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2346 I SÉRIE -NÚMERO 38

exclusivamente pela própria população e sem qualquer contrapartida. Derivado à procura turística de milhares de forasteiros as infra-estruturas no Algarve têm um tempo de uso muito menor e em nada o Algarve é beneficiado.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Marginalizado pela RTP, pelas diversas estruturas intermédias do poder continuamos também marginalizados pela CP.
Do que atrás resulta parecia inferir-se que o Algarve será uma província olhada pelos poderes públicos com menor benevolência o que a ser assim constitui um grave erro de perspectiva tanto mais que aquela região poderia dar -com o turismo à cabeça - um poderoso contributo para o equilíbrio das nossas finanças públicas.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Algarve é uma província tão portuguesa como o Minho ou o Douro ou qualquer outra região do País.
Mas não o entende assim a CP.
E assim se ainda não foram ao Algarve de comboio será melhor escolherem qualquer outro meio de transporte. Embora a linha de caminho de ferro ultimamente esteja a sofrer diversos melhoramentos ainda é possível ao viajar nestes comboios da linha do Algarve, recordar os bons velhos tempos em que ir de comboio a Lisboa era uma aventura recordada por muitos anos para contar à família ao serão.
Sr. Presidente. Srs. Deputados: Carruagens sem os mínimos indispensáveis, horários que não se cumprem, calor sufocante no Verão, frio no Inverno, porque habitualmente o aquecimento está avariado, fazem qualquer passageiro normal que viaje de comboio na linha do Sul, jurar que será a última vez.
De restaurantes e bares não é bom falar.
Há comboios onde o serviço de bar é prestado no compartimento normal onde se juntam grades e mais grades de bebidas, sem quaisquer possibilidades de um serviço eficaz.
Só vendo se acredita.
É simplesmente inqualificável que a primeira zona de turismo portuguesa ofereça um serviço desta qualidade que não é mau, porque é péssimo.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: O outro problema que quero hoje referenciar relaciona-se com a estrada nacional n.º 125 na zona entre Tavira e Olhão.
Estreita, perigosa, construída há 50 anos, com movimento intenso em todo o ano, sem grandes possibilidades de alargamento, pois que está praticamente ladeada de construções, ninguém conseguirá prever o que se irá passar no dia em que se construir a ponte sobre o Guadiana e não houver alternativa.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Ouve-se falar de desvios na Luz de Tavira, no Livramento, em Olhão, mas são tantos os desvios a efectuar que salvo o devido respeito pelos nossos técnicos, só uma nova estrada resolverá o problema. E será economicamente viável pois que as vidas e bens que salvará são também um capital que não pode nem deve ser desprezado.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A continuarmos assim as populações desta zona do Algarve terão de mudar o nome à estrada e em vez de estrada nacional n.º 125 terão de chamar-lhe "cemitério nacional n.º 125" entre Tavira e Olhão.

Aplausos cio PSD.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, antes de conceder a palavra ao próximo orador inscrito, convoco uma breve reunião dos líderes parlamentares, no gabinete da presidência, para dentro de um quarto de hora, afim de acertarmos pormenores relativos ao horário da discussão da moção de censura ao Governo.
Nesse sentido peço ao Sr. Vice-Presidente Tito de Morais o obséquio de me substituir na Mesa e entretanto, aproveitando a expressão de preocupações culturais e de salvaguarda do património que hoje aqui foi abundantemente tratada, desejo uma vez mais dizer que é uma grande preocupação da presidência desta Câmara a situação em que se encontra o património cultural desta Assembleia. É um património de valor incalculável nos domínios artístico e documental e tanto quanto me é dado saber a Comissão que constituímos para promover medidas adequadas à sua salvaguarda e defesa foi já convocada várias vezes e nunca teve quórum, pelo que nunca reuniu. Agradeço, pois, aos Srs. Deputados que a constituem a atenção para esse facto e a sua colaboração neste problema que nos diz directamente respeito.
Tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso.

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Acabo de ter conhecimento de um facto ocorrido ontem na Assembleia da República, que reputo de extrema gravidade e que queria levar não só ao conhecimento do Sr. Presidente, como também, por essa mesma gravidade, ao conhecimento .deste Plenário.
Alguém que vinha visitar um membro do Grupo Parlamentar da UEDS viu os seus papéis revistados, t pelas forças de segurança que controlam as entradas, e, mais do que isso, foi-lhe exigido, para poder subir a este primeiro andar, que deixasse na entrada um documento que trazia relativo à América Latina.
Penso, Sr. Presidente, que é perfeitamente intolerável, em primeiro lugar, que se revistem os papéis, e, em segundo lugar, que se façam exigências deste tipo. Por isso, solicitava, Sr. Presidente, uma rápida e imediata intervenção para pôr cobro a um estado de coisas que é totalmente inaceitável.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, é evidente que vou dar imediato seguimento à chamada de atenção e à solicitação do Sr. Deputado Lopes Cardoso. Penso que ele tem toda a razão. Vamos averiguar o que se passa.
Tem a palavra, para uma intervenção, o Sr. Deputado Oliveira e Sousa.

O Sr. Oliveira e Sousa (CDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A informação que lhes quero transmitir hoje já tinha sido preparada há algum tempo. Todavia, creio que, apesar dos atrasos devido ao agendamento desta Câmara, ela continua a ter oportunidade. Por isso não quis deixar de a trazer perante vós.
Sr. Presidente Srs. Deputados: O ordenamento regional e a rede urbana do território são problemas de