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20 DE MARÇO DE 1957 397

normalmente é que, quando há qualquer desastre, o polícia, naturalmente porque está mais próximo do ciclista, não tem olhos para verificar as suas faltas, mas abro-os bem para o automobilista ...
Suponho ainda, Sr. Presidente, que há muitos carros de lavoura que circulam sem cata-focos e sem luz. Por consequência, os acidentes nestas circunstâncias são inevitáveis.
Outra coisa que me impressiona quando se aprecia este assunto é que o automobilista consciencioso que pretende acudir à pessoa que magoou ou feriu involuntariamente e não tem o cuidado de estar à procura de testemunhas que o ilibem da responsabilidade sofre depois as consequência da sua humanidade, isto é, de ter procurado socorrer a vitima!

O Sr. Paulo Cancella de Abreu: - Quando socorrem ! ...

O Orador: - Mas a verdade é que, dada a gravidado das penas, parece que primeiro deverão procurar assegurar-se de que não tiveram qualquer culpa no desastre, deixando o sinistrado a espera de socorros na estrada enquanto procuram arranjar testemunhas, o que aliás é também muito difícil. E isto porque o tempo que se perde nos tribunais e as vexes que lá só tem de ir para nada faz com que todos evitem ser testemunhas ...

O Sr. Paulo Cancella de Abreu: - As testemunhas geral, condenam sempre o automobilista...

O Orador: - Também é verdade, já me sucedeu que, estando parado a uma cancela dos caminhos de ferro, por detrás de uma camioneta, esta fez marcha atrás e amachucou-me o guarda-lamas. Um operário que vinha muito atrás no seu caminho e nada viu, ao aproximar-se, ouvindo a discussão, imediatamente se voltou contra mim. Entre um camarada e um proprietário de automóvel pôs-se logo, e insolentemente, a favor daquele ! ...
Todas estas circunstâncias que eu tenho estado a salientar a VV. Ex.as levam-me a pedir que não haja um tão excessivo rigor contra o automobilista e que voltemos então para o tal processo de educação já aqui referido, para que todos saibam andar na rua, de modo a diminuir-se o número de acidentes de viação.
E se houver socorros a tempo e horas também suponho que o número de vítimas passará a ser mais reduzido.
O assunto que V. Ex.ª trouxe à Assembleia - e felicito-o por isso - tem sempre actualidade, porque, efectivamente, precisamos de estar sempre a tratá-lo para se procurar evitar, quanto possível, esta, praga dos nossos tempos, mas também temos do reconhecer que, de certo modo, se trata dum mal inevitável, porque, desde que ande mais gente nas ruas e mais automóveis em circulação, os acidentes terão de ser em maior número.
No entanto, precisamos do os reduzir para não continuarmos no cimo da escala; precisamos de descer nela, para descanso o tranquilidade de todos nós.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem! O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - O debate prosseguirá na sessão de amanhã.
Está encerrada a sessão.

Eram 18 horas

Srs. Deputados que colaboram durante a sessão:

Américo Cortês Pinto.
Carlos Vasco Michon de Oliveira Mourão.
Joaquim de Sousa Machado.
José Gualberto de Sá Carneiro.

Srs. Deputados que faltaram à sessão

Abel Maria Castro de Lacerda.
Alberto Cruz.
Amândio Rebelo de Figueiredo.
André Francisco Navarro.
Antão Santos da Cunha.
António da Purificação Vasconcelos Baptista Felgueiras
António Rodrigues.
António Russel de Sousa.
António dos Santos Carreto.
Augusto César Cerqueira Gomes.
Carlos Monteiro do Amaral Neto.
Elísio de Oliveira Alves Pimenta.
Ernesto de Araújo Lacerda e Costa.
Gaspar Inácio Ferreira.
João Carlos de Assis Pereira de Melo.
João Cerveira Pinto.
João Maria Porto.
Joaquim de Moura Relvas.
Joaquim de Pinto Brandão.
Jorge Botelho Moniz.
Luís Filipe da Fonseca Morais Alçada.
Luís Maria da Silva Lima Faleiro.
Manuel Cerqueira Gomes.
Manuel Colares Pereira.
Manuel de Magalhães Pessoa.
Manuel Marques Teixeira.
Miguel Rodrigues Bastos.
Pedro Joaquim da Cunha Meneses Pinto Cardoso.
Urgel Abílio Horta.

O Redactor - Luís de Avillez.