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13 DE MARÇO DE 1964 3617

Mas como fazer turismo interno através da extensa província sem as indispensáveis estradas e transportes acessíveis?
Quando pensamos naqueles que pelo interior mourejam no desenrolar dos dias sempre iguais e das noites que parecem infindáveis, em lugares aonde não chegam muitas vezes nem a luz nem o cinema, e a, telefonia se ouve com dificuldade (não falo da televisão porque infelizmente ela ainda não existe na província), compreendemos bem a ânsia de uma distracção que os ajude a suportar a vida monótona das terras do mato e que os leva, por vezes, a percorrer de automóvel, de jeep ou de camioneta, longos e tortuosos caminhos e más estradas só para assistir a um simples espectáculo.
É certo que ultimamente se tem procurado de algum modo alargar e melhorar a rede de estradas de Moçambique. Mas o ritmo desta imprescindível obra terá de ser acelerado se quisermos fazer um turismo oportuno e eficiente através da província. Por outro lado, as viagens por avião, que é hoje o meio mais rápido para se poder aproveitar umas curtas férias, são ainda excessivamente dispendiosas para que as famílias se abalancem a deslocar-se para longe das suas casas, para a cidade ou para o campo, mesmo na província, não falando, é claro, no elevado preço de uma viagem à metrópole distante. E, no entanto, torna-se cada vez mais imperioso que se promova o turismo nas províncias ultramarinas, quer dentro das próprias províncias, quer entre elas, quer ainda entre elas e a metrópole e vice-versa.
Ama-se mais e melhor o que se conhece e quantas vezes os Portugueses desconhecem a sua própria terra!
Neste momento da nossa história ultramarina, tão denegrida e falseada por certos estrangeiros, há sem dúvida a necessidade de os levar, por todos os meios, a conhecer as terras portuguesas do ultramar, não apenas para observarem a sua beleza e o seu progresso, mas para que possam esclarecer-se sobre a verdade da nossa política ultramarina.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: -Todavia, torna-se também necessário que os Portugueses tenham do ultramar uma noção cada vez mais exacta e perfeita para que melhor o sintam e amem.

Vozes: - Muito bem !

A Oradora: - O intercâmbio turístico entre a metrópole e o ultramar, facilitado por viagens aéreas e marítimas de preço acessível, por excursões e cruzeiros bem organizados, traria para a Nação benefícios incontáveis que vão muito para além do aspecto puramente material da rendosa indústria que é o turismo. Não basta que pensemos somente nos turistas estrangeiros, sem dúvida os que mais contribuem com as divisas para o equilíbrio económico das balanças deficitárias.
O turismo, porém, é muito mais do que uma simples indústria nos seus vários aspectos e interessa na verdade que ele seja fomentado, tendo em conta os múltiplos benefícios de ordem cultural e social que encerra.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - Promover o turismo da metrópole para o ultramar e do ultramar para a metrópole não é apenas um processo de rendimento económico dentro do País nem tão-pouco mais uma viagem a acrescentar às muitas dos vistosos cartazes e das propagandas turísticas!
Fazer o intercâmbio turístico entre as várias e afastadas parcelas de Portugal é aproximá-las umas das outras, é irmaná-las num largo amplexo de amizade mais sincera, porque se conhecem melhor entre si. E levar os Portugueses a conhecer melhor a sua terra pelo contacto directo com os territórios e as suas gentes.
Por isso, Sr. Presidente, importa que no estudo do problema do turismo em Portugal, tão vivo e premente neste momento, não seja descurado este aspecto do turismo.
Não posso também deixar de me referir à necessidade de se intensificar o turismo juvenil no nosso país, levando os nossos jovens a conhecer a metrópole e o ultramar.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - A promoção de excursões de estudantes convenientemente orientadas dentro da própria metrópole ou nas províncias ultramarinas, o intercâmbio juvenil entre estas e a metrópole, daria à juventude portuguesa uma noção mais real da grandeza e das possibilidades do território português, com a sua história secular e de epopeia, e ainda da força moral com que a custo e por todos os meios defendemos o nosso património.

Vozes: -Muito bem!

A Oradora: - Sei que à Mocidade Portuguesa está entregue o turismo juvenil, mas também sei que, apesar do esforço dos seus dirigentes, o que se tem feito neste sector está ainda longe de corresponder a um verdadeiro turismo da juventude portuguesa e ao largo alcance da sua promoção. As dificuldades que se põem à sua realização e que se baseiam, sobretudo, na falta de meios materiais, merecem que sejam analisadas e que se lhe dêem os remédios mais convenientes para que se promova quanto antes um turismo juvenil intenso e eficaz, como meio complementar da educação da nossa juventude.
Como já nesta Câmara afirmei, quando da minha intervenção sobre a educação, o conhecimento do ultramar através do ensino tem sido imperfeito e incompleto.
Que melhor lição para um estudante do que o contacto directo com a geografia dos territórios, com os povos e as suas tradições?
Que melhor complemento para os estudos de um finalista de qualquer dos cursos e, particularmente, dos que se relacionam com o ultramar, do que ir percorrer e observar as regiões a que possivelmente se dedicará?
Que se dê, pois, toda a atenção e apoio ao problema do turismo na educação da juventude para que esta, tendo da sua pátria uma noção mais exacta e real, se lhe dedique com maior entusiasmo e fé.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: -Também me merece algumas considerações o aspecto social e cultural do turismo quanto ao nosso folclore e artesanato.
Na metrópole tem-se procurado, de certo modo, divulgar as canções e danças regionais, dentro do País e no estrangeiro, por meio de ranchos organizados, concursos de cantares e danças e de trajos e ainda outras manifestações artísticas.
Há, na verdade, necessidade de se dar a conhecer o variado e rico folclore português, que assenta por profundas raízes na tradição popular pela qual, ainda hoje, Portugal é considerado no conceito turístico internacional como um dos países mais curiosos e típicos da Europa.