29 DE JUNHO DE 1956 1219
grande, país em parcela apenas dimensionada pelo valor riu material, reduzindo-a, neste continente, que, desde os descobrimentos dos navegadores portugueses, comandou o Mundo, a uma posição secundária na grande família europeia.
O que se passou desde então no Velho Mundo por via deste perigoso desvio de rumo regista-o a história contemporânea e não será necessário decerto recordá-lo para o relembrar. Apenas diremos assim como o ilustre relator da proposta sobre a constituição das primeiras corporações, que o juízo da história não poderá ser na realidade favorável na apreciação das últimas fases dessa evolução político-social. isto é, de meio século de tendência socialista mais ou menos mitigada, ou desses quase dois, séculos de liberalismo, quando comparados com séculos de feição institucional e corporativa. Estes últimos deram de facto à Europa a sua posição de verdadeira criadora de uma elevada civilização, que se mostrou capaz de conduzir homens de Iodas as raças e de t mios os continentes pelo verdadeiro caminho do progresso.
E para que esse juízo -sabe-o Deus- não pudesse ser falseado por deficiente interpretação de um passado já distante, assistimos hoje. como desoladas testemunhas, a um novo e destruidor vendaval.
E este é soprado ainda do leste por uma depressão materialista mais distante nascida a partir de massas populacionais de baixa civilização, a que uma geração de materialismo fez esquecer totalmente as verdadeiras fontes>donde brotam a luz e a vida.
Vemos hoje. na realidade, cobrindo superfície que abrange mais de metade do Mundo e compreendendo populações que somam, entre as dominantes e as escravizadas, algumas centenas de milhões, um novo imperialismo nacionalista. mascarado de internacionalista e de pugnador pela felicidade proletária. Porém os factos verificados a todo o momento demonstram apenas a existência de um desejo ardente de domínio de certos povos bárbaros que não foram assimilados quando há quase um milénio os ou parceiros comungaram no ideal cristão.
Mas não se julgue que a gravidade da maleita nasceu com Marx ou com Engels ou com os que lhe antecederam e sucederam na mentira do materialismo histórico. Devemos sim procurar as raízes do mal quando a estrutura corporativa, que estabeleceu, durante séculos, perfeita harmonia entre o homem e o indivíduo, não foi convenientemente adaptada ás novas facetas que o pensamento humano procurava então descortinar à medida que se verificava os incessantes progressos da ciência e da técnica.
Alheamento dessa bela floração do pensamento que é a filosofia tomista como a falia de penetração até ao âmago das intelectualidades dirigentes de então dos sábio- principio- de ordem política e social que encerram muitas da- encíclica- do- Sumos Pontífices, foi motivo fundamental de não se ter encontrado o verdadeiro rumo.
E assim em dois séculos e meio de luta do homem com o indivíduo, e em que este tantas vezes venceu aquele sob a protecção de uma lei violenta que ardilosamente tinha criado para sua defesa -a da oferta e da procura- foram suficientes, para fazer confundir, no pensar de tantos, aquela liberdade por que pugnaram os defensores dos direitos do homem neste mundo do material com aquela outra liberdade que nem a morte poderá arrebatar por ser tributo do próprio espírito.
E digo mais julgo que este analfabetismo, se permitem que assim chame à ignorância completa dos princípios que informam a moral cristã, não foi e não é menu- perigo-o para a saúde dos povos que essoutro
analfabetismo que lhes tem vendado os olhos para muitas criações da ciência é certo, mas que também lhes evitou, possivelmente, quem salve, tantas e tantas perigosas inquietações, do espírito do mal.
Este em poucas palavras e em singela síntese o actual panorama do mundo do pensamento e a sua origem mais nu menos remota. Deixámos assim a travessar, como outro- países, as nossas fronteiras, durante longo período de decadência europeia, por perigosas correntes e sem que lhe oferecêssemos qualquer eficaz anteparo que esclarecesse lautas almas desnorteadas em procura de um rumo salvador.
E excepto o baluarte donde emana perenemente a verdade - a Igreja -, nada mais surgiu, e até os próprios Estado têm muito deles colaborado, consciente ou inconscientemente, na difusão desse perigoso vírus debilitador das consciências.
É o jornal, a revista e o livro, o cinema e o teatro, o discurso, a conferência e o colóquio ou outros meios mais ou menos camuflados, que vão desde os ditames da moda do que reveste o corpo à deformação do próprio corpo pela prática inconveniente de certos exercícios tísicos, tudo faz parte, na realidade, de campanhas diabólicamente concebidas e estruturadas para lançarem a sombra ou mesmo destruírem aquilo que prometemos nunca discutir - Deus a Pátria, a família, a autoridade e o trabalho. E o veneno é tão poderoso que assistimos mesmo, todos os dias. à rendição de consciências que julgávamos das mais solidamente estruturadas.
O que fica dito permite-nos afirmar, em conclusão, como o ilustre relator. Prof. Doutor Braga da Cruz, que o Plano de Formação Social e Corporativa, que o ilustre Ministro das Corporações trouxe à consideração desta câmara política, é, além de perfeitamente legítimo, absolutamente necessário e notavelmente oportuno.
E as considerações em que fundamentou o seu brilhante parecer são de tal forma límpidas na forma como brotam da lógica de um perfeito raciocínio que não nos permitem mula acrescentar de valioso e apenas devemos apoiá-las sem qualquer restrição.
Julgo por isso, que na generalidade pouco mais devemos acrescentar a estas modestas notas. Assim, apenas direi, e ainda em relação ao ideal corporativo que hoje já frutifica exuberantemente no mundo contemporâneo sob os mais diversos aspectos, instituições, modalidades e nomes, que ele teve em Portugal, mesmo neste pós-guerra, larga demonstração do seu excepcional valimento-valimento demonstrativo da verdade da doutrina em que e alicerça o sistema.
Foi de facto fácil durante os anos de crise criticar alguns desvios, mas a maior parte dessas críticas adivinhava-se então donde partiam, sem ser necessário procurar em pormenor a sua origem. Mas o realmente verificado terem apenas pequenas; deficiências de actuação de organismos que não foram de resto, criados para funções que a salvação nacional determinou então que ficassem a seu Cargo.
Mas mesmo em relação às instituições mais visadas, o saldo dos benefícios foi de tal fornia grande que não são poucos os que ontem faziam amargas críticas à organização corporativa, especialmente aos grémios, o que hoje vêem nestas instituições, e o proclamam, elementos valiosos para estabelecer a necessária harmonia dos interesses económicos e fazer prevalecer a desejada, justiça social.
Não esqueçamos por exemplo, que mercê, da existência dos grémios da lavoura, ainda constituídos então lia pouco tempo, se tornou possível fazer equitativa e difícil distribuição à lavoura do País e ao trabalhador rural do muito de que necessitavam para o seu difícil