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2325 7 DE MAIO DE 1981

e os problemas da saúde são para se resolver, e não para se fazer propaganda política barata.

Aplausos do CDS, do PSD e do PPM e protestos do PCP.

Aliás, penso que em toda essa ênfase que os Srs. Deputados do Partido Comunista põem na sua eventual aparição na televisão e no uso desse poderosíssimo meio de comunicação social no decurso desta interpelação não deixa de ser uma frontal desconsideração para o que é esta Assembleia, para o seu significado na vida política do País, ...

A Sr.ª Alda Nogueira (PCP): - Essa é boa!

O Orador: -... para o correcto desenvolvimento da vida democrática num regime democrático normal. Os Srs. Deputados preferi riam ter a vossa presença na televisão a terem a palavra na Assembleia. Consideram-na mais importante. Pela nossa parte, consideramos que a televisão é um meio de comunicação importante, mas que esta Assembleia é o fórum por excelência para a discussão destes e de todos os problemas ou de quaisquer interpolações que queiram apresentar ao Governo.

Protestos do PCP.

Os Srs. Deputados então inquietos porque querem ir à televisão e ainda não conseguiram lá ir. Espero que, se algum dia lá forem, tenham o coro mais afinado, porque assim sairia muito mal.

Risos do CDS.

Finalmente, aliás como de costume, à falta das tais questões de fundo - de tantas dezenas que a Sr.ª Deputada Zita Seabra diz que colocou, vê-se logo que não chegou a definir e a identificar quais são as verdadeiras questões de fundo na política de saúde, que, aliás, são muito poucas, os dedos de uma mão chegam para as contar-, ...

Risos do PCP.

...falam do silêncio assustador do Governo. Falam do seu -apesar de não ser na televisão- magnífico contributo para a colução dos problemas do País e falam na unanimidade da opinião que há entre os Srs. Deputados. Se nos, dissessem que havia divergências entre os Srs. Deputados do Partido Comunista acerca deste ou de qualquer outro problema da política nacional, isso, sim -e espero que nos desculpem-, é que nos poderia surpreender...

O Sr. Jerónimo de Sousa (PCP):-Invejoso!

O Orador - ... ou de alguma maneira criar curiosidade. Dizer que há unanimidade entre os senhores é perfeitamente natural e banal.

Uma voz do CDS:-E obrigatório!

O Orador: - Estão a dizer-me que é obrigatório. Penso que sim. É capaz de ser obrigatório.
Em resumo, penso que o Partido Comunista fez aquilo que poderia fazer. Penso que se preparou, aliás como disseram, e muito bem, ao longo de não sei quantos meses, visitando não sei quantas dezenas de serviços, reunindo os seus quadros, os pareceres das suas comissões de base, e intervindo o melhor que pôde. Ma o resultado, Srs. Deputados -com toda a franqueza-, é que, sem pretender melindrar ninguém, devo reconhecer que foi talvez sonoro para vós, de certo modo motivo de algum auto-regozijo, que lhes deixamos cem gosto, mas:, efectivamente, em termos de balanço de proposta de definição dos problemas foi muito fraco.
Ao fim e ao resto, os Srs. Deputados do Partido Comunista não conseguem, como já tive ocasião de dizer esta manhã -apesar de o pretenderem-, abordar estes problemas, que dizem respeito às superestruturas da sociedade. Acho que fazem muito bem em pedir ajuda ao MDP/CDE, ...

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Pedimos ajuda com muita honra!

O Orador -... que nessas matérias talvez seja mais; ágil e mais capaz. Ouvidas as razões dos Srs. Deputados e conferindo-as com as nossas próprias razões, com toda a abertura de espírito, devo dizer que não vejo razão, depois desta interpelação, para que o Governo perturbe o seu trabalho, para que deixe de implementar as medidas que aqui anunciou e que, evidentemente, são importantes, têm um significado para a vida do País e para a saúde dos Portugueses muitíssimo superior a iodas as intervenções somadas dos Srs. Deputados do Partido Comunista, multiplicadas por um coeficiente muito elevado que- lhes pedíamos atribuir. Não vejo, pois, qualquer razão paira que o Governo tenha que modificar em nada a sua política.
Desejaria, a terminar, salientar, pela parte do Grupo Parlamentar do CDS, que foi com muito gosto que ouvimos os esclarecimentos que o Governo entendeu aqui prestar, que nos regozijamos com a soma de trabalho feito e aqui apresentado, que nos deu satisfação ter conhecimento das linhas de acção que prevê desenvolver, e -com toda a sinceridade - oferecemos ao Governo, para além da expressão do nosso regozijo, o nosso mais solidário apoio no desenvolvimento dessa política.

Aplausos do CDS, do PSD e do PPM.

O Sr. Presidente: - Sr. Secretário de Estado da Saúde, tem V. Ex.ª a palavra. Dispõe nesta fase do debate de 8 minutos.

O Sr. Secretário de Estado da Saúde (Paulo Mendo): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Não gostava de acabar as minhas intervenções sobre saúde, deixando sem resposta algumas questões que aqui foram levantadas há bem poucos minutos pelo Sr. Deputado Dias de Carvalho.
Julgo que o Sr. Deputado encara três aspectos, que são muito importantes em política de saúde, que, aliás, já foram abordados, mas merece a pena referi-los.
Em relação ao aumento de toda a área materno-infantil nos centros de saúde, é evidente que consideramos que esta actividade dos centros de saúde é fundamental. Acreditamos que tem sido à custa da