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16 DE ABRIL DE 1982 3085

devo dizer-lhe que o líder do seu partido nem a cassette sabe. Ao menos ensinem-lhe a cassette!

Risos e aplausos do PCP e do Sr. Deputado Raúl Rego (PS).

Sr. Deputado, se há qualquer coisa resultante daquele debate, digo-lhe isto: na verdade, o Pais ficou encantado com a subtileza do Primeiro-Ministro, com a forma hábil como falava, com o à-vontade com que estava, enfim, com a sua fluência de palavra, com as ideias que expunha!
Isto é hoje um dado adquirido, e dir-lhe-ei que só por isso valeu a pena aquele debate, mesmo tendo versado só sobre a revisão constítucional.
Dou-lhe, pois, um conselho muito sério, Sr. Deputado: ao menos ensinem ao vosso primeiro-ministro a cassette, para ver se aquilo passa a ir melhorzinho e se não dá aquele triste espectáculo ao País.

Aplausos do PCP.

Protestos do PSD.

Entretanto, Sr. Deputado, nós acompanharemos com muito interesse as explicações que o Sr. Ministro Ângelo Correia aqui virá dar aquando do respectivo debate. Agora, uma coisa está clara para toda a gente e para todo o País: é que o Sr. Ministro chegou aqui e mentiu, dizendo claramente que era falso ter cá estado em Portugal o n.º 2 ou o n.º 3 da polícia espanhola; os Srs. Deputados do PSD gritaram em coro «é falso» - os Srs. Deputados gritaram ingenuamente, e por isso desculpo-vos, mas ao Sr. Ministro não. É que das duas uma: ou o Sr. Ministro estava a gozar com esta Assembleia, porque o que ele queria dizer é que não era o n.º 2 ou o n.º 3, mas talvez o n.º 4 -e com esta Assembleia não se pode brincar, porque nós não admitimos que venham para aqui ministros brincar com os deputados que foram eleitos pelo povo-, ou ele estava a mentir descaradamente, e isso também não é aceitável.
E não é só connosco, partidos da oposição, que o Sr. Ministro está a brincar, é também com os Srs. Deputados, e eu espero que, pelo menos, lhes doa a consciência de terem gritado em coro «é falso» e de terem aqui apoiado as declarações que o Ministro Ângelo Correia fez ao negar uma coisa evidente e que, agora, ao terem os factos à frente da mesa, vejam quem vos mentiu. Não foi só a nós, partidos da oposição, que o Sr. Ministro mentiu; foi a este órgão de soberania, a cada um dos seus deputados e mesmo àqueles que o apoiam.
Por último, faço uma referência à questão que me foi colocada pelo Sr. Deputado Mário Tomé, que agradeço, a qual, na verdade, não posso deixar de passar sem um comentário: é lamentável que aqui, na Assembleia da República, quando trabalhadores de uma fábrica, como é o caso da Fábrica de Louça de Sacavém, que têm tido uma luta exemplar e que tem lá tido a GNR a mando do Sr. Ministro da Administração Interna, só porque estão em defesa dos seus postos de trabalho e do seu direito ao trabalho, haja deputados nesta Câmara que se riam quando esta questão è aqui posta.
Essa virtude é, na verdade, de um desprezo e de uma vergonha total perante o que é o povo português e o que são os trabalhadores
Nós iremos hoje à Fábrica de Louça de Sacavém com outros deputados desta Câmara e não deixaremos de lá referir a gargalhada que os Srs. Deputados da maioria
aqui soltaram quando aqui se falou nos problemas e na luta que com tanto sacrifício eles travam.

Aplausos do PCP, da UEDS, do MDP/CDE, da UDP e do Sr. Deputado Carlos Lage (PS).

O Sr. Jorge Sampaio (PS): - Sr. Presidente, peço a palavra.

O Sr. Presidentes - Pode dizer-me para que efeito e ao abrigo de que disposição regimental?

O Sr. Jorge Sampaio (PS): - Com todo o respeito, esse é um problema de V. Ex.ª.

O Sr. Presidente! - Não é, não, Sr. Deputado! Quando o Sr. Deputado pede a palavra, tem de invocar o regimento e dizer para que efeito a pretende usar.

O Sr. Jorge Sampaio (PS): - Eu pedia a V. Ex.ª um pouco de calma.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Sr. Jorge Sampaio (PS): - Eu pedi a palavra já há muito tempo, logo a seguir ao Sr. Deputado José Gama ter proferido a alocução que proferiu, para protestar, englobando nesta fórmula o direito de defesa do meu partido em relação a algumas expressões que o Sr. Deputado José Gama proferiu.
Esse meu pedido de palavra foi, pelo menos, notada pela Sr.ª Secretária Maria José Sampaio, que me fez o assentimento desse facto.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, está tudo certo menos as suas insinuações.
A Mesa registou o seu pedido de palavra, não está nervosa, está a exercer os seus deveres, ...

O Sr. Jorge Sampaio (PS): - Ainda bem, Sr. Presidente!

O Sr. Presidente: - ... aguardou que os Srs. Deputados interpelassem a Sr.ª Deputada Zita Seabra e que ela respondesse, e imediatamente a seguir perguntou ao Sr. Deputado, como é seu. dever, para que efeito pretendia a palavra.
O Sr. Deputado acaba de dizer que pretende formular um protesto em relação a afirmações proferidas pelo Sr. Deputado José Gama, e a Mesa não tem dúvida em dar-lhe a palavra para esse efeito, porque há uma relação directa entre as suas afirmações e aquilo que o Sr. Deputado considera ter ofendido a honra do Partido Socialista.

O Sr. Jorge Sampaio (PS): - Estou-lhe muito agradecido, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Entretanto, agradeço que aguarde um momento, porque entendo que devo perguntar a outros Srs. Deputados que se inscreveram para que efeito pretendem usar da palavra.
Sr. Deputado Lopes Cardoso, para que efeito pediu a palavra?

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - Neste momento, pedia a palavra para interpelar a Mesa.