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- ‘I’ -

18 DE OUTURRO DE 1978 33

E é neste torn geral que Rarnaiho Eanes procuradefinir os contornos do novo Governo a sair deBelém, que no fundo terá as mesmas caracteristicasdo Governo Nobre da Costa, cujo conteüdo fundamental será, pois, o de agravar a ofensiva reaccionária e preparar as condicöes para impor, na prática,a revisäo constitucional antes de 1980.

Por isso a UDP reafirma que a ünica saIda possIvel,capaz de derrotar esta ofensiva reaccionária, capazde mostrar que a maioria do povo continua a quereras conquistas do 25 de Abril e a Constituicão, é a

antecipacão de eleiçôes gerais para a Assernbleia da

Repüblica, nas quais seguramente a direita reaccio

nária será de novo derrotada. E essas eleicoes sao

tanto mais justificadas quanto major é o desprestiglo

deste Governo e quanto major vai sendo o descon

tentamento do povo em relação a esta Assernbleia.Descontentamento esse perfeitamente justificado, na

medida em que, tendo votado, na sua maioria, aesauerda, tern visto sair desta Assembleia as medidas

que säo apoiadas pela minoria da direita.

A UDP tern confianca no-s trabalhadores. As forçasdemocrâticas conseguiräo impor uma soluçào favora

vel aos trabaihadores. Ate porque, se é verdade que

uma caracterIstica da situaço actual C o agravamento

da ofensiva de direita sob a Cgide do Presidente

da Repdbiica, no é menos verdade que está a crescer

a disposicâo combativa dos trabaihadores contra essa

ofensiva, em defesa do 25 de Abril e das suas con

diçôes de vida.E grande o movirnento de repüdio e de luta contra

as desintervençöes, em particular da Ecril e da RealVinIcola, mas tambCm da Tome Feteira e da FábricaSirni5es. Corn coragem, corn deterrninacào, os trabalhadores defendem os seus postos de trabalho elutam contra o regresso dos antigos patröes sabotadores.

A forma corajosa e firme como os trabaihadoresalentejanos se tern batido em defesa da ReformaAgrária é urn exemplo alto dessa disposicão cornbativa e a certeza de que sabero estar a alturadas suas gloriosas tradicoes de luta e de esperançae de solidariedade que neles depositarn todos osErabaihadores dernocratas portugueses.

A UDP entende que C urgente iritensificar o apoioas UCPs e cooperativas atacadas, vendo claramenteque o que está verdadeiramente em causa é o próprio25 de Abril, de que a Reforma Agraria é a principalconquista. Os trabaihadores alentejanos tern dadoexemplos vivos dessa solidariedade, bern patentes nasnumerosas deslocacöes de trabaihadores para as herdades que estão a ser atacadas. Mas diante destaofensiva generalizada é preciso encontrar formas deluta mais elevadas. A UDP entende que se daveavançar para a greve geral no Alentejo...

Uma Voz do PCP: — Isso queria a reaccäo!

0 Orador: —..., ate que o Governo Nobre daCosta trave os seus crimes contra a Reforma Agraria.Essa é a forma de luta que está a altura da situaçäoactual, capaz de responder a ofensiva do Governode Eanes e Nobre da Costa e, ao mesmo tempo,garantir não so os Cxitos das sementeiras mas sobretudo que a coiheita no venha a ser feita pelos agrári os

Entendemos ainda que a nIvel nacional o alargamento do movimento grevista que hoje é urn factopositivo em numerosas empresas traz largas responsabilidades as forças dernocráticas, e em especiala central sindical dos trabaihadores, a CGTP.

Sem ilusôes quanto as soluçöes reaccionárias quese preparam em Belém, corn a ideia clara de queestamos diante de uma perigosa ofensiva da reacçào,importa avançar na unificacào das md-ltiplas lutase do sentimento de generalizado repüdio contra a vidacara, contra os ataques aos direitos dos trabaiha-dores,unificacão essa que deve ser feita na jornada de lutanacional ha muito aprovada pelo plenário de todos ossindicatos da CGTP. E corn confianca nos sentimentos dernocráticos dos trabaihadores, na sua disposiçAo combativa, uue a UDP encara a situaçãopoiltica. E possIvel derrotar a ofensiva da direita

apoiada em Ramaiho Eanes. Arranquemos para a

realizaçào de eleiçöes gerais antecipadas e, assentes

na mobilização popular, abramos caminho para urna

saIda de esquerda, uma salda favorável aos traba

hadores, qua defenda a Constituicão e o 25 de Abril.

O Sr. Manuel Alegre (PS): — Sr. Presidente: Peco

a palavra para fazer urn protesto contra afirmacöes

do Sr. Deputado Acãcio Barreiro’s.

O Sr. Presidente: — Faça favor!

o Sr. Manuel Alegre (PS): — Sr. Presidente,Srs. Deputado’s: E para protestar contra afirmaçôesfeitas pelo Sr. Deputado Acäcio Barreiros a pro-pdsito da apresentacão da candidatura do Sr. Deputado Teófilo Carvalho dos Santos a presidência daAssernbleia da Repüblica.

O PS, como grande partido democrático qure C,tern o direito de escolher o candidato que entender.Tedfilo Carvalho dos Santos foi eseoihid’o por votação democrática no Grupo ParIamentar do PartidoSocialista. Trata-se de um combatente antifascista daprirneira hora, qua se bateu, inclusivamente de arma:s na mao’, contra a instauracào- da ditadura emPortugal. Afirmar, portanto, que a apresentacào dasua candidatura é cedCncia as forcas de direita éuma afirmaçào gratuita e irresponsãvel da parte dequem nào cqnhece, corn certeza, a história cia resistCncia antifascista em Portugal. Consideramos as declaracöes do Sr. Deputado Acácio Barreiros comourn acto de hostilidade em reiação! ao Partido Socialista.

O Sr. Presidente: — Tern a palavra o Sr. DeputadoAcácio Barreiros para contraprotestar.

0 Sr. Acácio Barreiros (UDP): — Sr. Presidente,Srs. Deputados: 0 Sr. Deputado Manuel Alegre ououviu mal a minha intervençäo ou então jâ tinhaessa argumentacäo preparada, já a trazia de casa e,portanto, atirou-a mesmo sem -ouvir 0 que eu disse.

Rigor do PS.

Na minha intervenção deixei clara a posicäo daUDP em relaçao’ ao Dr. TeOfilo Carvaiho dos Santose o respeito que n-os -mer-ece o seu passado antifascista, tanto mais qua -o qua eu disse foi que eraimportante termos em conta o significado dessa substituição nesta altura, quan-do sabemos qua quern a