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2516 I SÉRIE - NÚMERO 61

Enquanto o Governo papagueia o seu empenhamento no controle dos preços e no combate à especulação, avolumam-se as dificuldades no escoamento dos produtos e agrava-se o parasitismo e a permissividade nos circuitos de mercado, a par do crescente proteccionismo aos grandes industriais e comerciantes.
No ano de 1981, os preços dos produtos vegetais na produção subiram apenas 11,6% no 1.º semestre e 7,8 % no 2 º, enquanto os preços do gado no produtor registaram uma quebra superior aos 18 % em relação a igual período Entretanto, no consumido, os preços registaram um aumento médio de 24,6 %.
Os resultados desta política de comercialização e preços são evidentes os agricultores estão cada vez mais pobres, os grandes industriais, intermediários e armazenistas mais ricos, os consumidores pagam a factura da especulação.

Uma voz do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Mas, Sr. Presidente e Srs Deputados, a política antiagrícola da AD vai desgraçadamente bem mais longe.
Tentam roubar de novo, como no tempo do fascismo, os baldios as comunidades.
Em matéria de apoio aos produtores florestais nada fazem O escoamento das madeiras está longe de satisfazer e os preços da madeira são de ruína.
Em matéria de florestação prevalecem os interesses das multinacionais das celuloses Casos como os já por nos denunciados da CELBI e da Caima, aos quais o Governo não deu qualquer resposta, bem come a eucaliptização das áreas florestais ardidas nomeadamente no concelho de Abrantes, são provas por de mais evidentes.
Os recursos hídricos continuam a perder-se por adiamentos sucessivos ou arrastamentos incompreensíveis de empreendimentos hidroagrícolas, de que resultam inclusive, ameaças de perda dos financiamentos externos.
Em matéria de créditos, estes são cada vez mais dificultados e mais caros para os pequenos e médios agricultores e Cooperativas. Há processos de financiamento entrados no IFADAP há cerca de um ano e mais, sem merecerem quaisquer respostas O credito de campanha foi agrado de 13,25% para 15%, o credito a 90 e 180 dias paia o melão e vinha e incrivelmente elevado, tornando-se em 19,25 % e 21,5 %, que e quanto estes créditos custam aos agricultores, verdadeiramente insuportáveis.
Quanto ao chamado crédito PROCALTER, nada.
Agrava-se de novo D situação dos rendeiros e seareiros, quer pelo recrudescimento dos despejos ilegais, quer pelo agravamento das rendas, que chegam a atingir para o regadio valores da ordem dos 40 contos.
Os celebres projectos leiteiros de Entre Douro e Minho e da Beira Litoral excluem o distrito de Viseu, bem como os produtores com menos de 4 ha e 10 vacas, o que significa a marginalização de 77,7 % das explorações leiteiras, ou seja, cerca de 600 000.
Entretanto, e no autêntico jogo do diz que da, mas não da, o Governo, por um lado, aumenta o paço do leite na produção em 2$ o litro, mas, por outro lado. passou a exigir um teor butiroso de 3,4, o que significa, na pratica, que o aumento se fica pelos 90.
O contrabando de gado, que antes era de tora para dentro, conhece agora uma variante - passou a ser de dentro para fora. saindo do País milhares de bovinos jovens.
O subsidio do gasóleo do passado ano agrícola terá começado a sei pago as pinguinhas, e tudo indica que para o presente ano agrícola não há mais Acaba-se o subsidio.
A batata, que no ano passado começou por ser paga entre os 3S50 e es 5$, arruinando milhares de agricultores, acabou por ser tabelada a 13$, quando o produto já estava «todinho» na mão dos intermediários e armazenistas.
O açambarcamento e a importação jogaram de mãos dadas. E o Zé-Povinho vai de pagar a batata a vinte, vinte e cinco e mais escudos o quilograma.

O Sr Joaquim Miranda (PCP) - É um escândalo!

O Orador: - Para este ano, a Junta Nacional das Frutas assegura a intervenção na batata com preços «extraordinários» entre os 6$ e os 8$ o quilograma, ou seja, mais 850 me no ano passado.
Com o comprometimento da AD e da CAP e também do Sr. ex-Ministro António Barreto, metidos no esquema ate aos cabelos, a falência da Federação das Adegas Cooperativas da Estremadura deixa atrás de si um rol de ilegalidades e de dívidas de dezenas de milhares de contos aos produtores O mesmo se passa com a GEAL e outras indústrias agro-alimentares.
Aquilo que os armazenistas e mixordeiros não pagaram desde há 12 anos pretende agora a Junta Nacional dos Vinhos, dirigida pelo presidente da CAP, cobrar aos agricultores, ou seja, as taxas do vinho de há uma dúzia de anos para cá.
No final de 1981, o Estado devia à lavoura, entre outras importâncias 725000 contos de gasóleo, 96000 contos de fenos e silagen», 613000 contos de tomate paia concentrado, 47 000 contos de batata-semente, 25 000 contos de subsidio da castanha, 100 000 contos, só referentes a batata, as Cooperativas do Nordeste Transmontano e, referentes ao mesmo produto, 22000 contos aos produtores de Chaves e 5000 contos aos produtores do concelho de Pinhel. Boa parte destas dividas remonta a 1980.

O Sr. Manuel Lopes (PCP) - É um escândalo!

O Orador: - Entretanto, com pensões e reformas de miséria, os nossos camponeses, vergados pela doença e pela idade, vão vendo os jovens a desaparecer dos campos e as terras a ficar incultas.
É esta a situação resultante de uma política que trava o crescimento do investimento económico e o avanço tecnológico e que acentua a descapitalização do sector primário.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - É este governo, e esta AD, que vão lançando na mina milhares de agricultores e que, ao mesmo tempo, justificam a sua política em nome dos interesses daqueles que vão arrastando para a miséria.

Vozes do PCP: - Muito bem!