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1790 I SÉRIE - NÚMERO 44

Em relação ao Junco e ao Gaviãozinho... Sr. Deputado, conheço muito bem a zona, as pessoas que lá estão são os antigos operários agrícolas dessa propriedade, constituídos em cooperativa, e são eles próprios que têm manifestado desejo de deixar de estar, mas por enquanto estão ligados em regime de cooperativa.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra para responder, o Sr. Deputado Álvaro Brasileiro. Dou-lhe um minuto para o efeito e aqui terminamos.

O Sr. Álvaro Brasileiro (PCP): - Sr. Presidente, pedi a palavra para responder às declarações do Sr. Deputado Soares Cruz.
Sr. Deputado, também conheço a história de Murta, Gavião e Junco e conheço os seus problemas reais. Quero dizer-lhe que não são os operários agrícolas que estão a gerir a propriedade, quem a está a gerir é o Amaral Neto, o antigo dono da terra.

O Sr. Soares Cruz (CDS): - A pedido dele!

O Orador: - Aguenta. As terras que são do Estado, que deviam ser pertença do Estado e ser o próprio Estado a fazer a sua gerência, estão a ser dirigidas pelo Sr. Amaral Neto, visto serem terras excedentárias das reservas que lhe foram entregues.
Porque razão é que a AD mentiu aos agricultores da zona da Chamusca e dessa zona ...

Protestos do Sr. Deputado Soares Cruz do CDS.

Desculpe, Sr. Deputado, esta é que é a verdade. Essas terras foram postas a concurso, em Dezembro de 1981 e quando os trabalhadores da cooperativa e outros pequenos agricultores se dirigiram ao Centro da Reforma Agrária, ao MAP, e se inscreveram, muitos deles fizeram-no pensando ir ter acesso à terra, no entanto verificaram que, passado algum tempo, essas inscrições não eram para distribuição de terras. O MAP mentiu, há provas concretas, foram feitos inquéritos que visavam a distribuição das terras e vocês mais uma vez recuaram e mentiram aos agricultores.
Esta é que é a verdade de Murta, Gavião e Junco, Srs. Deputados.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente:- Para produzir a última intervenção desta sessão, tem a palavra o Sr. Deputado Lemos Damião.

O Sr. Lemos Damião (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A história dos povos faz-se através de feitos que os tempos não conseguem destruir. Só assim se compreende que terras haja que parecem fadadas a pontificarem em determinados sectores, impondo-se, pela determinação dos seus filhos, quer na sua região quer no historial do seu país.
Acontece tal simbiose com a vetusta cidade de Guimarães que, para além de ser "o berço da nacionalidade", se reclama de pioneira de feitos que o grande público desconhece e que podem, por esquecimento ou negligência, perder-se no debaldar dos tempos. Localidade que, invocada, fez reviver todo o passado de um povo que não se quedou pelo imobilismo mas, ao contrário, sempre pontificou, em cada época e em cada momento, por ter a resposta certa e adequada às exigências de uma Pátria que ali nasceu, que, dali frutificou e que dali fez história. Procedeu como verdadeira mãe de uma enorme família, sempre esteve à altura de assumir as suas responsabilidades, traçando os caminhos adequados para vencer as vicissitudes do tempo, procurando ser a pioneira, nas respostas e nas solicitações que o atribulado mundo actual exige. Em vez de se acomodarem e se recolherem na guarda do seu passado, preservando-o como um tesouro, único e imorredouro, tal terra e tal gente, ciosas do seu querer e das suas responsabilidades, nortearam-se sempre pelo futuro, afirmando-se, em cada momento, disponível e aptas para responder aos apelos do progresso.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Foi assim que no princípio do século passado, quando os jornais entraram ao serviço das populações, Guimarães disse presente como não podia deixar de ser.
Precisamente em 1823 nascendo o Azemel Vimaranense, nasceu o primeiro jornal minhoto, pelo que, com orgulho, poderá dizer que para além de ter sido "berço da pátria" foi, também, "berço da imprensa minhota". Desde aí, muitos foram os periódicos que Guimarães teve. Uns mais importantes, outros menos. No entanto, de cerca de oito dezenas que nasceram, apenas resistiram às vicissitudes dos tempos, muito poucos. Actualmente tem Guimarães quatro periódicos que, tendo resistido às enormes dificuldades que grassam na imprensa regional e local, tem cumprido com lhaneza, dedicação e muito brilho a sua obrigação. Desde o jovem de quatro anos Povo de Guimarães ao quase secular Comércio de Guimarães, bem podemos afirmar que, com resultados satisfatórios, eles são bem dignos daquelas oito dezenas que não conseguiram superar tantas dificuldades.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Permita-se-me uma referência muito especial ao Notícias de Guimarães, que tendo celebrado as suas bodas de ouro em 11 do corrente num clima de festa, demonstrou toda a sua jovialidade empreendedora.
Constituindo os órgãos de comunicação social a grande força dos nossos dias, cabe à imprensa regional um papel preponderante, como alavanca de cultura, de educação e de progresso. Dada a sua importância na comunidade em que se inserem e a que se dirigem, os jornais regionais são bem a informação duradoira, que se projecta no tempo, que se familiariza e que se repercute no seio dos amigos. É graças à tenacidade a quem ela se dedica, de alma e coração que ela se mantém. A elas é reservada uma acção específica quer na interpenetração no seio dos conhecidos, dos vizinhos, dos amigos e dos familiares, quer na aproximação de quem bem longe da sua terra moreja e que com avidez devora as suas notícias como sendo a missiva amorosa que se aguarda e com a sofreguidão de que fica inteirado do que bem longe se passa. É-lhe também reservada a missão de desenvolver virtudes regionais, enaltecendo empreendimentos, canalizando atenções para o bem comunitário. Actualmente, quando profundas transformações sociais se avizinham, cabe-lhes esclarecer