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26 DE JUNHO DE 1981 3455

pane dos grandes industriais, que se recusavam a laborar o trigo de que a EPAC dispunha. Assim, criou-se uma situação difícil para a EPAC, por neste momento não dispor de estruturas disponíveis para a campanha que se avizinha.
Simplesmente, e dada a previsível inconstitucio-nalidade da disposição governativa em relação à liberalização do comércio dos cereais, estamos em presença de uma situação nova. Em presença dessa nova situação, também não restará outra alternativa aos industriais moageiros que não seja consumirem esse cereal. Mas, como o Sr. Deputado sabe — nós estivemos numa visita que a Comissão de Agricultura realizou à EPAC —, há alternativas para esta situação.
Se o boicote se mantiver, esse cereal terá de ter outro tipo de consumo. No entanto, o que nós pensamos é que a produção não pode nem deve ser afectada com a situação de falta de disponibilidade de armazenagem.
De qualquer maneira, a preocupação mantém-se da parte da minha bancada.
Em relação à questão do Alqueva, como referi na minha intervenção, não nos manifestámos aqui nem a favor nem contra. A questão que levantei foi a de estarmos em presençaa de uma realidade com que temos de nos confrontar. Dissemos ainda que o que não aceitamos é que, ao realizar-se a obra de Alqueva, se não faça um aproveitamento múltiplo da água, fazendo-se apenas o seu aproveitamento energético.
Pensamos que o aproveitamento hidroagrícola da água disponível deve ser feito de modo a atenuar a questão, que o Sr. Deputado apontou, de ser reduzida consideravelmente a área agrícola.

O Sr. Presidente: — Para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado António Moniz.

O Sr. António Moniz (PPM): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: A integração de Portugal nas Comunidades Europeias exige um sem-número de transformações e as necessárias adaptações, a médio prazo, na Administração Pública e na estrutura e quadro do funcionamento da nossa economia. Todos estamos sensibilizados para esses objectivos, e o Governo, no seu programa, assim declarou, mas será necessário que as ideias passem à realidade e que as transformações se comecem a verificar, e aproveitando-se todos os instrumentos e oportunidades que vão sendo postos à nossa disposição e criando-se incentivos aos imprescindíveis ajustamentos que se desejam.
Pelo acordo de acções comuns assinado entre Portugal e a Comunidade Europeia, o nosso país poderá beneficiar, durante o período que decorrerá até ã sua admissão, de uma ajuda financeira substancial, oferecida pelas Comunidades e emprestada pelo Banco Europeu de Investimentos. Esta ajuda contempla, entre outros sectores, o da formação profissional, devendo as acções comuns ser devida e eficientemente implementadas, de modo a delas se retirar o maior número de benefícios na transformação das estruturas. O Governo terá de dar a maior atenção a todos os aspectos relacionados com a concretização dessas acções comuns.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Todos nós sentimos o drama da juventude na busca do primeiro emprego; todos sabemos que, nas regiões do interior, uma grande percentagem de portugueses deixa as suas famílias e o seu torrão natal para fora do País encontrarem o que a Pátria lhe negou e assim poder educar os filhos e construir a casa--morada de família.
Pois bem, com a entrada no Mercado Comum, um maior número de portugueses, certamente, irá ocupar postos de trabalho nos países da Comunidade, mas tanto a busca do primeiro emprego como a saída para o estrangeiro não podem ser deixadas simplesmente ao vaivém da fortuna e ao espírito de aventura, que desde sempre caracterizou o nosso compatriota.
Muito tem ainda de ser feito para que o panorama do mercado do primeiro emprego se transforme e para que os menos favorecidos de nós deixem de emigrar de pé descalço, como indiferenciados, ocupando apenas os postos de trabalho que os habitantes dos próprios países não querem, por pesados, sujos ou mal remunerados.
Não podemos permitir que na Europa os trabalhadores portugueses continuem a ser os párias da sociedade. Já que não podemos criar, de um momento para o outro, condições que estanquem a hemorragia emigratária que nos debilita e não dignifica, teremos de possibilitar àqueles que fora do seu país procuram trabalho as condições que lhes dêem acesso a lugares que exigem especialização profissional e que, por consequência, são mais compensadores no aspecto remuneratório.
Ora, tanto no concernente ao mercado do pri meiro emprego como na formação profissional dos emigrantes, o turismo poderá e deverá ter uma palavra a dar. Esta a razão porque o fomento da oferta de turismo nacional não se poderá limitar à simples construção de novas unidades hoteleiras e à ampliação das já existentes. É necessário formar urgentemente novos profissionais de turismo, dando possibilidade de emprego à juventude e permitindo que os emigrantes, nas estâncias de turismo internacional, exerçam cabalmente profissões que, na generalidade, possibilitam boas remunerações.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Alguma coisa já foi feita em Portugal e, em épocas não muito recentes, a oferta de mão-de-obra especializada em matéria de turismo mostrou uma elasticidade quase suficiente para suprir as carências do sector. Mas os tempos mudaram e essa mão-de-obra especializada não chega para as encomendas. E isto apesar de sabermos e conhecermos bem o alto nível de formação dado pêlos nossos centros de ensino hoteleiro. As escolas de hotelaria e turismo revelaram-se autênticos alfo-bres de competentes e exemplares técnicos, que têm dignificado o turismo e o próprio país. Nomeadamente, a escola do Porto, devido ao seu nível de ensino, tem o maior respeito das entidades empregadoras e o reconhecimento internacional do alto grau de preparação que dá aos seus alunos. Aliás, à Escola de Hotelaria do Porto foi já conferido, tanto em 1979 como em 1980, o trofeu internacional do turismo para a melhor escola de formação. Devo lembrar que países da América Latina e de expressão portuguesa, como o Brasil, Cabo Verde