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1676 I SÉRIE-NÚMERO 42

sual para o qual não devemos regatear esforços nem contrapor qualquer tipo de sectarismo.

Aplausos da ASDI, do PS, do PPM, da UEDS e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Para fazerem pedidos de esclarecimento, pediram a palavra os Srs. Deputados Mário Raposo e Barrilaro Ruas.
O período antes da ordem do dia acaba às 16 horas e 20 minutos, mas deu entretanto entrada na Mesa, subscrito nos termos regimentais por 10 Srs. Deputados do Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português, um requerimento pedindo a sua prorrogação nos termos do artigo 189.º do Regimento.
Punha desde já à consideração da Assembleia este requerimento, e depois daria a palavra aos Srs. Deputados que querem pedir esclarecimentos.
Vamos então votar o requerimento.

Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade (registando-se a ausência da UDP).

O Sr. Presidente:- Tem agora a palavra o Sr. Deputado Mário Raposo.

O Sr. Mário Raposo (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Vou usar a figura regimental do pedido de esclarecimento para me solidarizar por inteiro, e comigo a bancada do Partido Social-Democrata, com as palavras que acabam de ser ditas nesta sessão pelo Sr. Deputado Oliveira Martins.
Na realidade, a melhor forma de assinalar o décimo terceiro aniversário da morte de António Sérgio não será com elogios académicos nem com frases retóricas: é com uma perspectiva de futuro e, sobretudo, com um sentido de responsabilidade perante as difíceis tarefas do presente.
Sublinhou, algures, António Sérgio que os 3 grandes males da vida portuguesa - e suponho que o terá dito em 1915- eram o estadismo, o burocratismo e o bacharelismo.
O estadismo, na medida em que concentrava no Estado a solução de todos os problemas, retirando-os à livre disponibilidade da sociedade.
O burocratismo, na medida em que retirava às pessoas a capacidade de criar, de disponivelmente escolherem os seus caminhos e definirem a sua perspectiva perante o mundo e os homens.
O bacharelismo, na medida em que despegava e dissociava a problemática das apedras vivas» que sempre estiveram presentes no pensamento sergiano.
Devo, entretanto, sublinhar que António Sérgio, sendo um racionalista, acreditou fundamentalmente na grei. A palavra «grei» - e não é por acaso que ele pertenceu a uma revista exactamente com esse nome - era para ele fundamental. A grei, com toda a carga de idealismo e de sentido espiritual que pode comportar; a grei, com todo o sentido de perenidade que ganhou realmente o mundo e a pessoa humana.
Social-Democrata como foi, António Sérgio é um património moral do nosso país, é um património moral de todos nós. Sublinhá-lo aqui e esperar ainda que um dia a sua velha casa da Travessa do Moinho de Vento seja um centro de animação cultural, seja mais um pólo de difusão de uma nova problemática para este país. Constituirá isso o tema de uma intervenção política do PSD na próxima quinta-feira, como consta aliás da inscrição feita na Mesa.
Devo, entretanto, terminar congratulando-me com a intervenção, com a justa medida, com o sentido exacto das palavras que acabam de ser ditas pelo Sr. Deputado Oliveira Martins.

Aplausos do PSD e do PPM.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Barrilaro Ruas.

O Sr. Barrilaro Ruas (PPM): - É também sob a forma de pedido de esclarecimento que queria fazer uma intervenção muito rápida para me associar às palavras de homenagem do Sr. Deputado Oliveira Martins ao alto espírito de António Sérgio.
Vejo naturalmente em António Sérgio, por um lado, um dos poucos filósofos de mentalidade propriamente filosófica, tecnicamente filosófica, que foi dado ao povo português conhecer neste tempo e vejo, por outro lado, o político, o homem de intervenção directa mas uma intervenção directa que era sempre fundamentada em princípios, isto é, na principiologia - não propriamente ideológica, mas a racionalidade dos actos humanos.
Esse grande esforço de Sérgio para encontrar sempre uma razão de ser para as actividades do homem sobre a terra, quer em sentido pessoal, quer em sentido comunitário ou colectivo. Essa grande experiência de todos os séculos que ele soube depurar e decantar através de um esforço permanente de racionalização, de mentalização.
Também como monárquico não posso deixar de recordar o momento em que no 5 de Outubro de 1910, o oficial de marinha que era António Sérgio, resolveu quebrar a sua espada para não ter de quebrar a sua fidelidade a uma bandeira que tinha jurado um dia servir.

Vozes do PPM: - Muito bem!

O Orador:-É certo que António Sérgio; foi depois, e essa é uma parte da sua glória, um daqueles homens que souberam emprestar ao regime republicano em Portugal - uma fundamentação não propriamente pela positiva, mas pela negativa. Isto é, António Sérgio pensava não valer já a pena pôr o problema do regime, mas nunca frontalmente aderiu ao regime republicano como solução política definitiva.

Vozes do PPM: -Muito bem!

O Orador: - António Sérgio foi, portanto, um mestre do pensamento, um mestre de acção e, sobretudo, um daqueles portugueses raros no nosso tempo - à volta dos quis é possível encontrar, serenamente e francamente, uma convergência de pensamentos. E é possível em volta do seu grande nome, quer como defensor do cooperativismo, quer como defensão da política do humanismo, como orientador dos Estados, congregar nos dias de hoje os portugueses em que tão precisa é essa unidade.

Aplausos do PPM, do PSD e do CDS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Oliveira Martins, para responder se assim o desejar.