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DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 69 1824

de um novo porto, que é o porto de Aveiro. É de primacial importância para a economia do região e também para a economia nacional concluírem-se as obras de beneficiação e total aproveitamento do porto de Aveiro nos seus diversos aspectos de porto de pesca, de porto comercial e até industrial, uma vez que se situam na região algumas grandes unidades1 industriais que já o justificara tornam até necessário.

E a beneficiação e completo aproveitamento do porto de Aveiro de forma alguma colide com o pleno aproveitamento dos portos do Douro e Leixões, nem com a beneficiação e desenvolvimento do porto cia Figueira da Foz, pois demonstrado está que no ritmo de aceleração ura que se processa o nosso desenvolvimento económico no domínio das pescas e dos transportes marítimos todas essas unidades portuárias, em seu pleno desenvolvimento, virão a ser proximamente necessárias e porventura não chegarão mesmo para as necessidades desse tráfego. O porto de Aveiro e a sua ria são portanto elementos primaciais para a economia da região e do País, e constituem por isso elementos e valores que importa defender a todo o custo e beneficiar de cada vez mais.

Um eminente geógrafo, o Prof. Amorim O irão, num estudo já velho de 40 anos, mas sempre novo na justeza e actualidade dos seus conceitos, que elaborou precisamente sobre a bacia do Vouga, escrevia, alturas tantas: "os marítimos (referia-se à região de Aveiro) têm como certo o vaticínio de que um dia há-de vir em que toda essa zona (reportava-se à zona da ria de Aveiro) será um contínuo areal sem vegetação e sem vida. vaticínio de cuja possibilidade científica a ninguém é lícito duvidar. Na mão do homem está apenas retardar esse desenlace fatal, com todo o seu cortejo de desastradas consequências".

Os marítimos que fizeram tal vaticínio acreditaram na fatalidade das coisas e na impossibilidade de se dominarem os elementos. Mas, graças a Deus, passados 40 anos (e até já antes) nós dispomos de possibilidades de ordem técnica e de aprendizagem científica para corrigir, pelo menos em certa medida, a acção das forças da natureza e até para as aproveitar em nosso próprio benefício.

Assim, Sr. Presidente e Srs. Deputados, já por um lado se estabeleceram ou estão formando as contra forças que hão-de fazer gorar aquele vaticínio desastroso. Quero referir-me é formidável e benemérita obra de fixação das dunas, ao norte da ria de Aveiro, por meio do seu aproveitamento exaustivo em regime florestal. As cortinas de floresta que se vão formar precisamente no quadrante dos ventos secos do norte, aqueles que levantam e arrastam mais areia, vou impedir, sem dúvida, em apreciável medida, o assoreamento da ria por esse lado.

Nesse aspecto o que importa é que essa obra de flores tacão se intensifique e complete e muito principalmente se defenda. Por esse lado, pois, aquele mau agoiro que os marítimos vaticinavam não chegará a concretizar-se. Porém tal vaticínio será um facto se nós não travarmos, pelo lado de terra, o depósito das imensas aluviões que são arrastadas pelo rio para a ria e para o porto.

Esse travamento há-de fazer-se, portanto, na corrente do próprio rio péla construção das barragens adequadas, que o curso médio do Vouga possibilita e consente. Essas barragens, ao mesmo tempo - e primacialmente -7- que vão alimentar as centrais de produção de energia eléctrica que os seus caudais justifiquem, impedem, do mesmo passo, que a acção da erosão provocada pelos grandes rápidos do rio e pelas suas torrentes impetuosas continue a afectar a ria e o porto.

Está, portanto, na nossa mão, e dentro das possibilidades que aos fornece o domínio de uma técnica já evoluída no travamento dos caudais torrenciais, fazer gorar por completo a concretização do vaticínio de mau agoiro a que se referia o eminente professor.

Sr. Presidente: alonguei-me mais do que desejava e do que prometi a V. Ex.ª Disso quero penitenciar-me e apresentai1 a V. Ex.ª as minhas desculpas. O meu objectivo primacial foi pôr perante esta Assembleia a consideração da necessidade instante que existe, para a defesa e valorização da região de Aveiro, do aproveitamento das potencialidade energéticas do rio Vouga e dos trabalhos do travamento conveniente à regularização do seu curso no mesmo plano em que se processe, projecte e execute o aproveitamento das possibilidades energéticas do rio Mondego e do travamento do seu curso em razão da eliminação dos mesmos inconvenientes que apontei para o rio Vouga.

É, assim, uma espécie de alargamento do plano gizado no próprio aviso prévio por maneira e por forma que esse mesmo plano contemple, ao mesmo tempo, as duas bacias hidrográficas, tão semelhantes na sua constituição, como no seu desenvolvimento e ria sua paisagem física e humana, listamos a deixar correr para o mar torrentes de energia em potência - precisamente quando já o domínio de uma técnica aperfeiçoaria e evoluída nos permite evitar essa catástrofe. Mas o que é pior ainda é estarmos a deixar que por falta de travões adequados essas mesmas torrentes improdutivas destruam, na sua fúria, riquezas incalculáveis e imprescindíveis.

Não desejaria, porém, que com a realização destes objectivos deixassem de florir os lírios nos campos.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Nem que a floresta do Choupal viesse a transformar-se numa floresta de postes de cimento armado. Precisamente o que é de desejar, Sr. Presidente e Srs. Deputados, é que se tirem do aproveitamento dos nossos rios todas as possibilidades económicas, sim, mas sem afectar a vida dos nossos campos e antes em ordem à elevação do nível dessa mesma vida. Mas nem. só da satisfação de necessidades materiais vive o homem, nem muito menos a juventude; e sobretudo esta é mister orientá-la no trato e na cultura dos' valores do espírito. Que haja pois muita electricidade e muita energia aproveitada, para satisfação dos nossos cómodos, mas que se continuem a cultivar os lírios dos campos, como quem diz, a defender e a valorizar de cada vez mais a nossa riqueza rural, tão carecida de protecção como de ajuda.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: -Não há mais ninguém inscrito.

O Sr. Nunes Barata: - Peço a palavra! O Sr. Presidente: - Tem V. Ex.ª a palavra.

O Sr. Nunes Barata: - Sr. Presidente: constitui par mim dever, a que corresponde com a maior satisfação agradecer a V. Ex.ª em meu nome e no dos meus colegas pelo círculo de Coimbra, todas as atenções e facilidades que nos dispensou, a propósito da efectivação d aviso prévio que agora se encerra.