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3600 I SÉRIE - NÚMERO 87

pelo trágico terramoto de 1980, visitando os sinistrados, distribuindo esmolas e consolando a todos na sua situação de desgraça e de tristeza; fala com operários e homens de modesta condição, tanto quanto com intelectuais, ou com políticos e homens de Estado.
O seu magistério não se confina, assim, ao papel de primeiro doutor da Igreja, citando urbi et orbi, a palavra da fé ou do pensamento social segundo a visão e os ditames da Igreja.
Neste aspecto, porém, é o seu pontificado igualmente profíquo.
Além dos inúmeros discursos, mensagens, alocuções sobre os temas mais diversos, sobressaem do seu discurso humano a preocupação pela dignidade e direitos do Homem, na sua carta programática Redemptor Hominis; a sua atenção à Família, bloqueada por ideologias e por situações sociais gravíssimas, que lhe roubam boa parte da esperança e do futuro, na Exortação Pastoral Familiaris Consortio. e, principalmente, a defesa intransigente do trabalhador, vítima tantas vezes de instrumentalização ou mesmo de exploração, na Encíclica Laborem Excercens.
É nesta encíclica que o Papa João Paulo II tem a ousadia de afirmar que:
O trabalho é para homem e não o homem para o trabalho;
A propriedade privada é um direito, mas um direito relativo, porque está sujeita, ao bem comum;
A solidariedade dos trabalhadores e com os trabalhadores é indissociável, na construção de qualquer sociedade livre.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: É incontestável o amor de João Paulo II à Humanidade.
A visita que nos faz é uma prova de amor a Portugal.

Aplausos do PSD, CDS, PPM, ASDI e do PS.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, queria chamar a atenção dos Srs. Deputados para o facto de que há 5 declarações políticas previstas para hoje. Como o tempo é escasso, pedia a concisão possível em intervenções subsequentes às declarações políticas.
Tem a palavra o Sr. Deputado Portugal da Fonseca.

O Sr. Portugal da Fonseca (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Muito brevemente, precisamente porque o tempo é escasso.
Para dizer que o PSD também se congratula enormemente com a vinda do Papa a Portugal, precisamente por ele nos trazer a sua mensagem de Paz, de Humildade e de Justiça.
O Sr. Deputado Vilhena de Carvalho, da ASDI, levantou o problema que ele é o mais humilde entre os humildes, o mais humano entre os humanos. Estamos absolutamente de acordo com essa humanidade, com esse vigor de justiça, com essa caridade, com essa lição formidável de espiritualismo e humanismo que o representante da Igreja Católica vem trazer a Portugal.
Se o Mundo contemporâneo vive em convulsão, nós, que queremos a paz .e estamos com o Papa, estamos com os portugueses que nesta hora caminham a pé, com sacrifício e amor, juntando-se à prece a Deus para que o Mundo tenha paz, para que Portugal viva em paz, para que todos os homens, sejam mais homens, para que a justiça reine no Mundo.
Também nesse sentido proporemos amanhã a esta Câmara um voto de congratulação pela vinda do Santo Padre a Portugal. Nesse voto exprimiremos sinceramente os sentimentos da bancada do PSD.

Aplausos do PSD, do PS, do CDS, do PPM e da ASDI.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Lage.

O Sr. Carlos Lage (PS): -Sr. Presidente Srs. Deputados: A declaração do Sr. Deputado Vilhena de Carvalho, pelo seu teor e pela sua natureza, não podia deixar de motivar também algumas palavras do Grupo Parlamentar Socialista.
Nós, socialistas, respeitamos todas as convicções religiosas e todas as crenças religiosas, sobretudo quando, como a Cristã, se inspiram nos mais altos valores da fraternidade, do amor ao próximo e da paz. Consideramo-nos honrados pela visita a Portugal de sua Santidade o Papa João Paulo II, o mais alto representante da Igreja Católica e, por conseguinte, encarnando os valores cristãos que muitos de nós, socialistas, perfilham e outros que, não os perfilhando nem os partilhando, os respeitam profundamente. Consideramo-nos honrados, assim, com a visita de Sua Santidade e com a sua presença, tendo a certeza de que a sua viagem a este velho país, renovado pela revolução democrática do 25 de Abril, tem agora mais condições para; o êxito e para uma plenitude do que aquelas que existiam antes do 25 de Abril.
Num mundo onde os conflitos proliferam, num mundo em que recrudescem as ameaças à paz, não podemos também deixar de sublinhar em Sua Santidade o Papa um autêntico embaixador e um paladino da paz.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Saudamos também em João Paulo II o aumento de interesse pelas lutas das classes trabalhadoras e pela libertação do homem trabalhador, pela dignificação do seu trabalho e por uma maior justiça social. Esperamos, assim, que a visita de Sua Santidade seja para todos os portugueses um momento de meditação, um momento de espiritualidade, um momento de solidariedade, e que constitua, por conseguinte, um estímulo para a elevação dos valores morais, espirituais e religiosos.

Aplausos do PS, do PSD, do CDS, do PPM e da ASDI.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Robalo.

O Sr. Carlos Robalo (CDS): - Sr. Presidente Srs. Deputados: Muito brevemente, ainda que o Grupo Parlamentar do CDS vá fazer uma declaração política sobre o mesmo tema, não podemos deixar passar a declaração do representante da ASDI, Sr. Deputado Vilhena de Carvalho, sem o apoio, sem uma felicitação, referindo bem claro o quanto o pontificado de João Paulo II merece já.
Daí a nossa adesão e a nossa felicitação pela intervenção política com o apoio total da mesma, indepen-