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3754 I SÉRIE - NÚMERO 91

com o facto de este governo pedir autorizações legislativas acompanhadas do respectivo texto, o que não sucedia com outros governos.
Enfim, Sr. Deputado, dá a impressão que V. Ex.ª pretende atirar para os outros os erros do seu próprio partido. A AD não se confere a si própria poder algum, a AD assume para si própria o poder que lhe foi conferido e que lhe foi confirmado pelo eleitorado.

Aplausos do PPM, do PSD e do CDS.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado João Cravinho, há mais deputados inscritos para pedirem esclarecimentos. Pretende responder já ao Sr. Deputado Borges de Carvalho ou no fim?

O Sr. João Cravinho (PS): - Prefiro responder no fim para ter representações mais vastas da AD, Sr.ª Presidente.

Aplausos de alguns deputados do PS e do Sr. Deputado César de Oliveira.

O Sr. Presidente: - Nesse caso, tem a palavra o Sr. Deputado César de Oliveira, também para pedir esclarecimentos.

O Sr. César de Oliveira (UEDS): - Não vou perguntar ao engenheiro João Cravinho quem manda ou deixa de mandar onde quer que seja, porque quem manda na AD vamos todos sabendo que é o CDS...

Vozes do CDS: - Ai é?!

O Orador: - ... e portanto vamos sendo elucidados acerca dessa questão.

O Sr. Borges de Carvalho (PPM): - Muito bem!

O Orador: - A segunda questão prende-se com a parte final da sua intervenção -que não pôde concluir em que se referiu ao facto de em Outubro se ter de fazer o pagamento da factura do eleitorado em relação a esta acção governativa da AD. Eu gostaria que concluísse a sua intervenção, porque, de facto, me pareceu que ela esboçava algumas considerações que não pôde concluir. Assim, agradecer-lhe-ia que a concluísse para depois podermos aquilatar da síntese que certamente fará no final da sua intervenção e que não pudemos escutar.

O Sr. Gomes Carneiro (PS): - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Também para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado José Vitorino.

O Sr. José Vitorino (PSD): - O Sr. Deputado João Cravinho fez uma intervenção cheia de lugares comuns.

Risos do PS.

não fundamentou absolutamente nada, como é usual no Partido Socialista, e quando fala em vazio naturalmente que o Sr. Deputado se colocou ao espelho e olhou para o projecto do PS e da FRS.

O Orador: - Ainda bem que é não apoiado, Sr. Deputado!
Mas aquilo que é grave é que o Sr. Deputado demonstrou que aceita mal que haja neste momento em Portugal uma maioria que, nesta Assembleia, sustenta democraticamente um governo, o que aconteceu pela primeira vez, em termos de Aliança Democrática, há um ano. Isto é, aceita mal que o PSD, o CDS e o PPM tenham conseguido aquilo que o Partido Socialista, até hoje, não conseguiu e que, se calhar, não virá a conseguir nos tempos mais próximos.
Mas também fica claro de que o Sr. Deputado disse que o Partido Socialista só recolhe as lições do passado que, de algum modo, parecem interessar-lhe.
Referiu ainda o Sr. Deputado que o candidato da Aliança Democrática, general Soares Carneiro, perdeu as eleições, recolhe essa lição e procura tirar daí determinadas elações. Mas o que o Sr. Deputado não referiu - e deveria ter referido- foi aquilo que o Sr. Deputado parece ter esquecido em toda a sua intervenção: é que nas duas últimas eleições para a Assembleia da República, primeiro o PS e depois a FRS, sofreram duas derrotas espectaculares, que lhe dão o direito de criticar mas que não lhe dão o direito de neste momento se assumir como alternativa.

Vozes do PSD: - Muito bem!

Uma voz do PS - Essa é boa!

O Orador: - Naturalmente, o Partido Socialista pretende passar a crise que existe no seu seio para a Aliança Democrática, para o PSD e para os outros partidos que a compõem. Mais vale que procure ordenar a sua casa, pois cada um é responsável pela sua!
Para terminar, porque o tempo é curto, dir-lhe-ei, sobre a intervenção do Sr. Primeiro-Ministro, que talvez ela lhe doa porque, de facto, o Partido Socialista nunca se habituou nem nunca foi capaz de habituar os Portugueses - às intervenções de clareza, de frontalidade e de realismo O PS sempre navegou na demagogia, sempre navegou nas facilidades, e daí que esta nova linguagem lhe cause perturbação porque, acima de tudo, sentiu que os Portugueses perceberam essa linguagem e estão dispostos a empenhar-se neste projecto da Aliança Democrática, que não é fácil, face à situação económica internacional, mas que irá por diante. Portanto, não foi uma intervenção de testamento, foi uma intervenção de segurança, foi uma intervenção de futuro até às próximas eleições para a Assembleia da República.
Disse, ainda o Sr. Deputado que da Aliança Democrática todos vão para os mares do Algarve, talvez para esquecer as dificuldades. Eu dir-lhe-ei que para os mares do Algarve vão deputados da Aliança Democrática como vão deputados socialistas e deputados de outras bancadas -porque o Algarve é uma zona aberta a todo o País e, de qualquer maneira, o Algarve, como outros distritos do País, está firme e está coeso.

O Sr. António Vitorino (UEDS): - Não apoiado! Aplausos de alguns deputados do PSD e do CDS.