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2324 I SÉRIE -NUMERO 60

disse o suficiente para demonstrar a inconsistência, a falta de fundamentação objectiva e a falta de quadros de referência apreciáveis em que a
intervenção ...

A Sr.ª Zita Seabra (PCP):-Sr. Deputado, dá-me licença que o interrompa?

O Orador: - Faça favor, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Sr. Deputado, é só para fazer uma ligeira correcção. É que eu não disse que o CDS não tinha dito nada sobre o debate. O que eu disse foi que o CDS não tinha dito nada sobre a política de saúde referida aqui pelo Sr. Ministro dos Assuntos Sociais e pelo Sr. Secretário de Estado.

O Orador:-Naturalmente que a Sr.ª Deputada, preocupada com os seus apontamentos, não terá reparado em tudo quanto eu e o meu colega Henrique de Morais dissemos na parte da manhã.
Penso que, em relação ao partido interpelante, disse o suficiente para demonstrar todas essas carências na sua argumentação e penso que, no que diz respeito ao Governo, disse também o suficiente - nós não estamos aqui numa câmara de elogio mútuo- para demonstrar, e repito-o com muito gosto, inequivocamente, o seu apoio com toda a franqueza, com toda a abertura, e com toda a esperança.

O Sr. José Ernesto de Oliveira (PCP): - Esperança!?

O Orador: - Por outro lado, queria dizer que estranho que, na síntese final quê fez, a Sr.ª Deputada Zita Seabra -pelo menos, nesta fase do debate- continue a insistir na diferença de linguagem entre os membros do Governo intervenientes no debate. Não sei qual será o seu objectivo, se será, portanto, o objectivo ambicioso de criar divisões entre os membros do Governo. Penso que esse é o problema típico de um partido monolítico, como é, e como se gaba de ser, o Partido Comunista.

Vozes do CDS: - Muito bem!

A Sr.ª Alda Nogueira (PCP): -Nunca nos chamámos monolíticos!

O Orador: - Pela nossa parte, e penso que pela parte de todos os partidos democráticos, admitimos, estimamos e reconhecemos que entre nós haja diferenças de linguagem, porque somos homens livres, não abdicamos da nossa personalidade, ao contrário do que os senhores fazem, quando intervimos na vida política.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Está-se mesmo a ver!

O Orador: - A homogeneidade, a monotonia da linguagem na intervenção política, será património vosso. Deixamo-lo com muito gosto. Nós preferimos continuar -na Assembleia ou no Governo- a ser aquilo que somos, com a unidade suficiente para
trabalharmos em conjunto e para nos apoiarmos, lealmente, uns aos outros.

O Sr. José Ernesto de Oliveira (PCP):-Por enquanto!

O Orador: - Não pretendemos ser monocórdicos, nem monolíticos, como os senhores se orgulham de ser e, aliás, como têm de ser.

Vozes do CDS, do PSD e do PPM: - Muito bem!

O Orador: - Considero também como curioso a grande ambição que o Partido Comunista, repetidamente, aponta nesta interpelação, e aponta como um objectivo fundamental num debate sobre os problemas da saúde. O grande objectivo do Partido Comunista, que diz uma série de coisas acerca das dezenas de questões de fundo, como se dezenas de questões tão de fundo como isso houvesse acerca das alternativas que diz que colocou, e, ao fim e ao cabo, não colocou nada -penso tê-lo demonstrado esta manhã e não ouvi grande coisa, para além do que na altura já era detectável-, o grande objectivo do Partido Comunista; repito -imagine-se - é o de ir à televisão. Quer ir à televisão, porque, naturalmente, continua a recair no mesmo vício que lhe é habitual de confundir o debate dos problemas com a propaganda da sua máquina partidária, ...

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador: -... com o palavreado, de apelo rudimentar a movimentos sentimentais das pessoas...

O Sr. Jerónimo de Sousa (PCP): - É do povo!

O Orador. - Pois é. É do povo!
Como dizia, com o palavreado de apelo rudimentar a movimentos sentimentais das pessoas, esquecido de que a apreciação da inferioridade das soluções governativas não se colhe através de intervenções mais ou menos entusiásticas, bucólicas ou, porventura, através das suas grandes «vedetas» na televisão, mas colhe-se, normalmente, em regimes democráticos, como pretendemos que seja o nosso, através do debate, sim, mas fundamentalmente através dos resultados das eleições, que os senhores perderam e que vão continuar a perder, por mais que intervenham na televisão, porque, quanto mais intervêm na televisão, mais patente se torna ao povo português a uniformidade e a incapacidade que têm para ir ao encontro, em termos concretos, das necessidades e da vontade do nosso povo.

Vozes do CDS:- Muito bem!

O Orador: - O Partido Comunista, ao fim e ao cabo, reclama um lugar na televisão. Pois será um anseio lógico do Partido Comunista. Será até um anseio natural de alguns dos Srs. Deputados que gostam de se ver no pequeno écran.

Vozes do PCP: - Então deixe-nos ir!

O Orador - Em todo o caso, não é através de presenças na televisão que os problemas se resolvem;