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2506 I SÉRIE - NÚMERO 60

pelo princípio da desconcentração da administração do Estado».
É o que lá está, Sr. Vice-Primeiro-Ministro!

O Orador: - Sr. Deputado, mantenho a minha posição, mas acho que não vale a pena continuarmos. Logo ou amanhã veremos os textos.

O Sr. Almeida Santos (PS): - Eu também mantenho a minha posição.

O Orador: - Quero dizer-lhe, Sr. Deputado, que não tem que estranhar a razão pela qual entendo que é estranho que o PS ainda não tenha riscado o marxismo do seu programa, porque, se, de facto, o PS quer ser alternativa, tem que arranjar mais votos e não me parece que seja com o marxismo que os arranje.
Aliás, o Partido Socialista português começa a ser hoje uma avis rara no panorama socialista europeu em matéria de marxismo. Como sabe, quase todos o tiraram do seu programa.

Uma voz do PS: - E o socialismo no vosso programa?

O Orador - O que lhe digo é que no nosso programa não vem a palavra socialismo uma única vez.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Mas vem no do PSD.

O Orador - Mas isso é outro problema e passamos adiante.
Quanto ao Sr. Deputado Marcelo Curto quero dizer, muito rapidamente, que as reformas, tal como nós as entedemos, são para ser cumpridas, não são para ficar no papel e acho que as temos cumprido na sua grande maioria.
Para que objectivos as queremos fazer? Está dito no meu discurso e não vou repetir.
Quanto à participação dos trabalhadores da função pública, eles têm sido ouvidos sistematicamente sobre todos os projectos de diploma legal que afectam a função pública e, talvez o Sr. Deputado não saiba, até têm dado o seu acordo a muitos aspectos de vários desses diplomas.
Srs. Deputados, se não me engano e para finalizar, há apenas mais uma questão para responder, que foi posta por quase todos os oradores da oposição, a que me permitiria responder em bloco e que é sobre o problema da liderança da AD.
Fui acusado de querer assumir-me como líder da AD através da intervenção que fiz e vou ser muito simples e muito claro em relação a esta questão, Srs. Deputados. É evidente que, tendo dado o meu melhor para a criação e para a vitória da Aliança Democrática e também para o êxito dos seus governos, eu teria muita honra se pudesse ser o líder da AD. Mas não sou, não pretendo sê-lo nem poderei sê-lo e nada faço para o ser, porque não tenho legitimidade democrática para isso, uma vez que não sou o líder do maior partido da Aliança Democrática.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Amândio de Azevedo.

O Sr. Amândio de Azevedo (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Estive quase para desistir do uso da palavra, mas, no entanto, quero fazer duas notas, muito breves, de esclarecimento a uma parte da intervenção do Sr. Deputado Almeida Santos.
A primeira nota é a seguinte: poderia parecer que é ao PS que se deve a resolução do problema dos retornados e penso que é justo que reconheçam que o grande esforço e a grande viagem a que se procedeu nessa matéria é devida ao PSD, através do seu representante no VI Governo Provisório.

Risos do PS.

O Partido Socialista herdou uma situação em que os problemas mais graves já estavam largamente resolvidos, com uma política definida quanto ao crédito, à habitação - e é pena que o PS tivesse depois comprometido um projecto de habitação que dava 5000 casas aos retornados - e a outras matérias.
Só tenho que prestar a minha homenagem ao Alto Comissário que sucedeu ao representante do PS no VI Governo Provisório, que entendeu que a política seguida era correcta e que se limitou a prossegui-la, afirmando-o publicamente.
Uma segunda nota: o PSD não tem de mudar uma vírgula que seja do seu programa, está inteiramente identificado com ele. O mesmo não pode dizer o PS, porque no seu programa se diz que ele é de inspiração marxista, quando antes se dizia que era de inspiração predominantemente marxista.
Reconheço que a prática do PS não tem sido essa, mas podemos continuar a falar dos programas dos partidos, porque é por ai que nós temos de nos pautar.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Pediram a palavra, para interpelar o Sr. Deputado Amândio de Azevedo, os Srs. Deputados César de Oliveira, José Luís Nunes e Almeida Santos.
Tem a palavra o Sr. Deputado César de Oliveira.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Já passaram pêlos diversos governos muitos representantes do PSD, a minha memória não é elástica nem inesgotável - apesar de eu ter boa memória -, e, por uma questão de informação, gostaria de saber quem foi o representante do PSD que resolveu os problemas dos retornados.

Risos do PS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado José Luís Nunes.

O Sr. José Luís Nunes (PS) - Prescindo, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Tem então a palavra o Sr. Deputado Almeida Santos.

O Sr. Almeida Santos (PS): - Também prescindo, Sr. Presidente.