O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

6 DE ABRIL DE- 1957 583

V. Ex.ª encontrou nas minhas alegações que eu me tinha socorrido dos próprios índices dados pela O. E. C. E. para mostrar o progresso que tínhamos feito no aumento das capitações. Simplesmente a conclusão de V. Ex.ª embora viesse ajustar-se à minha quando refiro um aumento de capitação, não me pode satisfazer enquanto V. Ex.ª não disser qual a capitação. Citar apenas aumentos por totalidades não quer dizer nada.

O Orador: - Sr. Presidente. Srs. Deputados: envergonho-me de prosseguir, massando os que me escutam com este interminável alinhar de algarismos.
Fecho, portanto, o balanço e termino assim: no longo período de trinta anos decorridos de 1926 até hoje tem sido constante o acréscimo, de ano para ano, das porções edíveis dos produtos alimentares indicados.
Ora o aumento da população não evoluiu nas mesmas proporções. Logo, as capitações pouco esclareceriam, antes, se atenta a reconhecida, constante e progressiva desvalorização da moeda ou alta dos preços dos produtos alimentares, as estimativas do Sr. Eng. Daniel Barbosa fossem uma base segura de cálculo, ou a lógica já não é lógica ou o consumo ter-se-ia ido reduzindo à medida que os proventos dos grupos familiares viam reduzido o seu poder de compra.
Reduzindo, reduzindo, até à morte por iuanição ...

O Sr. Daniel Barbosa: -V. Ex.ª dá-me licença?

O Orador: - Agora sim.

Há bocado não deixei que V. Ex.ª me interrompesse para que pudesse concluir o meu raciocínio. Mesmo nos debates forenses adopta-se, por vezes, o processo de interromper o adversário para lhe quebrar a fluência do discurso. Aprendi-o em quarenta anos de prática. Por isso e à cautela, preferi concluir. V. Ex.ª pode intervir agora.

O Sr. Daniel Barbosa: - Há bocado não interrompi V. Ex.ª para lhe quebrar o raciocínio, mas apenas para me justificar dentro da pobreza do meu. Eu só queria fazer uma pequena observação. E que V. Ex.ª não apreendeu bem que a ementa que eu fiz foi uma ementa verdadeiramente pouco equilibrada, simplesmente para mostrar ...

O Orador: - E que certamente não comeu ...

O Sr. Daniel Barbosa: - Nem V. Ex.ª. Agora sou eu que peço a V. Ex.ª que não me interrompa, porque eu não sou seu colega ...

O Orador:- Já o é, pelo menos Honoris causa ...

O Sr. Daniel Barbosa: - Muito obrigado!
Mas, se V. Ex.ª Sr. Presidente, me der licença, eu continuarei.
Aquela dieta que eu apresentei e que todos V. Ex.ª, com a maior das benevolências. aceitaram -mas que nào comeram, felizmente- foi feita propositadamente há, no fito de encontrar, numa equivalência de gorduras, de proteínas, de hidratos de carbono e de calorias, a ementa mais barata possível, mesmo sob condição de não satisfazer ao mínimo de qualidades alimentares. Assim me preparei para raciocinar por defeito.
Parti de médias, mas a não querer aceitar médias, nem na física, nem na química, nem na meteorologia teríamos possibilidades de raciocinar, como é viável, por carência de valores univocamente reais.
Mas nós sabemos que, apesar disso, quando se faz uma determinação com a máquina de Atwood, acabamos por encontrar valores médios.
Portanto, o que procurava dentro das médias, que não se poderão aparentar às vezes com os valores referidos pelo Sr. A., pelo Sr. B. ou pelo Sr. E., mas que poderão coincidir com os do Sr. D., era definir para um agregado familiar uma determinada quantidade de hidratos de carbono, de proteínas e de gorduras que dessem a equivalência de calorias pelo preço mais barato. O cálculo pode estar errado, mas é sério ...

O Orador: - Perdão! A seriedade do cálculo está fora de discissão; o que se impugna é a certeza ...

O Sr. Daniel Barbosa: - E para isso fui buscar as gorduras à equivalência do azeite, porque se o fosse fazer à manteiga, ao queijo e ã carne o seu preço seria bem mais caro. Por isso obtive um número por defeito.
V. Ex.ª falou há pouco, e muitíssimo bem. na diversidade das calorias. Eu pergunto: se V. Ex.ª tivesse de fazer o que vi durante a guerra na Alemanha, com a preocupação de substituir alimentos que faltavam por outros, de modo a garantir o mínimo de proteicos, como podia V. Ex.ª trabalhar sem partir de médias:

O Orador: -V. Ex. não sabe que então se preferiu a base das proteínas?

O Sr. Daniel Barbosa: - O que interessa são as médias.

O Orador: - Cada rabeca, cada média.

O Sr. Daniel Barbosa: - Perdão! cabeça, cada número. Os números representam médias à volta dessas importâncias.

O Orador: - À volta !

O Sr. Daniel Barbosa: - Mas são médias. Tenho sempre um complexo de inferioridade perante os juristas.

O Orador: - Mas não é dos juristas que se trata ...

O Sr. Daniel Barbosa: - Sinto- especial m ente essa inferioridade quando os juristas demonstram tão brilhantemente, como V. Ex. que não percebem nada de médias aritméticas, mas resolvem falar delas.

O Orador: - íamos nesta altura: as aquisições resultantes das tais médias de calorias só por si ...

O Sr. Aguedo de Oliveira: - Nuns casos são médias, noutros casos, de programas e ambições políticas, são recomendações.

O Orador: - Conclusões tiradas exclusivamente com base em médias de calorias não convencem ninguém. É preciso procurarmos sinais externos que corroborem, confirmem ou neguem essas conclusões.

O Sr. Daniel Barbosa: - Óptimo!

O Orador: - Estava a averiguar se havia esses sinais externos. Estava a fazer a afirmação de que num país que durante cerca de vinte anos está num regime de subalimentação, em que cada agregado familiar não chega a receber em média metade do mínimo indispensável, os indivíduos não tinham ânimo, nem disposição de espírito, nem vagar para se divertirem e frequentarem as escolas.
Na literatura, nas reportagens sensacionais, nas terríficas descrições dos horrores da última guerra esciv(...)