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702 I SÉRIE-NÚMERO 20

o interesse de quem a procura cada vez melhor satisfeito e os custos de funcionamento mais produtivos.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: O processo evolutivo da Universidade do Minho pode constatar-se desde a sua criação, em 1973, pelo Decreto-Lei n.º 402, até a uma posterior resolução do Conselho de Ministros de 28 de Setembro de 1976 (já na vigência do I Governo Constitucional), distribuindo-a geograficamente por 2 núcleos autónomos intercomunicáveis, em que a formação humanística do núcleo de Braga se completasse com a formação tecnológica que o processo industrial de Guimarães continuadamente exigisse, bipolarização essa regulamentada pelo Despacho n.º 61/76, de 16 de Março de 1976.
Porém, este despacho previa que o núcleo de Guimarães entrasse em funcionamento somente quando a Universidade do Minho tivesse nessa cidade instalações definitivas, o que significaria o seu arranque apenas em 1979-1980.
Feridos no seu orgulho, as gentes de Guimarães tomaram nas suas mãos uma enorme movimentação, através das forças vivas do concelho, no intuito de neutralizar tão arreliadora demora, resolvendo o problema, o que levou à aquisição, por parte da Câmara Municipal de um imóvel onde estão gastos mais de 25 000 contos, imóvel que foi cedido, graciosamente, à Universidade do Minho para a instalação, provisória dos cursos de engenharia.
Em 1977 iniciaram-se os estudos tendentes à elaboração do plano geral da Universidade do Minho com vista a dotá-la de instalações definitivas, procedendo-se à escolha dos terrenos em Braga e Guimarães, prevendo-se o início das primeiras construções no decorrer do ano em curso.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: A imprensa regional e nacional, tem relatado com uma certa frequência e regularidade a situação anómala em que vive a Universidade do Minho, nomeadamente no que respeita à inicialmente pretendida articulação entre os dos pólos, articulação essa que, no momento, pura e simplesmente não existe.
É bem certo que o que parecia correcto, lógico e se desejava à partida se transformou numa profunda desilusão, e que o raiar de esperança que parecia ser a Universidade do Minho hoje não é mais que uma enorme penumbra mesmo no espírito dos mais optimistas.
Pode facilmente constatar-se que o pólo de Guimarães existe de direito mas não de facto.
E se não vejamos: a parte administrativa é inexistente; a secretaria, composta de mais de uma dezena de funcionários, não é, sequer, capaz de informar quantos alunos e professores tem o pólo de Guimarães; a anarquia reinante em todos o sectores internos pode constatar-se através de sucessivos inquéritos e processos disciplinares ali decorrentes; a admissão de pessoal, feita em moldes nada claros, dá a ideia de se pretender fazer da universidade, uma associação «tipo familiar», em vez de se ter a preocupação de dignificar quem vai ser admitido; a indefinição do pólo de Guimarães, a forma obsoleta como é tratado e o desinteresse manifestado por alguns responsáveis é reconhecido por alunos e certos professores; o conhecimento de um célebre «documento interno» que se tornou do domínio público e que denuncia a concentração de tudo e de todos no núcleo de Braga, onde tudo se encrava e nada se resolve, comprova-o claramente; o repetido ditame do pólo de Guimarães constituir uma espécie de colónia de férias, por onde os professores e alunos se passeiam, na já célebre «carrinha das digressões universitárias», quer dizer alguma coisa; o desprestígio em que caiu a comissão instaladora, que fora presidida pelo ex-reitor professor Lloyd Braga, é confrangedor.
Como se tudo isto não chegasse, poderíamos e devíamos meditar na série sistemática e periódica de denúncias públicas proferidas pelo jornalista Dr. Barroso da Fonte. Até certa altura, alguns viam nelas má vontade ou até perseguição que fugia aos leitores que desconheciam o processo. Como consequência, ao popular e credenciado jornalista foi-lhe movido um processo, por abuso de liberdade de imprensa, instaurado em 1978, cujo julgamento foi marcado para o passado dia 23 de Março.
Aconteceu porém que, pelo que Barroso da Fonte escreveu, a Polícia Judiciária moveu a Lloyd Braga um outro processo «por indícios de peculato e outras graves irregularidades», que se encontra no Juízo de Instrução Criminal, no tribunal de Braga, em segredo de justiça e com o n.º 369.
Porém, o julgamento de Barroso da Fonte ficou suspenso, a pedido do seu advogado, até ser julgado o ex-ministro da Educação.
É perante tudo isto que existe, mergulhada em pecaminosos actos obseuros, uma universidade que, devendo ser uma «escola de virtudes», parece sensibilizar as pessoas para os fósseis buracos da degradação, da calúnia, do insulto e da intriga, que ao institucionalizar-se substitui os altos valores morais, éticos e sociais afastando-se por completo dos fins para que foi criada.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Volvidos cerca de 8 anos após a sua criação, seria natural que os Vimaranenses, que tanta esperança depositaram nos frutos que dela adviriam, se sentissem hoje orgulhosos por no seu burgo existir tamanha riqueza social e cultural.
Porém, a realidade é bem diferente e o que é mais curioso é que por mais que nos interroguemos não encontramos resposta. Só quem não conhece Guimarães e as suas gentes poderá aceitar que o alheamento existente entre a Universidade e as suas populações seja possível.
Meses atrás, tentámos, confirmar as nossas dúvidas através de um pequeno inquérito e os resultados não só se confirmaram como nos deixaram perplexos e atónitos.
Não encontrámos nas pessoas contactadas uma só, reparem bem, Srs. Deputados, uma só que soubesse quais os cursos ministrados no pólo de Guimarães da Universidade do Minho e contactámos pessoas dos vários extractos sociais, entre os quais alguns professores que leccionam na cidade. Isto é espantoso...
Não satisfeitos, dirigimo-nos à secretaria da Universidade do Minho para indagarmos do que se passava. Aí, foi-nos informado que nos 2 últimos anos procuraram fazer a sua divulgação, fazendo inclusivamente um «Dia Aberto» para que as populações pudessem saber o que se faz e porque se faz, com os seguintes resultados: em 1980 visitaram as instalações da Universidade do Minho, neste «Dia Aberto», um casal de velhos.