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18 DE MARÇO DE 1981 1391

Sem pretender expor noções originais ou revolucionárias, julga o Partido Popular Monárquico que o sistema utilizado nalguns países e baptizado como de «extensão irradiante» ofereceria larga praticabilidade no nosso país. Sistema complexo e dispendioso, de resultados a longo prazo, tem, no entanto, sido ensaiado e praticado em muitos outros países, sempre com excelente resultado, e, o que é muito importante, conduz a resultados visados em todas as latitudes geopolíticas. Brejnev, no último congresso do Partido Comunista da União Soviética, afirma bem peremptoriamente:

É preciso eliminar tudo o que torna lenta a introdução de novas tecnologias. A produção deve ter interesse vital em assimilar melhor e mais rapidamente os frutos do pensamento e do trabalho dos cientistas e projectistas.

Já em 1974 o Partido Popular Monárquico afirmava:

O seareiro não terá lugar numa agricultura de futuro e o trabalhador rural terá de se transformar num operário especializado altamente qualificado.
Condicionando, em Junho de 1975, a estruturação de uma verdadeira reforma agrária à subordinação aos objectivos principais de valorização do homem e da terra, de dignificação do mundo rural e de enriquecimento do País, os objectivos implícitos de reconversão cultural, condicionamento regional, melhoria da qualidade de vida, conservação de solo, etc., passam, ainda e sempre, por uma melhoria da validade profissional do gestor, do técnico e do operário rural.
Básica e muito esquematicamente, a extensão irradiante fundamenta-se na criação de explorações pilo» tos, estruturadas para funcionar como verdadeiras escolas de extensão.
Tomando a nossa estrutura administrativa, tais explorações seriam implantadas a nível distrital e moldadas segundo as conveniências regionais. Mais exactamente, a distribuição distrital poderia, eventualmente, ser corrigida, em função de factores fisiográficos, para uma melhor sobreposição de estruturas e objectivos.
Tal exploração iria receber, em regime de internato remunerado, agricultores jovens, seleccionados a nível concelhio, os quais trabalhariam na exploração piloto um mínimo de dois anos, dentro de matérias curriculares adequadas.
No escalão seguinte instalar-se-iam novas explorações a nível concelhio, que iriam receber agricultores alunos, agora a nível de freguesia, orientados por um corpo docente saído da unidade piloto distrital e em regime idêntico ao anterior.
No terceiro e último estádio, o ensino far-se-ia a nível de freguesia e visando o lugar ou aldeia.
Como resultados a longo prazo - um tanto especulativos, reconheço - veríamos elevar-se o nível quantitativo e qualitativo da extensão, que implicaria - ainda a longo prazo - todo uni processo de reconversão que acabaria por dispensar o próprio mecanismo de formação de agentes de extensão.
Processo lento, é verdade, Mas já Keops, quando mandou construir a grande pirâmide e avisado de que o trabalho poderia levar quinhentos anos, disse: «então comecem já hoje...»
Com 4 000 000 ha de terra agricultável, com mais de 2 milhões de habitantes vinculados ao sector agrícola, o nosso país dispõe actualmente de uma escassa dezena de escolas estritamente agrícolas.
Por outro lado, todo o mecanismo essencial dia extensão depende, em primeira análise, do ensino agrícola. A essencialidade da investigação e do projectismo, a importância da formação de docentes para os serviços de extensão, impõem o ensino agrícola a todos os graus como um factor formativo básico de uma agricultura nova. Recorde-se, mais uma vez, que é a carência desse ensino o principal factor retardador da evolução qualitativa e produtiva do sector agrícola.
Por isso se não entende que nos programas das escolas primárias (sobretudo nos meios dominantemente agrícolas) se não inclua como matéria curricular o ensino de rendimentos agrícolas. Seria, sem dúvida, mais construtivo ensinar aos futuros agricultores as regras bases da adubação ou dos arraçoamentos do que ministrar-lhes noções de educação sexual...
Tal prática induziria, desde logo e à partida, muitos jovens rurais a encaminharem-se para outros níveis do ensino agrícola, o que implicaria uma vinculação à terra e uma limitação do êxodo rural. Saber mais implica produzir mais; produzir mais arrasta melhor remuneração e promoção social, factores cuja ausência estão bem no centro do envelhecimento da nossa agricultura...
A nível médio, o ensino deveria dirigir-se para a melhoria técnica a nível empresarial, o que cobriria os gestores de empresas agrícolas, os feitores e docentes dos dispositivos de extensão, em paralelo com os técnicos agrários a nível médio, estes a encaminhar para a investigação, planeamento e ensino a médio prazo.
Por último, e a nível superior, visar-se-ia principalmente a preparação de investigadores e projectista e a docência a nível médio
Em conformidade com o que foi posto, o Partido Popular Monárquico julga necessário, conveniente e até urgente dispor o país de legislação que melhore substancialmente os níveis de extensão agrícola, reestrutura, amplie e melhore os dispositivos de ensino agrícola.
São estas as considerações do Partido Popular Monárquico.

Aplausos do PPM, do PSD e do CDS.

O Sr. Presidente: - Também para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado Fernando Cardote.

O Sr. Fernando Cardote (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Há longos meses que cerca de 300 trabalhadores vivem horas de angústia perante a iminência de perderem os seus empregos e a sua capacidade de resistência económica e psíquica aproxima-se do fim, se é que muitos não a esgotaram já.
Refiro-me aos trabalhadores da Sociedade Industrial de Gouveia, empresa têxtil com antiga tradição no sector e forte peso na economia da região.