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3 DE JULHO DE 1959 1111

nal polaco Tribuna Ludu - que não era então senão um eco de Moscovo- escrevia o segui ate:

É necessário compreender que o festival é outra coisa além de uma ocasião de se dançar e de se divertir; é, acima de tudo, uma manifestação política à escala mundial ...

Inevitavelmente, a decisão tomada pela Áustria de permitir a realização em Viena do festival de 1959 levantou uma onda de protestos, especialmente da parte das suas próprias organizações juvenis.
Em 11 de Junho de 1958, a Federação da Juventude Austríaca - representando todas as organizações da juventude com excepção dos comunistas - anunciava que as organizações e os membros isolados nela filiados se tinham pronunciado contra a participação, dado o carácter comunista do festival. A Federação recordava ainda que: «A supressão de toda a organização livre da juventude nas democracias populares (países comunistas) torna impossível a participação no festival de representantes verdadeiros da juventude desses países».
A Federação dos Estudantes Austríacos adoptou uma linha de conduta análoga, mas anais firme ainda: não somente sabotará o festival, mas tomará também medidas concretas contra ele. A Federação da Juventude Católica Austríaca declarou que se as organizações do festival escolheram Viena - uma cidade neutra - foi para mascarar o facto de o festival ter sido organizado, como habitualmente, «por instigações de agentes e de organizações da juventude comunista», com o objectivo de servir os interesses comunistas.
As associações de juventude e de estudantes da Noruega, da Alemanha Ocidental, da Austrália, dos Países Baixos, da Suíça e as de carácter internacional publicaram declarações análogas.
Esboçou-se depois uma atitude mais nítida. Em 13 de Dezembro de 1958, Rádio Viena informava que um grande número de organizações da juventude austríaca -- políticas, universitárias, escolares, religiosas, industriais, desportivas e escutistas - tinham formado um comité de trabalho, denominado «A Mocidade», cujo objectivo era impedir que o festival se' efectuasse em Viena e recorrer a todos os meios legais possíveis para informarem os visitantes dos seus verdadeiros fins. O comité vê no festival, em razão do seu carácter político unilateral, «um abuso flagrante da hospitalidade concedida pela Áustria neutra».
A União Soviética quer assim, por processos inqualificáveis, conquistar a juventude do mundo livre.
Mas conquistou ela própria a sua juventude?
Estou convencido de que não.
Senão, vejamos.
Mais de quarenta anos decorreram depois do advento da Revolução Russa. Desde então as autoridades soviéticas têm procurado formar a juventude conforme o espírito e a letra do comunismo. A teoria comunista proclama que, derrubando a burguesia e defendendo a Revolução, as gerações precedentes abriram o caminho que permitirá à juventude realizar a obra mais difícil: a estruturação de uma sociedade verdadeiramente comunista.
Os métodos comunistas de doutrinação têm sido praticados à escala de massas e desenvolve-se em toda a vida de um país. Cada organização de massas passa à organização imediato, os indivíduos dos quais está encarregada, e assim até que este processo se complete.
Contudo, parece que em grande parte tudo isto falhou.
No tempo de Estaline, o terror da polícia secreta e a existência dos campos de trabalho forçado eram suficientes para assegurarem uma disciplina de ferro efectiva.
Depois, este terror dissipou-se - porque já não há Estaline, já não há um ditador único. E, com efeito, evidente que, apesar do reforço recente da sua posição, Ehruschev não consegue já, decerto, o ascendente que Estaline exercia sobra os seus subordinados. A situação é, pois, bastante diferente.
Desde que Ehruschev revelou, no XX Congresso do Partido Comunista Russo, em Fevereiro de 1956, os excessos cometidos em nome do Partido pelo homem que uma geração de escolares tinha aprendido a venerar como um ídolo, a juventude .perdeu as suas ilusões e acabou por não ter mais confiança naqueles que procuram doutriná-la a ensiná-la. A juventude não vê hoje qualquer razão para aceitar destes mesmos indivíduos uma nova definição do bem e do mal. A juventude tem ama crítica fácil e humorista e, não sendo já intimidada, faz ouvir a sua voz.
O resultado foi bastante desencorajador para os ideólogos. Uma parte importante da juventude soviética, bastante numerosa para chamar a atenção da imprensa, não reagiu como os pontífices do partido tinham previsto e não mostrou mesmo qualquer respeito pelo passado soviético.
A juventude exprime-se, porém, tão vigorosamente quanto pode e quando pode. O exibicionismo dos stilyagi não é menos sintomático que os protestos mais reflectidos dos estudantes; tudo isto é menos significativo que a embriaguez e o deboche da juventude operária nas fábricas e nos campos. Todos estes sintomas de rebelião são gestos de desafio contra a monotonia da Rússia depois da revolução e contra as duras realidades da vida soviética. O homem soviético, que os educadores procuraram criar, continua a ser, apesar de tudo, um ser humano, e -não um ser autómato.
A imprensa soviética assinalou casos numerosos de agitação entre os estudantes das repúblicas soviéticas.
As primeiros notícias publicadas a este respeito apareceram na imprensa nos fins de 1956; as mais recentes referem-se ao Kazakhstão.
A agitação estendeu-se aos estudantes de todos os graus de ensino; os jovens que frequentavam os estabelecimentos de ensino superior politécnico ou monotécnico, fundados pelos comunistas, a fim de constituírem uma nova classe dirigente, aproveitaram-se continuamente das circunstâncias para criticarem e protestarem. Em 25 de Novembro de 1956, a Pravda relatava, por exemplo, que o antigo estabelecimento de Malenkov, o Instituto Técnico de Bauman, de Moscovo, tinha os seus «desorganizadores». A 22 de Dezembro de 1956, Sovietskaia kultura criticava os estudantes das licenciaturas em Letras por terem manifestado um «humor maligno» no Instituto Rapin, em Leninegrado, e no Conservatório de Moscovo. A 29 de Dezembro, Sovielski Flot denunciava os alunos da Escola Naval que difundiam ideias nocivas ao comunismo.
Apesar de indubitavelmente encorajada pelos acontecimentos da Hungria e da Polónia, a agitação que reina entre os estudantes soviéticos teve certamente por origem as mesmas causas que determinaram os acontecimentos nestes dois países. De resto, esta agitação não se limita somente, às repúblicas situadas na periferia da União Soviética e recentemente conquistadas (se bem que estas repúblicas tenham tido o seu papel): a agitação atingiu o próprio coração da República Russa. Os estudantes de Leninegrado, que difundem, pelo menos, quatro publicações ilegais, têm um papel preponderante neste género de protestos.
Os protestos revestiram-se de formas diversas. Houve verdadeiras escaramuças na Geórgia, em Kiev e em Es-