O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

3318 I SÉRIE-NÚMERO 84

neira", exactamente por causa do problema dos têxteis, sector em crise, uma CEE em crise.
Entretanto é preciso não esquecer que apenas 20 empresas das mais de 2000 existentes exportam cerca de 40 % do total das exportações de têxteis e vestuário e que a sua maioria está incluída na recém-autorizada Sociedade Portuguesa de Investimentos, autêntico banco privado criado no Norte. Isto significa ,que, com ou sem plano de reestruturação/com ou sem lei quadro para o sector, o grande patronato têxtil apoiado pelo Governo está a tentar avançar na reestruturação da indústria, através da destruição das PEM's acompanhada do aumento de concentração e centralização capitalista, permitindo que apenas dois ou três grupos financeiros dominem o mercado exportador e controlem a produção e o mercado interno.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Como vivamente foi provado no Congresso Têxtil, a resolução dos problemas nacionais exige uma mudança de política. A política da direita já demonstrou que não serve. A vida e a vontade popular exigem uma mudança de raiz, uma política que dê resposta aos desejos, necessidades e aspirações dos trabalhadores é do povo português e um governo democrático para a realizar., E tê-la-ão!

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Silva Marques, não sei se para um pedido de esclarecimento ou para um protesto.

O Sr. Silva Marques (PSD): - É para um pedido de esclarecimento, Sr. Presidente. Depois de ter ouvido a Sr.ª Deputada fazer, uma larga descrição de actos e de comportamentos - negativos da parte do actual governo - descrição que já tinha ouvido várias vezes nestas últimas semanas, para não dizer nestes últimos dias, o que de certa forma me permite chegar à conclusão de que os factos negativos não devem ser assim tantos, porque senão a bancada da oposição comunista teria a possibilidade de fazer alguma variação, quanto mais não fosse para tornar um pouco mais atraente o seu discurso -, pretendia fazer-lhe uma pergunta, para de certa forma tentar levá-la à discussão das questões práticas do nosso país, quer estejamos do lado da maioria governamental, quer estejamos do, lado da oposição.
O que pensa a Sr.ª Deputada dos objectivos é dos esforços do Ministro do Trabalho, com vista ao. diálogo entre os diferentes parceiros sociais e, mais do que diálogo, a realização de um contrato social, que contribua não apenas para o progresso no sentido da justiça social, mas também porque, nos parece um elemento fundamental para esse efeito e para a democracia do nosso país.

O Sr. Presidente: - Pode responder, se desejar, Sr.ª Deputada Ilda Figueiredo.

A Sr.ª Ilda Figueiredo (PCP): - A intervenção do Sr. Deputado do PSD vem pôr a claro, mais uma vez, uma realidade que a seguir explicitarei. Trouxe aqui dados que demonstram claramente o descalabro económico do nosso país e que provam
a situação a que chegou este país com a política que vocês puseram em acção.
Demonstrei através de números, que são: os do Plano do vosso Governo, "que" as próprias "Opções do" Plano que os senhores aqui aprovaram não são cumpridas. Por exemplo; em relação ao emprego o Governo veio aqui dizer que ia criar este ano 80 000 postos de trabalho e agora nem um só lá está escrito; dizia que ia fazer crescer o produto interno fruto em 4,8 % e agora fica-se pelos 2,9 %; dizia, como o Sr.Primeiro-Ministro Pinto Balsemão aqui afirmou, que o PCP mentia ao apontar para um défice de balança dê transacções correntes superior a 1 bilião de dólares em 1980 e agora aí está claro que não é apenas ;1 bilião de dólares, mas sim 1 bilião e 400 milhões, de dólares de défice.

Vozes do PCP: - Muito bem!

A Oradora: - Isto tudo para lhe demonstrar que trouxemos aqui os problemas concretos, como os dos trabalhadores têxteis, dos quais 6000 estão neste momento ameaçados de desemprego. Os senhores sabem quais são essas empresas, pois os trabalhadores delas tem vindo cá diariamente e o Sr. Ministro não resolve esse problema. Se o resolvesse, a SIG (Sociedade Industrial de Gouveia) não estava encerrada, com os seus trabalhadores no desemprego, a têxtil do Caneiro não tinha 700 trabalhadores sem receber qualquer salário, assim como na Algot, na Corfam's e nas outras que citei; se o resolvesse, não haveria uma empresa como a Valfar com todos os seus trabalhadores a prazo; se o Sr. Ministro do Trabalho resolvesse os problemas, os sindicalistas da função pública não tinham sido presos; se resolvesse os problemas da função pública, à sua tabela tinha sido revista e os senhores tinham aqui aceite que isso pudesse ser de novo aqui discutido, e não aceitaram!
Viu-se também o que os senhores fizeram com Os projectos de lei sobre os contratos a prazo, pois tiveram vergonha de aqui votar contra, mas depois arranjaram forma de mandar, para as calendas gregas a sua discussão é aprovação.
Vê-se o que se passa também agora com o ministro fascista Moreira Baptista. Aí sim, estão Os senhores preocupados em lhe pagar as dívidas que ele tem pela exploração que fez ao povo português. Este é um exemplo claro do que fazem os vossos ministros e o vosso governo.

Aplausos do PCP, do PS, da UEDS e do MDP/CDE.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - É, tudo para os fascistas e nada para pára os trabalhadores!

O Sr. Silva Marques (PSD): - Peço a palavra para um protesto, Sr. Presidente:

O Sr. Presidente: - Faça favor.

O Sr. Silva Marques (PSD): - Queria protestar, porque a Sr.ª Deputada não respondeu à minha pergunta.

O Sr. Sousa Marquês (PCP): - É só blá-blá!.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra para contraprotestar, Sr.ª Deputada Ilda Figueiredo: