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11 DE MAIO DE 1982 3605

O Orador: - Mas o governo AD, numa nova manifestação de ódio classista, foi responsável pelos mais graves acontecimentos até hoje verificados desde o 1.º de Maio de 1974. Promovendo e instigando a actuação da polícia de intervenção, mandou agredir selvaticamente os trabalhadores e a população na Baixa portuense, traduzida em mais de uma centena de feridos, numa dezena de baleados e em 2 mortos, Pedro Manuel Vieira, operário têxtil, de 24 anos, e Mário Emílio Gonçalves, de 17 anos.

A Sr.ª Alda Nogueira (PCP): - Assassinos!

O Orador: - Quando o meu camarada Carlos Brito aqui produziu uma declaração política sobre os acontecimentos, descrevendo a violência da polícia, houve um aparte de um ferrenho deputado governamentalista que expressou bem os conceitos do seu governo. Dizia ele então, irónico, que estava quase a chorar. Não é apenas a frieza de sentimentos e indiferença de alguns pelos mais elementares dos direitos humanos.
O cerne da questão é o facto de o governo da AD não suportar o exercício, no quadro do regime democrático-constitucional, dos direitos e das liberdades usados pelos trabalhadores. No Porto usou a violência brutal, a intimidação e o terror, numa grande operação previamente montada para tentar institucionalizar as proibições nos sítios mais apropriados e mais tradicionais das grandes; iniciativas do movimento sindical unitário.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Muito bem!

O Orador: - Esta grande operação não resultou. Apesar dos meios usados nesta acção terrorista, cerca de 100 000 trabalhadores do Porto comemoraram o 1.º de Maio no local onde sempre o fizeram, consagrando uma grande derrota política da AD e uma grande vitória política dos trabalhadores, da sua central sindical e do regime democrático português.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

Mas o que é espantoso é a atitude do Governo e dos seus apoiantes. Mal saíram de uma histeria e já estão a entrar noutra. Perante a declaração da greve geral para amanhã, o Governo, alguns jornais reaccionários e a bancada do CDS (e parece que também, agora, o Sr. Deputado Rui Amaral) montaram a cabala de que esta acção dos trabalhadores visa prejudicar a visita do Papa a Portugal.
É uma caluniosa invenção lançada para confundir a opinião pública e particularmente os trabalhadores católicos.
A marcação da data, tal como já foi explicado pelo movimento sindical, resultou da irreprimível onda de indignação e revolta provocada pelos graves acontecimentos no Porto. Após os plenários deliberativos havia que respeitar os imperativos legais do pré-aviso de greve, que nalguns casos exigem a antecedência de cinco dias. Mas aquilo que melhor serve para desmascarar a cabala da AD é o facto de a CGTP, através dos seus sindicatos, ter garantido o transporte para os peregrinos, assim como os sindicatos de hotelaria de garantirem as refeições aos que estejam em trânsito para Fátima.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

Esta prova de respeito pela crença e pela prática do culto demonstram um sentido de tolerância e de convivência social que na opinião do PCP se devem manter, consolidar e desenvolver. A entrevista concedida pelo Sr. Cardeal António Ribeiro à CGTP, a pedido da central sindical, tem neste quadro um relevante significado.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Quem se recordar destes anos de governação AD e estudar atentamente as suas posições e atitudes em todas as lutas que os trabalhadores portugueses têm travado chegaria a esta conclusão preocupante: nenhuma manifestação, nenhuma greve, nenhuma forma de luta legal que tenha sido desencadeada pelos trabalhadores mereceu outra resposta da AD que não fosse a repressão, a calúnia e o invencionismo. Estejam em causa objectivos concretos, lute-se pela defesa da democracia, a palavra da ordem da AD é sempre a mesma: o confronto e a violência. Não o faz por ignorância. Fá-lo porque não suporta a democracia. Fá-lo porque reconhece no movimento dos trabalhadores o obstáculo mais forte que a impede de destruir as transformações sociais, económicas, políticas e culturais que o nosso povo conquistou e materializou depois do 25 de Abril de 1974.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Muito bem!

O Orador: - Desde a intenção dei promulgar leis antioperárias para o mundo laboral até à aplicação, hoje mesmo verificada, do pacote para a função pública; desde os despedimentos na Standard Eléctrica à repressão na fábrica da loiça; desde a destruição da? UCP e cooperativas à destruição na SNAPA nacionalizada; desde a histeria de violência na greve geral do dia 12 de Fevereiro à histeria sanguinária e terrorista da noite de 30 de Abril e madrugada do l.º de Maio, no Porto, existe um fio condutor que põe a nu a filosofia política e social da AD: não sabe, não quer, não pode viver em democracia, porque a sua missão é restaurar os privilégios dos monopolistas e dos latifundiários, esvaziando de sentido a Constituição e as realidades de Abril.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

Perante as suas derrotas consecutivas quando enfrenta a luta popular, deita mão de todos os esquemas e métodos para se aguentar no poder na mira de conseguir concretizar os ganhos que está a ter no processo da revisão constitucional.
Nas vésperas de uma nova greve geral é importante reafirmar que se os trabalhadores lutam contra alguém e por alguma coisa: é contra a política antioperária, antipopular, e antinacional do governo AD; é pela resolução dos grandes problemas nacionais, pela defesa dos seus direitos e dos seus interesses na procura constante de reconduzir Portugal aos caminhos de Abril.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Embora sem grande campo de manobra, a campanha da AD contra a greve geral de amanhã já começou. O Ministro da Administração Interna, Ângelo Correia, é um caso típico da pessoa que, apesar das suas limitações, em matéria de provocação, pode ser tão perigoso como qualquer reaccionário inteligente. Se ele não