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704 I SÉRIE-NÚMERO 20

esclerosadas ou ancilosadas, a cuja agonia, infelizmente, os tempos modernos têm vindo a assistir.
Muito obrigado por ter trazido a esta Câmara os anseios de uma cidade que tanto merece e as necessidades de uma universidade que precisa de ser realmente dignificada na sua existência e no seu serviço público.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Lemos Damião, há mais um pedido de palavra. Deseja responder já ou no fim?

O Sr. Lemos Damião (PSD): - Respondo no fim, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Nesse caso, tem V. Ex.ª a palavra, Sr. Deputado Jorge Miranda.

O Sr. Jorge Miranda (ASDI):- Sr. Deputado Lemos Damião, tenho acompanhado há longos anos os problemas respeitantes à Universidade do Minho e por isso ouvi com muita atenção a sua intervenção.
Felicito-me particularmente por ele, o Sr. Deputado, tendo defendido os interesses particulares da cidade de Guimarães, ter ao mesmo tempo reconhecido os interesses e os direitos da cidade de Braga relativamente à Universidade do Minho. Julgo que a sua contribuição foi extremamente valiosa, por ter equacionado os problemas da Universidade do Minho não numa perspectiva puramente bairrista mas numa perspectiva de interesses de toda a região do Minho a que pertencem Braga e Guimarães e também muitas outras terras do nosso Minho.
Os dois pedidos de esclarecimento que lhe queria formular dizem respeito não especificamente a Braga ou a Guimarães, mas a uma consideração mais ampla que, salvo o devido respeito, o Sr. Deputado Lemos Damião talvez não tenha tido em conta na sua intervenção. Trata-se da perspectiva do interesse nacional, a perspectiva da inserção das novas universidades no âmbito de um país como Portugal, no âmbito de um país com minguados recursos e que tem de ter uma política universitária não apenas para servir esta ou aquela cidade, esta ou aquela região, mas todo o País.
Não acha o Sr. Deputado que a política de criação de novas universidades tem de ser reformuladas à luz do interesse nacional, à luz das possibilidades e dos recursos nacionais? Não acha que muitas das mazelas que vamos desgraçadamente encontrando poderiam ter sido evitadas se outra política tivesse sido seguida?
Não pensa que essa situação difícil da Universidade do Minho tem também como causa a ausência de uma política universitária integrada, digna desse nome, para lá das questões de localização, de instalações, da criação de instituições com maior ou menor autonomia? Não está a fazer falta a Portugal uma política universitária que atenda às possibilidades, mas também atenda a objectivos nacionais. no domínio da ciência, da educação e da cultura?

O Sr. Vilhena de Carvalho (ASDI): - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Lemos Damião para responder, se assim o desejar.

O Sr. Lemos Damião (PSD): - Sr. Deputado Barrilaro Ruas, meu caro amigo, os meus agradecimentos pela maneira atenta, elogiosa e calorosa como se referiu às minhas palavras.
Quero dizer-lhe, Sr. Deputado, que V. Ex.ª tocou um ponto que me é muito caro, como o é, ao fim e ao cabo, a todos os homens e, em especial, a todos os professores, que de espírito claro, franco e aberto estão virados e vocacionados para os problemas da cultura.
E, quando V. Ex.ª fala na colegiada de Guimarães, parece-me que não podia ir buscar outro ponto tão alto como aquele que a própria colegiada de Guimarães evoca.
A colegiada de Guimarães, que tão esquecida e arredada tem andado do pensamento dos intelectuais e dos homens ligados à cultura deste país, há-de ter nesta Câmara o tratamento adequado, pois eu, como vimaranense, mas principalmente como português e como professor - ou qualquer outro se não for eu -, há-de dar-lhe o tratamento adequado. E sobre este aspecto quero apenas dizer que ela constitui para todos nós motivo de muito orgulho e para os Vimaranenses de uma maneira muito especial.
Sr. Deputado Jorge Miranda, queria também agradecer-lhe as suas palavras e dizer que estou perfeitissimamente de acordo tanto com as suas palavras como com as do Sr. Deputado Barrilaro Ruas pelo seguinte: parece que, muito simplesmente, todas estas questões poderiam ser reduzidas a uma questão - que para mim é fulcral e fundamental -, que é o facto de precisarmos de uma política de ensino para este país, de precisarmos de planificar uma política que esteja equidistante de todas e quaisquer forças partidárias, de todas e quaisquer linhas ideológicas. Precisamos de uma verdadeira política de ensino para Portugal. E a política de ensino tem de começar precisamente na pré-primária e acabar no ensino universitário.
A Universidade do Minho é um exemplo fulcral do que é, ao fim e ao cabo, a inserção do poder político no poder de decisão cultural de um povo, porque todos nós sabemos bem que os problemas que agora existem não são nem mais nem menos do que o resultado de um acto político com que, cedendo a pressões, se proeurou minorar tensões que existiam entre as populações de uma cidade e de outra.
A época medieval, para nós, já acabou. Nomeadamente, as pessoas que estão vocacionadas para o problema do ensino e da cultura têm de pôr de parte estas questões, porque o que é preciso é arranjar maneira de tornar as pessoas mais esclarecidas, mais lúcidas, mais educadas, mais capazes de, pelos seus próprios meios, atingirem os seus fins que são a felicidade, a alegria de viver, a coragem de enfrentar a vida e a possibilidade, de com o seu contributo enriquecerem o País.
Por tudo isto, estou absolutamente sintonizado com V. Ex.ª, assim como o estou com o Sr. Deputado Barrilaro Ruas, ou não fôssemos os 3 professores, embora de graus diferentes.
Tenho sugerido no meu partido, e não me cansarei de o fazer, pelo que estou perfeitamente à vontade para o dizer aqui ou em qualquer lado - e tenho-o dito inclusive nas organizações de classe, nomeada-