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2222 I SÉRIE - NUMERO 59

tende e tem que dar lucro. Assim o querem os mercadores de medicamentos, de actos médicos, de .apetrechamento hospitalar, de diárias de hospitalização;
etc.
A população é pobre, não consome espontaneamente destas coisas com a frequência e desperdício convenientes para os grandes negócios? A pseudo gratuidade dos cuidados na doença tem sido o engodo para que os consumam. E já consomem.
Então a AD acha que é altura de lhes tirar 25 escudinhos aqui, o dobro, o triplo ou o quádruplo acolá só para serem observados (melhor, .para verem; o médico); já é um dinheirinho que dá para muita coisa. Mas que importa? Não estão a pagar já bastante mais pelo pão, pelo frango, pelo arroz e por tudo o, que têm de comer?

Vozes do PCP:- Muito bem!

O Orador: - Não vão ainda pagar mais? Então paguem pelo que se lhes fez e faz pensar que é saúde. O resto, mas não pode ser muito, saia..lá do OGE que é magro, desculpam-se os senhores da AD. E é, porque o aproveitamento dos recursos do País e d desenvolvimento económico estão em retrocesso ou estagnados, e os fundo públicos não se arrecadam dos grandes lucros; resultam em parte substancial de impostos directos e indirectos arrancados a bolsa de quem trabalha e mal tem para comer.
Sim, porque cerca de metade dós rendimentos dos trabalhadores, oh grande escândalo nesta Europa amiga, vai para a comidinha do dia-a-dia!
E a parte do OGE destinada à saúde Mo chegará para nada por estar a ser delapidada escandalosamente por várias razões, nomeadamente pelo brutal aumento de custos dos medicamentos e dos exames subsidiários que os serviços não realizam mas que compram ao sector privado sem -qualquer verificação de qualidade.

Vozes do PCP: -Muito bem!

O Orador: - "Quem quer saúde paga-a." Vergonhosa afirmativa de quem está contra a revolução triunfante do 25 de Abril, contra a Constituição que consagra o direito de o povo português ser gente.
As novas taxas moderadoras dos Serviços Médico--Sociais estão de acordo com o pensamento e com as práticas anticonstitucionais e antipopulares dos governos AD. O despacho que as regulamenta diz claramente que o regime anterior está desajustado não só do ponto de vista monetário. como quanto aos pressupostos com que havia sido estabelecido. O que importa é menos trabalho com maior receita. Nem sequer é para melhorar a qualidade dos serviços porque as caixas, com o assalto pela medicina convencional arquitectado pela AD, continuarão a ser para gente de segunda. Por outras palavras, não se deu aos médicos dos postos nem mais tempo para verem doentes, nem melhores meios, nem directivas para realizarem uma consulta digna, durante a qual, através de uma entrevista e de um exame cuidadoso, se aprofunda a razão do mal e se estabelece o tratamento eficaz. Diagnóstico clínico? Façam-se mas é exames subsidiários que engordam a actividade privada: o orçamento paga-os e agora também, de forma directa, os utentes. Terapêutica? O que interessa é consumir e desperdiçar medicamentos de efeitos "universais" e, quanto mais dispendiosos, melhor.

Vozes do PCP:- Muito bem!

O, Orador: - Então, a taxa moderadora para exames e tratamentos modera quem? Os médicos,,esses que deveriam ter possibilidades para ver bem os doentes de modo a moderarem o pedido de exames? Os doentes, por exemplo, para deixarem de abusar do gozo de andarem a fazer radioterapia para tratarem o seu cancro ou de se submeterem a biópsias para diagnóstico?

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - No que respeita às taxas de consulta, parece que moderaram o número de inscrições. Quando o Governo vier dizer que a caixa moralizou o consumo de actos médicos, teremos que nos perguntar: Vivemos num paíse de masochistas que deixaram, de repente,, de sentir prazer em perder tempo e em ,torturar-se com incómodas bichas, ou vivemos num país de pessoas para quem 25$ ou 100$ fazem pensar se podem ou não ir ao médico ou chamá-lo a casa?

Vozes do PS: -,Muito bem!

O Orador: - No, que respeita às taxas para exames e tratamentos, passamos para o reino do terror. Como é que um trabalhador com baixa dispõe de 2 contos por: mês para um tratamento crónico? Como é que as famílias de fraquíssimos recursos que habitam os "saudáveis" bairros de -lata ou que se amontoam com os filhos em, quartos alugados (essas famílias que pertencem ; nas palavras doutas do Sr. Ministro, às "chamadas classes desfavorecidas") aguentam os contos de réis em que podem importar uma requisição de algumas análises ou de um exame radiografia)-mais completo? É preciso ir aos sítios onde estes dramas se vivem para se saber.
As multas (fugiu-me a boca para a verdade), as novas penalizações, as actuais taxas moderadoras não enganam ninguém. Servem para cobrir parte das; despesas com os serviços, aumentadas pela medicina convencionada e pela brutal elevação dos custos dos medicamentos. Constituem também o pagamento directo e imediato de uma fracção da factura dos meios de diagnóstico e tratamento, convencionados com a medicina privada. As taxas pagas pelos trabalhadores passam a prover parte do capital do empresário. Boa moral a da AD! .
O dinheiro das taxas, esta é a verdade, não se destina para melhorar o nível da assistência médica, e muito menos a daqueles que as não podem pagar.
Aos postos não chegou qualquer orientação que permita futurar novas instalações, novas condições contratuais, novas valências, novos horários e ou o cumprimento dos estabelecidos, novo estilo. Nada de novo!, Mas, de facto, algo há de novo. Um conjunto de directivas centrais que estimulam e aceleram a degradação dos serviços (a que se opõe a eficácia, boa vontade e sentido profissional de parte dos médicos e de outros profissionais) para que a