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1116 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 129

poder. Mas espessa bruma emparedava os largos horizontes daquelas altitudes, e quando os velozes aviões se preparavam para grimpar o último obstáculo da cumeada e lançar-se na vastidão do espaço à sua frente, a inexorável força da fatalidade fez baquear oito deles no mesmo golpe. Homens experimentados e com brilhantes folhas e serviço de muitas horas de voo, com valioso saber e competência como eram aqueles oito jovens pilotos, só uma excepcional desdita os podia ter vencido tão traiçoeiramente.
Quase testemunhei o acontecimento, que me produziu a mais forte das emoções da minha vida.
Em gesto de plena compreensão, símbolo do teor da elevada solidariedade reinante entre todos quantos servem a nossa gloriosa Força Aérea, foi mandado erguer no local, pelos altos comandos, uma significativa memória formada por duas cruzes. Uma, desenhada no terreno, dentro dos contornos de alvíssimo quartzo, semelha uma grande nave e serve à observação do ar; outra, de ferro, erguida' a mais de doze metros de altura no eixo dos braços da primeira, tem na frontaria do seu plinto de grés regional afeiçoado a pico fino unia pedra de precioso recorte onde, sob a legenda «Morreram voando», estão esculpidos os nomes e os postos dos oito aviadores ali tombados.
Segundo um voto da Câmara Municipal de Poiares, ali foi ontem, como nos anteriores dias de aniversário, rezada solene missa campal, com a assistência das mais gradas autoridades distritais e das boas gentes da região.
Com solenidade igual à da bênção do expressivo monumento, feita em 1956 pelo Sr. Arcebispo-Bispo de Coimbra, perante o Sr. Ministro da Defesa e perante larga e categorizada representação das nossas forças armadas, também ontem, em romagem do mais puro afecto cristão, ali se deixou a juncar n bonita base da cruz altaneira uma montanha de flores, das miais preciosas às mais humildes, mas todas elas representando o mesmo sentimento e a prece piedosa que se desprendeu das nossas almas ainda doridas pela pungente lembrança dos sofrimentos daquela manhã penumbrosa do dia 1 de Julho de 1955.
Todavia, para além do sentimento da tragédia e do seu luto, o que mais se vincou em nossas almas foi a ideia de redenção.
E que essa era a ideia que dominadoramente se irradiava da cruz altaneira e esguia perante a qual nos inclinávamos.
Nos seus braços, a fresca brisa da altitude deixava a eterna litania dos salmos da natureza e neles quase se podia ouvir a' voz dos heróis e dos mártires da nossa epopeia,, glorificando a Deus nas alturas e apontando-nos a continuidade do engrandecimento da Pátria, pelo qual haviam tombado.
Perpassou então perante nós toda a glória do sangue, derramado ao longo dos séculos para fortalecimento e dignificação dos altos ideais da Pátria.
A glória da Porca Aérea apareceu-nos mais radioso e mais forte, resplandecendo nas nobres virtudes dos seus heróis e dos seus mártires.
E com vivo orgulho e emoção avaliámos o seu poder quando nos foi dado contemplar, as evoluções impecáveis de uma esquadrilha de jactos que sobrevoou o local na altura das cerimónias, deixando traçada uma cruz gigantesca.
Novamente a ideia de redenção galvanizou as nossas almas perante aquela majestosa cruz.
O fasto, Sr. Presidente e Srs. Deputados, merece, a meu ver, o apontamento que quis trazer a esta Câmara, aproveitando a oportunidade do seu funcionamento.
É que recordar essa data e dela extrair os seus significados é prestar homenagem - devida, mas nunca inteiramente cumprida - a todos quantos, ao longo do tempo, buscando dignamente servir a Pátria, lhe ofereceram o holocausto dos suas vidas, libertando-se, por isso, das eternas escuridões da lei da morte.
Não se compreenderia, por isso, qualquer indiferença perante o sacrifício das oito vidos dos que, naquela manhã pardacenta, nos altos da serra do Carvalho, servindo a Força Aérea e a Pátria, por elas morreram voando.
E ainda sob tal pensamento que, interpretando os desejos das boas gentes da região e os meus próprios, renovo o pedido, já feito ao Governo em outra altura, de que seja construída junto ao monumento ali existente a Capela de Nossa Senhora do Ar, o que permitiria um culto mais intensivo e uma mais ardente demonstração da nossa Fé, encaminhando as nossas preces para os altos destinos a que verdadeiramente a nossa crença as dirige.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Vai passar-se à

Ordem do dia

O Sr. Presidente: - Continua em discussão na especialidade o projecto de lei apresentado pelo Sr. Deputado Carlos Lima relativo às alterações a introduzir na Constituição Política.
Tínhamos acabado ontem a discussão do artigo 1.º do mesmo projecto. Passamos agora à do artigo 2.º, que vai ler-se.

Foi lido. É o seguinte:

«ARTIGO 2.º

O corpo do artigo 94.º e seu § único são substituídos pelo seguinte:

Art. 94.º A Assembleia Nacional realiza as suas sessões com a duração de cinco meses, a principiar em 25 de Novembro de cada ano, salvo o disposto nos artigos 75.º, 76.º e 81.º, n.º 5.º
§ único. O Presidente da Assembleia Nacional, quando o julgar conveniente, pode prorrogar até um mês o funcionamento efectivo desta e interrompê-lo, sem prejuízo, porém, da duração fixada neste artigo para a sessão legislativa.»

O Sr. Carlos Lima: -Sr. Presidente: consoante se acentua no parecer da Câmara Corporativa, as alterações consignadas no projecto que apresentei relativamente ao artigo 94.º e § único da Constituição reduzem-se u estes dois pontos:

Aumentar o período de duração das sessões legislativas- de três para cinco meses;
Suprimir a data limite de 30 de Abril actualmente estabelecida para o encerramento das mesmas sessões.

O parecer da Câmara Corporativa pronuncia-se contra tais alterações.
De harmonia com o projecto -diz-se no parecer-, as sessões legislativas teriam uma duração superior à que tiveram em qualquer outra Constituição Portu-