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9 DE FEVEREIRO DE 1956 465

Foi pelo mau que a Madeira se afirmou como estância de turismo de fama mundial. A facilidade de comunicações marítimas, em especial com a Inglaterra, leve o grande mérito de tornar a ilha conhecida. O seu turismo foi impulsionado, dadas as suas condições especiais, e durante muitos anos foi constituído quase exclusivamente por ingleses.
Depois de várias vicissitudes e de atravessar um período de grave crise durante a última guerra, a indústria de turismo renasce, tendo prestado valiosíssima contribuição as carreiras regulares estabelecidas entre a Inglaterra c a Madeira pelo navio Vénus, da Bergen Steamship Company.
Também é justo mencionar a importante contribuição que neste sentido tem sido prestada pela carreira de hidroaviões da Aquila Airways, Ltd., quer entre a Inglaterra e a Madeira, quer entre esta ilha e Lisboa. Devo salientar o cuidado e a segurança com que esta carreira é realizada; mau, pela sua própria natureza, está sujeita às contingências do tempo e do estado do mar e às respectivas demoras, com os consequentes incómodos.
Para obviar a estes inconvenientes têm os Madeirenses ambicionado, desde há muitos anos, a construção dum aeródromo que: lhes permitisse estabelecer ligações aéreas com o resto do Mundo, donde resultariam enormes benefícios para o seu turismo e para o seu comércio.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente: expostas alguma considerações gerais, chego ao ponto que principalmente interessava referir - o das comunicações da Madeira com o continente.
Recentemente nesta Assembleia o Sr. Deputado Paulo Cancella de Abreu fez uma, muito justa referência ao plano de renovação da marinha mercante e a, criteriosa e persistente, actuação do Sr. Ministro da Marinha, aquela nobre figura, de marinheiro que é o almirante Américo Tomás, o qual, no período de dez, anos, operou a completa modificação da nossa frota de comércio, fazendo substituir os barcos em más condições por navios modernos adaptados às novas exigências do tráfego, ampliando o seu número e a sua tonelagem. Agora, terminada aquela primeira fase, importa notar as deficiências que presentemente se observam, pois, passados, dez anos, algumas circunstâncias mudaram, tornando-se necessário atender às novas exigências do transporte de pessoas e de mercadorias, motivo porque me sinto obrigado a informar o que se observa quanto ao caso da Madeira, para que, ao serem apreciados novos elementos de estudo, o caso madeirense possa ser considerado.
Sente-se a falta de uma carreira regular do navegação marítima entre Lisboa e o Funchal, cujo movimento de passageiros, em ritmo crescente, do sobejo justifica. As estatísticas não assinalam o movimento de passageiros entre Listam e o Funchal, pois apenas acusam o total de passageiros embarcados e desembarcados no porto do Funchal, sem referir o destino ou origem, apenas indicando a nacionalidade dos navios, motivo por que não é possível conhecer com rigor o número de passageiros que embarcam para Lisboa, ou desembarcam desta procedência. No entanto, se ao total de passageiros embarcados deduzirmos o número de emigrantes (embora alguns saiam de avião) e os embarcados em navios ingleses e noruegueses (considerados todos como turistas), observa-se que o seu número tem crescido continuamente desde 1950, o qual devo andar próximo dos 11 000 passageiros embarcados para Lisboa, variando em regra de 600 a 1000 por mês, sendo o mês de Agosto o de maior movimento, que deve exceder 1000, registando-se o menor movimento nos meses de Fevereiro e Março, com cerca de 500 em cada mês.
Quanto aos passageiros desembarcados, se deduzirmos os retornados e, de igual modo, os desembarcados de navios ingleses e noruegueses (turistas), verifica-se que o seu número também tem crescido, a qual deve aproximar-se dos 10 000 passageiros. É também no mês de Agosto que se observa o maior movimento, que deve exceder 1400 passageiros, sendo os meses de Fevereiro e Março os de menor importância, com cerra de 500.
Estes elementos, não sendo exactos, como referi, permitem-nos, todavia, apreciar a importância do movimento de passageiros entre o Funchal e Lisboa e justificar a necessidade de uma carreira regular marítima entre estes dois portos.
De Lisboa ao Funchal medeiam 530 milhas, distância esta que um navio com a velocidade de 20 nós percorre em vinte e sete horas.
É de notar que os navios da French Line e da Compagnie de Navigation. Mixte fazem o percurso Marselha-Argel, de 410 milhas, em dezoito ou dezanove horas, ou seja a uma velocidade de 23 a 23 nós.
Também tem importância a lotação do navio, a qual deve ser muito superior à do Carvalho Araújo ou Lima, respectivamente com 254 e 217 passageiros (sendo 78 e 70 de l.ª classe, 78 e 64 de 2.ª classe e 98 e 93 de 3.ª classe).
Os dois mais recentes navios da Compagnie de Navigation Mixte, da carreira Marselha-Argel, possuem as seguintes características:

Kairoman - entrou em serviço em 1950, tem a velocidade de 24 nós, com 8600 t, e dispõe das seguintes acomodações para passageiros: 131 de l.ª classe, 291 da classe turística e 750 de 4.ª classe (convés).
El Djezair - entrou em serviço em 1952, tem a velocidade de 21,5 nós, com 7100 t, dispondo das seguintes acomodações para passageiros: 114 de 1.ª classe, 220 da classe turística e 650 de 4.ª classe (convés).

Os passageiros da 4.ª classe, além das instalações sanitárias, dispõem de água refrigerada e no bar podem servir-se de bebidas e alimentos.
O Uige tem lugares para 571 passageiros: 78 do 1.ª classe e 493 da classe turística, sendo 91 no convés C e 402 no convés D. Creio que um navio com características semelhantes a este último, tendo acomodações para cerca de 400 passageiros, a capacidade que for julgada conveniente para carga e o espaço necessário para o transporte de automóveis, e com a velocidade, de 20 nós, poderia fazer três viagens num mês uma em cada década -, com reais vantagens.
Este facto, aliado a uma redução das tarifas, atendendo à melhor exploração da carreira, viria trazer uma maior afluência de passageiros, em benefício da Madeira e da empresa que superiormente fosse indicada como a mais apta para realizar este empreendimento.
Falei na redução das tarifas, e esta parece viável, atendendo a que um navio como o Carvalho Araújo, estacionando em numerosos portos, percorre perto de 2800 milhas numa única viagem mensal, com preços que. no máximo, não excedem 50 por cento dos de Lisboa-Funchal.