O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

3596 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 143

O Orador: - A crítica de V. Ex.ª vem dar razão à minha tese. S. Martinho do Porto não está integrado na comissão regional de turismo de Leiria.

O Sr. Gonçalves Rodrigues: - Mas porque?

O Orador: -Porque não quiseram. V. Ex.ª sabe que S. Martinho do Porto pertence ao concelho de Alcobaça. Ora Alcobaça não quis integrar-se na comissão regional de turismo de Leiria. A Junta de Turismo trabalha isoladamente, e não em ligação com os órgãos centrais. Por isso talvez não receba directrizes.
Há, porém, empreendimentos que, não obstante o desejo da comissão regional de turismo de os ver resolvidos, escapam uns à esfera da sua competência e outros, embora adentro da sua esfera de competência, não poderão ser levados a bom termo sem uma substancial ajuda e intervenção mais directa dos órgãos centrais do turismo nacional e de outros departamentos do Estado.
Citaremos apenas alguns reputados de maior importância e interesse: o problema da construção de um aeródromo em Fátima, para o que já foram iniciadas diligências junto da Direcção-Geral da Aeronáutica Civil e dos T A. P.; o problema do abastecimento de água a Fátima, que urge ser solucionado, quer a partir da nascente do Agroal, quer de outra qualquer, pois não se compreende que uma população fixa de milhares de pessoas e uma multidão superior a 1 milhão que acorre ao Santuário e se abriga em Fátima não disponha de água suficiente para acudir às suas necessidades; o do desenvolvimento hoteleiro na Cova da Iria, onde se ergueu em honra da Virgem Santíssima, que ali fez a «Sua aparição, o Santuário, que é centro de irradiação espiritual, de fé, aonde acorrem peregrinos de todos os cantos do Mundo e onde se justifica plenamente a instalação condigna dos CTT e de um posto de turismo à escala nacional; o da construção de uma pousada no Castelo de Ourem (ao que nos consta já em estudo na Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais), de cujo alto morro se desfruta grandioso panorama; o da atribuição à comissão regional de turismo das concessões de pesca desportiva do rio Lis - zonas de Leiria e Monte Real - e lagoa da Ervideira, para se fazer o aproveitamento turístico desta, dotando-a com uma casa-abrigo e outras instalações consideradas indispensáveis, tendo em conta as belas condições que possui para prática do turismo de Inverno; o da valorização turística das chamadas grutas de Mira de A ire, promovendo a sua iluminação e tornando-as comodamente visitáveis e fazendo despertar nos turistas o interesse que merecem, pois que constituem um mundo maravilhoso de estalactites e estalagmites milenárias, de uma grandiosidade e beleza impressionantes - situadas apenas a uns 60 m do importante centro industrial que é a vila de Mira de Aire, as grutas dos Moinhos Velhos, mais conhecidas por grutas de Mira de Aire, podem vir a representar um elemento turístico de especial relevo. Sendo as maiores grutas conhecidas no continente, com um percurso de 1300 m numa só direcção e uma extensão total de cerca de 2000 m, oferecem condições excepcionais para o desenvolvimento turístico da região. Não obstante uma intensa propaganda de alguns órgãos da nossa imprensa que fez suscitar o interesse por elas, as grutas de Mira de Aire continuam a ser apenas acessíveis aos amadores de aventuras e de grandes emoções, pois a entrada ali é ainda particularmente difícil. O S. N. I. promoveu ali duas expedições, que tiveram por objectivo, a primeira, o reconhecimento oficial e, a segunda, o estudo das obras de acesso a realizar, afim de tornar possíveis levantamentos topográficos exactos e o estudo geológico.
Foram mesmo concedidos subsídios para a execução de alguns trabalhos, que deixaram de ter o seguimento que era necessário para que Mira de Aire, com as suas grutas, integrada numa região considerada das mais importantes do ponto de vista turístico e situada a pouca distância de Fátima, Batalha e Porto de Mós, pudesse ser incluída nos circuitos turísticos do País e o mundo de maravilha que encerra estivesse patente ao turista.
Torna-se, por isso, necessário retomar os trabalhos e, dado o incremento turístico que para a região adviria da imediata acessibilidade das grutas e da sua conveniente iluminação, fazer delas uma bem orientada propaganda no sentido de despertar o interesse do turista, à semelhança do que se tem feito na vizinha Espanha com as já célebres grutas de Aracena.

O Sr. Dias das Neves: -Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente e Srs. Deputados: na importante comunicação que, no passado dia 7 de Fevereiro, o Sr. Subsecretário de Estado da Presidência do Conselho fez perante o Conselho Nacional de Turismo afirmou-se:

Aproxima-se uma hora decisiva do turismo português. Não nos desorientemos pelo muito que de nós vai exigir.

Conjuguemos, pois, todas as boas vontades, dedicações e energias para que possamos corresponder à arrancada que o Governo se propõe dar em prol do desenvolvimento do turismo nacional.
A obra é grande -sabemo-lo bem- e, por isso mesmo, carece também de certa dose de fé e optimismo para a sua realização.
Mas, como lapidarmente disse um dia o Sr. Presidente do Conselho:

Nada de grande se pode fazer sem fé. E ainda que de modo algum se deva turvar a nítida visão das coisas, a gravidade dos problemas e a grandeza das dificuldades a vencer, um pouco de optimismo é necessário para o próprio êxito de uma grande obra.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Dias das Neves: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: o aviso prévio sobre turismo que está em discussão é um momento de altíssima inspiração do nosso estimado colega Dr. Nunes Barata, a quem quero, do alto desta tribuna, prestar as maiores homenagens às suas qualidades de estudo, de inteligência e carácter e apresentar as maiores felicitações, pela sua acção de parlamentar brilhante.
O alto valor deste aviso prévio deduz-se prontamente, para além da maior elevação com que foi efectivado pelo autor, que fez estudo atento, minucioso e rigoroso do problema, da oportunidade de discussão do mesmo ao nível nacional no limiar deste ano de 1964, em que S. Ex.ª o Subsecretário de Estado da Presidência, Dr. Paulo Rodrigues, nosso distinto colega desta Câmara, a quem presto igualmente as minhas homenagens, acaba de anunciar para o ano que corre um plano contendo as linhas orientadoras da actividade turística do nosso país e a esperança de que terá chegado para Portugal a hora do turismo, e em que a evolução do momento turístico nos leva a acreditar que Portugal irá finalmente ter compensação do extraordinário esforço que tem feito para desço-