1220 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 159
labor - sustento, fertilizante, fungicida e insecticida, carburante, etc. As poucas deficiências então verificadas, em ambiente tão profundamente pulverizado, vieram demonstrar, assim, a segurança da estrutura e o bom valimento da doutrina informadora desse órgãos primários da nossa estrutura corporativa.
E se olharmos por outro lado, para o prestígio conquistado pela maioria dos organismos de coordenação económica - juntas, institutos, comissões reguladoras outros, onde se harmonizaram interesses de lautos sectores de actividade, muitos deles divergentes e onde o digladiar era a norma - então poderemos dar o verdadeiro valor ao caminho já percorrido no reatar da linha de rumo há muito perdida.
As conclusões subscritas pelo nosso ilustre leader, o Prof. Doutor Mário de Figueiredo, no oportuno inquérito feito ã organização corporativa representam a mais salutar continuação da segurança do rumo seguido.
E lembremos ainda que no decorrer de tão agitado período se formou quase espontaneamente admirável corporação da pesca, abrangendo muitos milhares de trabalhadores do mar sem todos os seus mais variados elementos; de uma complexa estrutura, e onde a mística corporativa encontrou, mercê do inteligente trabalho dos seus dirigentes, fértil torrão para florescer e frutificar.
De facto só os cegos ou aqueles que não querem ver tão palpáreis realidades é que podem ainda desconhecer a grande vitória do nosso pré- corporativismo no período posterior á guerra e o momento alto por que estamos pagando hoje- na vida nacional ao reatarmos o caminho para a consolidação definitiva do sistema.
O triste período já passado de desvio da rota não deitou dúvidas sobre o erro do rumo. Esse louco individualismo que medrou no período liberal e que arrastou o homem mal prevenido e a própria natureza que enquadra o ambiente da sua vida aos maiores desenganos é quadro que deixou, como vimos, testemunhos para o tempos.
E não foi apenas a escravização do homem, foi também a anarquização da natureza. Todo esse desnortear dos nossos rios caminhando rapidamente para o estado de precoce senilidade; todo esse descarnar da montanha e o assorear da baixa, tudo foi consequência desse triste período de decadência.
E sabemos bem o estado em que a idade nova veio encontrar esta Pátria, que o foi já de tantas gerações. Digamos amplas parcelas perdidas para sempre è assim diminuídas, ao património nacional. Explorações agrárias que constituíram durante séculos sustentáculo equilibrado dos meios rurais, pelos fortes laços que uniam proprietários e trabalhadores da terra, destruídas na sua sólida estrutura secular.
Misericórdias, que representavam primores da caridade cristã sustentadas por searas de Deu e dos homens, reduzidas a tristes escombros. Tudo isto em nome dos sagrados direitos do homem ...
E tudo isto digo e termino, derivado de incêndio ateado de fora, por inimigos da sabedoria cristã, que se apostaram em dominar o Mundo pelo aniquilamento de todas as resistências espirituais, debilitando-as pelo difundir de falsas e enganadoras doutrinas. E por isso reafirmamos que o plano de formação social e corporativa é legítimo, é necessário e é oportuno.
Tenho dito.
Vozes: - Muito bem, muito bem !
O orador foi muito e cumprimentado.
O Sr. Galiano Tavares: - Sr. Presidente: pertenci a uma geração universitária que viveu no culto e para o culto da inteligência, supondo que o homem só era cérebro, desprezando tudo o que não fosse actividade intelectual, isto é, u jogo dos sentidos superiores do homem, sem cuidar da estrutura que aguenta e mantém coisas funções, geração que viveu dobrada sobre o livro, cheia de neurastenia, de frenesi, sempre insatisfeita na resolução dos problemas que afligiam uma época e que torturavam o homem por não poder conseguir tudo o que queria, sem às vezes nem saber e se tanto queria, efectivamente, alguma coisa. Mas esta, geração começou por ter uma índole destruidora; tudo que lho caía nas mãos, as suas, próprias criações, sofria a acção do bisturi, da controvérsia, tal como só do- arma e desconjunta uma máquina na intenção de melhor a compreender.
Aprendeu-se, quiçá, o espírito da máquina; mas uma coisa não soube essa geração: foi servir-se dela pô-la em movimento.
Perdera-se na abstracção, o sentido de realizar.
Essa geração esgotou-se na mesa do «café», extasiada perante, um romantismo filosófico, intoxicada de doutrina, em valor para se exercer, ela que tanto tinha postulado !
A conferência a revista o jornal, e na conferência, a polémica, na revista o debate, no jornal, a disputa foram os instrumentos de trabalho da geração. Dessa geração de cerebrais senti, no linimento revelador em que o adolescente se faz homem, encostado às ombreiras do «café», aluno livre de uma Universidade mais do que livre as imperfeições e os erros que haviam transformado um grupo de jovens de talento numa corte de pessoas sem resolução, de acção hesitante e tímida, que vivia a aplaudir-se ou a vituperar-se dentro da vida e fora dela.
Daí mo ficou a mim e a outros, por testemunho daquela incapacidade, a paixão quase febril de realizar na plenitude voluptuosa do que -,e pode exibir.
O homem não vive para renunciar, a menos que a renúncia seja, efectivamente, um acto volitivo para a consolidação da sua própria estrutura moral.
Então renunciar não é abster-se, é antes definir uma atitude de coerência.
Foi assim a geração a que andei sempre mais ou menos ligado, porque os homens propriamente do meu tempo não sei porquê, nunca constituíram um grupo homogéneo que definisse fosse o que fosse digno de ser notado.
Na verdade, há gerações que nascem e morrem sem nunca terem sido úteis.
Por fenómenos sociais se entende o conjunto de acontecimentos de qualquer natureza que determinam ou têm influência na organização política e económica dos grupos humanos.
A economia política como ciência estuda os aspectos económica da vida social. O Estado é uma realidade de direito do que uma realidade de facto. As ciências sociais podem de interessar-se da função tutelar do Estado, embora tenham igualmente como fim não lhe perturbar o normal desenvolvimento.
No seu conceito clássico a ciência dizia ao Estado: «não faças», e ao indivíduo: «faze como te aprouver».
Segundo a escola liberalista, nada haveria a fazer, opondo-se ao conceito socialista de que tudo estava por fazer, em contraste com o conceito moderado de que alguma coisa há a fazer, sem restringir, contudo, as liberdades e n» direitos do homem como pessoa individual.
O homem é na verdade, uma síntese que pode descrever-se como indivíduo em sociedade e na verdade, o indivíduo sem sociedade é tão incompreensível como uma sociedade sem indivíduos.