura a corresponder fidalgamente à confiança que nela se depositava, de modo a elevar e a dignificar cada vez mais as funções judiciárias.
Que me perdoe a memória do grande mestre se não juntei as palavras à altura da sua altura.
Se lhe estou grato como português, não posso deixar de lhe estar gratíssimo como juiz.
E creio interpretar o sentir da magistratura, a que pertenço, manifestando em nome dela e no primeiro momento em que o posso fazer neste lugar o preito de uma admiração muito consciente e a dor de uma saudade muito viva.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Mário de Figueiredo: - Sr. Presidente: depois de cumprimentar V. Ex.ª e de agradecer as palavras amigas e acolhedoras com que quis ter a amabilidade de receber nesta primeira sessão da 3.ª sessão legislativa os Deputados, depois disto, direi uma palavra simples, uma palavra comovida, a respeito daquele que foi o primeiro Presidente da Assembleia Nacional, e que na Presidência da Assembleia se conservou mais de dez anos.
Não estou preparado nem dispus dos minutos indispensáveis paru entregar a um quarto de papel os tópicos do movimento do meu pensamento.