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3084 I SÉRIE - NÚMERO 74

tematicamente para tentarem mostrar que têm alguma força: a força de virem repetindo palavras sem sentido.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Mário Tomé.

O Sr. Mário Tomé (UDP): - Aproveito a intervenção da Sr.ª Deputada Zita Seabra para me solidarizar com a luta dos trabalhadores da Fábrica de Louça de Sacavém ...

Risos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Que grave problema constitucional!

O Orador: - ... e para protestar, mais uma vez, nesta Câmara, contra a brutalidade das forças repressivas ao serviço deste governo, que tem de ser derrubado, e ao serviço directo dos administradores e do grande patronato.
O que se passa na Fábrica de Louça de Sacavém é intolerável para os trabalhadores: são sucessivos processos disciplinares - cerca de 53 -, é a repressão sobre os delegados sindicais, é a descapitalização da empresa, ao desviarem-se os seus capitais para uma outra empresa com novas características de laboração, onde os contratos a prazo são a regra, levando certamente ao despedimento de famílias inteiras que hoje trabalham na Fábrica de Louça de Sacavém.
Esta situação é intolerável; a luta dos trabalhadores é justa, é apoiada pela maioria dos trabalhadores portugueses e tem de ter uma solução, que será encontrada na luta dos trabalhadores da Fábrica de Louça de Sacavém, de todos os trabalhadores deste país, e passará, com certeza, pela derrota da administração daquela Fábrica e pelo derrube deste governo.

O Sr. Presidente: - Sr.ª Deputada Zita Seabra, há intervenções que a Mesa tem muita dificuldade em qualificar. Quando se concede a palavra, presume-se que seja para pedidos de esclarecimentos, pois os Srs. Deputados apenas podem usar da palavra para esse efeito. Verifica-se depois que há intervenções que não são facilmente enquadráveis nesta figura.
Feita esta observação, que me parecia dever ser feita, dou a palavra à Sr.ª Deputada Zita Seabra para responder.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Em relação ao Sr. Deputado José Gama, que fez aqui um elogio ao acto provocatório efectuado pelo seu partido em relação ao povo da República Popular de Angola, ...

Protestos do CDS.

... queria proferir algumas palavras.
É inegavelmente uma provocação, feita por um partido que neste momento tem a responsabilidade de ser partido governamental, e é uma provocação em dois sentidos, e foi isso que denunciei na minha intervenção: é uma provocação interna porque é feita nas vésperas da partida do Sr. Presidente da República para Angola e quando, pela primeira vez, um chefe de Estado português visita aquele país.
O CDS teve um ligeiro toque de consciência ao atrasar uns dias o processo, porque estava previsto coincidir exactamente com o dia em que o Sr. Presidente da República ia partir para a República Popular de Angola.

Vozes de protesto do CDS.

É, pois, uma provocação do ponto de vista externo às relações de amizade e de cooperação entre o povo português e o povo angolano, mas é também, do ponto de vista nacional, uma provocação interna o choque que os senhores procuram continuar a provocar entre órgãos de soberania, nomeadamente com o Sr. Presidente da República.
Com toda a clareza, é isto! O resto, Sr. Deputado, é uma perfeita treta: é uma negociação vossa.
E o Sr. Deputado não disse de quem é que estavam presos esses tais prisioneiros que diz ter libertado. Estavam presos de quem? Dos provocadores da UNITA? Não, Sr. Deputado! Era das tropas da África do Sul.

Vozes do CDS: - Eh!...

A Oradora: - Trata-se de uma negociação entre os ex-Pides, o CDS e as tropas da África do Sul, que, desde sempre, têm dito estarem em território angolano. E o que os senhores fizeram foi, num país que está a sofrer uma incursão no seu território, num país que é soberano e que está a sofrer uma agressão condenada internacionalmente, ir negociar, ir cozinhar uma provocação, exactamente com aqueles que estão a agredir o povo angolano.
Isto, Sr. Deputado, tem de ser aqui claramente denunciado; isto não tem nada a ver com a liberdade, até porque a palavra «liberdade», na boca do CDS, queima!

Aplausos do PCP.

Protestos do CDS.

Sr. Deputado, se este não fosse um assunto sério, dava-me imensa vontade de rir.
Na verdade, olhar para o passado de alguns Srs. Deputados que se encontram sentados nessa bancada - e até para o presente, para o que fazem aos trabalhadores de empresas onde são administradores - dá grande vontade de rir.
Isso é tão claro e o seu discurso é tão genuinamente reaccionário que não merece da minha parte mais qualquer espécie de consideração.
Relativamente às palavras do Sr. Deputado Fernando Condesso, devo dizer que é um facto inegável o de que os dirigentes da AD, nomeadamente os seus dirigentes máximos - o Sr. Vice-Primeiro-Ministro, Freitas do Amaral, e o Sr. Primeiro-Ministro, Pinto Balsemão-, declararam na televisão que não estavam preparados e que não dispunham dos respectivos dossiers para travarem um debate de política geral.
É extremamente curioso como é que o Primeiro-Ministro e o Vice-Primeiro-Ministro deste país não estão preparados para travarem um debate de política geral, para o qual tinham sido expressamente convocados os líderes dos partidos da oposição, e, ao chegarem lá, quiseram, única e exclusivamente, transformar o debate numa questão de revisão constitucional.
Quando o Sr. Deputado me diz que ouviu, da parte do Sr. Secretário-Geral do meu partido, a cassette habitual,