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28 DE NOVEMBRO DE 1981 693

O Orador: - Os trabalhadores-estudantes, camada importante da juventude trabalhadora, que, pelo seu esforço e dedicação, demonstram a sua total disponibilidade em contribuir para a resolução dos problemas com que o País se debate, através do seu aperfeiçoamento profissional e da acumulação de novos conhecimentos, não merecem por parte do patronato reaccionário e do governo da AD o mínimo de respeito e consideração.
Exemplo disso são as pressões de vária ordem a que estão sujeitos, inclusivamente com a ameaça do despedimento, quando reivindicam o cumprimento dos seus direitos específicos, consagrados no Estatuto do Trabalhador-Estudante aprovado por esta Assembleia, e na contratação colectiva.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Exemplo disso, é a constante degradação do sistema de ensino. As aulas não abrem nos prazos previstos, os professores não são colocados a tempo e horas, em muitas escolas não funcionam os refeitórios, não existem bibliotecas nem salas de estudo e de convívio, os horários dos transportes não se cuadunam com os horários escolares, a acção social escolar é ridícula.
É com esta preocupante e degradante situação que a juventude trabalhadora portuguesa se depara no seu dia-a-dia.
A AD e os seus governos desperdiçam a capacidade criadora, a inteligência e o trabalho dos jovens portugueses.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Muito bem!

O Orador: - A AD e os seus governos não resolvem, antes deixam agravar as suas condições de vida e de trabalho, adiam a resolução dos seus problemas.
Os jovens trabalhadores têm plena consciência disso e por isso lutam.
Os exemplos traduzem-se na sua participação na luta mais geral dos trabalhadores portugueses contra a política de recuperação capitalista e de endividamento ao imperialismo levada a cabo pelos governos da AD. Na luta pela melhoria das suas condições de vida e de trabalho e pela reposição do seu poder de compra.
A marcha contra o desemprego, em boa hora convocada pela CGTP/IN, irá ser também uma demonstração viva da capacidade e da determinação da juventude em lutar contra esta política, em lutar pela resolução do problema do desemprego.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - AI Conferência Sindical Nacional da Juventude Trabalhadora, realizada sob o lema «Com a CGTP/IN a Juventude Constrói o Futuro», foi também um exemplo dessa capacidade e dessa determinação.
Os jovens trabalhadores portugueses exigiram através da sua carta reivindicativa que seja executada uma política que assegure o desenvolvimento económico e social, que garanta o direito ao trabalho e à segurança no emprego, que se estabeleça uma efectiva ligação entre a escola e a vida activa.
Exigiram uma vida digna e com condições plenas e conscientes para constituir família. Exigiram a resolução do problema da habitação. Exigiram que seja cumprida a Constituição.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Por isso, o Grupo Parlamentar do PCP, ciente de que é imperioso assegurar as condições necessárias ao desenvolvimento são e harmonioso da juventude portuguesa, trouxe hoje aqui algumas das conclusões mais importantes dessa Conferência Sindical.
Sabemos, no entanto, e por tudo o que atrás ficou expresso, que a AD não resolverá os problemas da juventude trabalhadora.
E é por isso que os jovens trabalhadores portugueses lutam e continuarão a lutar contra a política antijuvenil e anticonstitucional da AD.
Os jovens trabalhadores portugueses lutam pelo derrube do governo AD/Balsemão, por uma alternativa democrática e um governo democrático ao serviço do País e da juventude.
Também os jovens trabalhadores portugueses criam as condições para essa alternativa.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Para formular pedidos de esclarecimento, tem a palavra o Sr. Deputado Silva Marques.

O Sr. Silva Marques (PSD): - Sr. Deputado Jorge Patrício, gostaria de lhe formular 2 pedidos de esclarecimento.
Em primeiro lugar, sendo certo que V. Ex.ª está a par do movimento juvenil em Portugal, em particular do movimento juvenil trabalhador - e eu peço esclarecimentos porque o faço na base política em geral, sem intervir como representante do movimento juvenil, coisa que não ousaria fazer -, gostaria que me dissesse qual era a carta reivindicativa do movimento juvenil trabalhador de que V. Ex.ª se faz porta-voz no momento em que estava no poder Vasco Gonçalves.

Vozes do PCP: - Onde, em Portugal?

O Orador: - Sim, refiro-me a Portugal.
Em segundo lugar, pode V. Ex.ª informar-nos da carta reivindicativa do movimento juvenil noutros países do mundo, em particular na União Soviética?

O Sr. Sousa Marques (PCP): - Outra parvoíce!

O Orador:- Finalmente, V. Ex.ª referiu-se a patronato reaccionário que, em estreita coligação com a Aliança Democrática, reprime, abusa e explora até aos ossos a juventude trabalhadora.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Muito bem!

O Orador: - Portanto, presumo que V. Ex.ª admite que existe outro patronato que não é reaccionário. Sendo assim, poderia V. Ex.ª elucidar-nos acerca dessa divisão do patronato em Portugal? Qual é a fracção