O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

3612 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 144

dos, em partes iguais, pelo Governo Português e pela O. C. D. E.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Mas as dificuldades do estabelecimento de tantas escolas não são só de ordem material e financeira, elas residem principalmente, e cada vez mais, na falta de professores.

Vozes: -Muito bem !

O Orador: - A carência de vocações docentes é um dos problemas mais trágicos do ensino. Nas escolas técnicas 80 por cento do serviço docente tem sido, nos últimos anos. entregue a professores eventuais. Os quadros efectivos, por conservarem ainda a estrutura de 1948, são pequenos, correspondendo apenas a cerca de um quarto das necessidades actuais, mas, mesmo assim, ainda têm vagas em vários grupos, porque muitos professores eventuais não mostram interesse em se habilitarem para os preencher.
Há uma grande crise de vocações docentes para o professorado efectivo, talvez por se tratar de uma função para que se exige preparação demorada e trabalhosa, mas que ainda está mal remunerada, embora seja uma das funções de maior interesse e importância para a vida presente e futura da Nação.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Criar às carreiras docentes maior poder de atracção parece ser uma necessidade urgente.
Devemos fazer tudo quanto seja possível para ganhar a batalha da educação em todas as posições estratégicas, porque pura conservar o nosso ultramar não basta defender vitoriosamente pelas armas as províncias ultramarinas, é necessário, além disso, que pela preparação profissional da nossa gente o Mundo se capacite de que somos dignos de o reter sob a nossa soberania, porque temos capacidade técnica para o desenvolver.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Nos nossos dias essa capacidade é um problema de instrução dos homens nos vários níveis. No vértice da pirâmide está o crescimento da formação de diplomados universitários, que deverá em princípio ter uma taxa de aumento dupla da do crescimento do rendimento nacional, e isto para se conseguir um desenvolvimento global equilibrado.
O País vive uma época cheia de dificuldades em que os limitados recursos são solicitados para múltiplos fins, mas os Portugueses, quando unidos, conseguiram sempre realizar prodígios, e por isso confio em que, se soubermos trabalhar unidos, também sairemos vitoriosos das várias dificuldades e conseguiremos alargar o ensino à dimensão necessária para o tornar cada vez mais acessível ao maior número de portugueses. Uma política orientada neste sentido ajudará a defender a integridade nacional.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Amaral Neto:-Sr. Presidente: tive recentemente necessidade, e V. Ex.ª com algum esforço de memória poderá talvez figurar porquê, de indagar das representações numéricas, dos valores escalares capazes de dar alguma noção precisa, alguma noção aritméticamente certa das condições da nossa economia agrária.
Tive por isso de manusear e estudar as publicações do nosso Instituto Nacional de Estatística, que de ano para ano vem dando a lume um Armário cada vez mais volumoso dedicado aos factos da agricultura.
Parece-me que, à vista do desenvolvimento que essa publicação toma a cada novo número, podemos congratular-nos com o zelo e interesse dedicados ao assunto. Mas a verdade é que, se nos debruçarmos sobre o conteúdo, encontramos que faltam ali elementos da mais alta importância para a boa figuração da nossa vida económico-rural.
A estatística das explorações agrícolas foi feita apenas no período de 1952 a 1954. Nunca mais foi repetido o inquérito que permitisse actualizá-la e completá-la e tenho fortes dúvidas de que, tal como foi construída, ela não seja em certos pontos enganadora, porque recordo-me perfeitamente da minúcia, da insistência das perguntas em que se baseia essa estatística, dos questionários para o inquérito, e quero crer que em muitas circunstâncias o inquirido, perante tantas perguntas e tanta minúcia e a indagação de tanto pormenor, tenha falseado ou iludido as respostas, por enfado ou inércia.
Seja como for, perfeito ou imperfeito, exacto ou inexacto, o conhecimento estatístico de explorações agrícolas no nosso país foi tentado, como digo, uma vez apenas há doze anos e nunca mais voltou a repetir-se para lhe dar melhor forma, para estabelecer tendências, para apurar falhas ou erros.
Eu não tenho, mais que qualquer de VV. Ex.ªs, uma fé inabalável nas estatísticas e nas suas conclusões.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Já há anos tive ocasião de citar aqui um dito espirituoso de certo grande estadista a propósito de como se pode jogar com os números estatísticos. E como esse comentário irónico e provavelmente fundamentado, deve haver às centenas, se não aos milhares, na literatura política e económica do último século.
Acredito, porém, que, ainda que erradas e falseadas pelas declarações dos inquiridos, ainda que prejudicadas pelo receio de confessar a vida das actividades, ainda que diminuídas pela tendência a não responder às perguntas que, sem incomodarem em si mesmas, dariam pelo me: nos trabalho e esforço a ordenar nas respostas, assim mesmo as estatísticas, se se continuarem por períodos relativamente longos, podem ter o valor de revelação de tendências, de manifestação de ordens de grandeza, porque provavelmente os factores de erro e deturpação serão constantes e o que vier a lume poderá reflectir com verdade ao menos a evolução dos acontecimentos, as tendências dos fenómenos.
Lamento, por isto, que o inquérito às empresas agrícolas, feito uma vez, não tenha sido repetido mais vezes, para que pudessem aperfeiçoar-se as suas conclusões.
O que digo acerca da indagação estatística da vida das empresas poderia dizê-lo de apreciações de sector, como o arrolamento geral de gados, que se fez pela penúltima vez em 1940 e da mais recente em 1955; do recenseamento das árvores de fruto, cuja anterior execução data de 1982 e a mais moderna de 1954, e de outras.
São indagações de mérito e informações úteis, decerto, mas, a meu ver, prejudicadas pelos exageradíssimos intervalos que entre elas medeiam e que não permitem introduzir factores de correcção a torná-las de utilidade, pelo menos, como expoentes de tendências. Aliás, a mesma