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2378 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 94

ou falsos e quando as desagradáveis consequências nos possam atingir.

Não é o desejo de posse que nos leva a pretender que nas províncias ultramarinas se continue a venerar a bandeira portuguesa, pois esse simples desejo é uma espécie de divindade corrosiva que devora a própria substância. Teríamos um fim triste.

A fórmula da Nação pluricontinental e plurirracial resulta de princípios indiscutivelmente válidos à luz da moral e do direito que nos alimentam a fé e nos garantem a certeza de que lutamos por uma causa justa.

O medo do pior tem conduzido os verdadeiros responsáveis pelo agravamento da situação africana. Nós prosseguimos na esperança do melhor.

Vozes: -Muito bem, muito bem!

O Orador: - Quando se verifica que o Ocidente procura, muitas vezes na renúncia, a melhor condição de sobreviver, eu recordo aquela mística com que a Europa aceitou grandes sofrimentos para construir a sua grandeza. Sei que a exaltação do valor das ideologias é por alguns considerada como índice de mentalidade inferior. Mas não deixo de afirmar que são as ideologias que impulsionam dinamismos, fortificam a coragem e servem a esperança.

Vozes: -Muito bem!

O Orador: - Quanto à O. N. U., não nos preocupemos muito com ela. Está mais que provado que não é organismo susceptível de assumir responsabilidades na condução da política internacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Os seus Estados membros adoptam doutrinas políticas e jurídicas extremamente heterogéneas.

Entre eles, os comunistas não hesitam, por princípio, em opor-se a qualquer norma fundamental do direito que não satisfaça a sua doutrina. Afirmam sem rebuço que o direito internacional público é um instrumento de defesa e protecção dos chamados «Estados burgueses».

E os novos países afro-asiáticos pensam que estão habilitados a ditar, pela lei do número, o caminho que a comunidade internacional deve percorrer, confundindo deste modo o seu interesse político com regras do direito.

Ë inegável que a maioria dos Estados fazem da O. N. U. uma simples praça de discussão, onde muito raramente adoptam atitudes construtivas e desapaixonadas.

Julgamos distinguir bem entre o que a O. N. U. pode e não pode fazer. Será, então, de estranhar que o que lá se diz não nos intimide.

Sr. Presidente: embora certos do bom caminho que trilhamos, temos de estar mais vigilantes a insidiosa guerra psicológica que nos fazem.

São os inimigos e os falsos amigos a usarem contra nós uma arma especial e de singular importância quanto ao seu poder e alcance. Com os modernos meios de difusão do pensamento, fáceis e rápidos, levam a luta aos nossos corações, às nossas inteligências e às nossas vontades. Atacam-nos no domínio do espírito e procuram perturbar as nossas consciências.

Querem atingir o que possuímos de mais precioso, na tentativa de dissociarem a unidade moral e espiritual da Nação.

Dificuldades, sempre vencemos; e só estivemos em risco eminente de perecer quando os adversários conseguiram pôr ao seu serviço o nosso psiquismo individual e colectivo, regendo-nos as atitudes e comportamentos.

É também assim que agora nos pretendem subjugar.

Ora se mostram ameaçadores e fazem apelo à revolta e à traição, ora insinuam simpatias toscamente mascaradas e nos instigam a satisfazer-lhes os desígnios inscritos no seu rol.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Deste modo, querem empurrar-nos para o escorregadio declive de um autêntico poço de renúncia.

Visam minar a nossa determinação e obter nas retaguardas cúmplices ou aliados; desejam conduzir opiniões públicas, vítimas do medo, do cansaço ou da mentira, a irreflectidos ou cómodos abandonos e servem-se do único processo que os poderia levar a um resultado vitorioso.

Não creio que alguma vez qualquer outro povo tenha estado exposto a pressões psicológicas tão generalizadas, tão fortes e tão persistentes, como as que Portugal vem suportando nos últimos anos.

A nossa firmeza provoca já o espanto nas fileiras adversas.

Todavia, se pusessem de parte o cego desvario com que nos hostilizam e reconsiderassem - libertados de frustrações e fanatismos - a legitimidade dos nossos direitos, o valor dos nossos princípios e a marca dos nossos propósitos, nada haveriam de admirar, pois é daí que muito naturalmente recebemos o bom tónico para a fé que nos conforta nestas horas graves da vida nacional.

Vozes: -Muito bem, muito bem!

O Orador: - No mundo de hoje a sorte das nações está cada vez mais dependente do ânimo que manifestem na resistência aos efeitos da arma psicológica manejada pelas suas rivais.

Mal andaríamos se menosprezássemos o valor desta arma, limitando-nos, de peito aberto, a aguentar passivamente os golpes contra nós desferidos.

Não há nenhum país, qualquer que seja a sua contextura social ou o seu credo político, que não a empregue, pelo menos, na defesa dos sentimentos nacionais ameaçados.

Cumpre-nos também utilizá-la em proveito próprio.

Porque temos uma noção muito diferente do que é a dignidade humana, não vamos seguir os métodos e procedimentos dos nossos contendores.

Possuímos uma formação que nos proíbe a calúnia e a insídia. Não seremos nós a fazer lavagens de cérebros ou a tentar intoxicações de espíritos; e não seremos nós, ainda, a ludibriar, a amedrontar e a violentar.

Mas devemos reagir à guerra psicológica que nos é feita, de maneira mais activa e coordenada do que até agora, sustendo as manobras inimigas, respondendo-lhes no momento oportuno com decisão e explorando as suas contradições e falsidades.

Por servirmos de boa fé uma causa justa, nem sequer nos faltam trunfos raros e valiosos para se desenvolver com êxito uma contra-ofensiva psicológica geral, tanto no campo externo como na frente interna.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Estamos, pois, bem munidos. Além disso, os nossos adversários não desistem de nos presentear constantemente com um outro trunfo quando apregoam mentiras absurdas e praticam repugnantes vilezas.