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2922 I SÉRIE - NÚMERO 73

próprio e em circunstâncias que julgam mais ou menos adequadas.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Entendemos que hoje, tal como há quase um século, são perfeitamente pertinentes, em relação às reivindicações dos partidos do Ulster, as palavras de Eça de Queirós quando dizia: «A Inglaterra volta-se para os seus economistas, para os seus políticos. Estes indivíduos pousam as suas vastas frontes nas suas vastas mãos, arrancam da concavidade da sua sabedoria farisaica esta resposta da Meia-Idade às reclamações do sofrimento humano: Paciência! O remédio está no céu!»
Para a Sr.ª Thatcher o remédio poderá não estar no céu, mas estará seguramente na repressão, na violência, na fria desumanidade, na morte daqueles que se batem por justos ideais.

O Sr. Carlos Brito (PCP): - Muito bem!

O Orador: - Tal como a Sr.ª Thatcher e o Governo Britânico, também a maioria de direita desta Casa apoia as suas vastas frontes nas suas vastas mãos e solidária com essa política inqualificável, pensa que talvez haja, tardiamente, qualquer lugar para repouso das suas consciências apresentando a esta Câmara, como já o fizeram, votos de pesar que, pelo seu farisaísmo, não têm qualquer fundo humano e, muito menos, qualquer espécie de aceitabilidade política.
Pensamos que este problema tem de ser colocado na Assembleia da República. Nós temos vindo a fazê-lo e temos vindo a esbarrar, permanentemente, com a frieza e a desumanidade da muralha que a direita ergue a todas as iniciativas sérias que têm por base a defesa do homem e dos seus direitos.
Por isso, reservamo-nos a faculdade de utilizar outras formas, daqui para futuro, para manifestarmos a nossa solidariedade e o nosso vivo empenhamento ao lado dos que combatem pela independência e pela dignidade, contra o colonialismo britânico.
Lamentamos não poder votar favoravelmente o voto apresentado pela UDP, porque determinadas questões de linguagem e determinado tipo de conceitos que nele se enxertam não são subscrevíveis pela nossa bancada.
Entendemos, finalmente, que Trazer aqui este problema é, no mínimo, apontar à consciência de cada deputado da maioria o mínimo de capacidade ética, e o mínimo de fundamento humano que ainda possam convalidar para assumir corajosamente o acto que se impõe, ou seja, o de manifestar a sua solidariedade para com os patriotas irlandeses.

Aplausos do PCP.

O Sr. Carlos Lage (PS): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Para que efeito, Sr. Deputado?

O Sr. Carlos Lage (PS): -Sr. Presidente, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, ao abrigo das disposições regimentais aplicáveis, requer a interrupção do período de antes da ordem do dia por quinze minutos.

O Sr. Presidente: - Com certeza, Sr. Deputado.

Está, portanto, suspensa a sessão.

Eram 15 horas e 55 minutos.

O Sr. Presidente: - Está reaberta a sessão.

Eram 16 horas e 11 minutos.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso, para intervir sobre o assunto em questão.

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - Sr. Presidente. Srs. Deputados: Em relação aos dois votos que se referem à situação que se vive na Irlanda e que estão a ser submetidos à apreciação desta Assembleia, o Grupo Parlamentar da UEDS votará contra o voto apresentado pela UDP e votará a favor do voto proposto pelo PCP.
Votará contra o voto apresentado pela UDP porque nele se assumem posições que, em nosso entender, só poderiam, com legitimidade, ser assumidas nesta Assembleia na sequência de um debate aprofundado, na medida em que nele se envolvem questões que não são simples -pelo contrário, são altamente complexas- e que exigem, para uma tomada de posição consciente, ser amplamente discutidas, detalhadas e apreciadas.
Pensamos que, por exemplo, é uma simplificação abusiva reduzir a questão da Irlanda do Norte a simples problemas de relações coloniais entre a Grã-Bretanha e esse país. Pensamos que, para além delas, há um conflito, que tem outras raízes, entre a própria comunidade irlandesa da Irlanda do Norte que se situa para além dos simples problemas de ordem de relações coloniais, de que não nos podemos abstrair.
Numa análise simples deste problema, poderíamos, no fundo, ser conduzidos a fazer um apelo à permanência não daquilo que seria a insurreição contra um poder colonial, mas, sim, à permanência de um estado de guerra civil entre populações, entre as comunidades protestantes e católica da Irlanda do Norte.
De qualquer forma, pensamos que um problema destes não pode ser alvo de um voto aprovado sem um mínimo de debate, pelo que votaremos contra o voto apresentado pela UDP.
A razão por que votamos a favor do voto apresentado pelo Partido Comunista é exactamente aquela que nos levou a votar favoravelmente votos já anteriormente apresentados nesta Assembleia sobre a mesma matéria.
O problema que se coloca é o de defesa dos direitos do homem, de respeito pela pessoa humana. Quanto a isso a nossa posição é uma posição de princípio, é uma posição clara, é uma posição que já aqui definimos, pelo que não vamos repetir argumentos já por mais de uma vez aqui invocados.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Muito bem!

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Tenha a bondade.