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3706 I SÉRIE-NÚMERO 89

desempenhar o seu papel de apoio à política do patronato no seio dos trabalhadores sustentando a UGT, onde ensaia o «bloco central» e demonstra o que seria a política saída de um acordo PS/PSD.
Com o acordo para a revisão reaccionária da Constituição que celebrou com a AD, e não tomando quaisquer medidas práticas para derrubar o Governo, a linguagem da esquerda por vezes utilizada pelos dirigentes do PS não é mais do que uma capa para tentarem encobrir, pressionados pela luta dos trabalhadores, a sua prática cada vez mais direitista.
O Governo enfraquecido, sem crédito, isolado, odiado pelos trabalhadores, evidenciando cada vez mais o seu carácter fascizante, nesta Greve Geral de 11 de Maio foi obrigado a jogar na defensiva e à truculência e desvario fascistas de 12 de Fevereiro optou, desta feita, pelo distanciamento, pela sobranceria e por uma aparente tranquilidade.
À ostentação da força bruta preferiu os polícias à paisana, a vigilância Pidesca, a sornice dos chefes dialogantes.
Teve a direcção da UGT e os seus provocadores, para fazerem o papel de Ângelo Correia, para caluniarem os grevistas e exigirem e espancamentos. De maneira civilizada pois claro. Torres Couto preconiza carros de água e balas de borracha. Mais inteligente, mais brando mas com a mesma finalidade: defender o capital e atacar os trabalhadores.
Os trabalhadores que ainda acreditam no sindicalismo pré-patronal da UGT, devem meditar sobretudo no apelo direito o que os seus dirigentes fizeram ao Governo para lançar as polícias contra os piquetes, criticando o Governo por falta de medidas. Para a UGT, portanto, o governo AD e demasiado brando e complacente! ...
A tentativa de assassinato de membros dos piquetes por um fura-greves em Cabo Ruivo, é o resultado directo da acção dos traidores em aliança com o Governo, a polícia e o patronato.
Entretanto a CIP exige a revisão da Lei da Greve. Rodeio político a que os grandes capitalistas acedem, mas sem perderem a oportunidade para pôr as suas reivindicações em termos práticos.
Que o digam os milhares de trabalhadores ameaçados de represálias pela adesão à greve geral...
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Mas nem tudo foram espinhos, na semana que passou.
O Papa João Paulo II veio abençoar os Portugueses.
Veio falar aos homens do campo, aos operários, às mulheres, aos jovens, aos estudantes.
Veio pacificar a nossa turbulenta sociedade, juntar milhões, para lhes dizer que o caminho está no Evangelho, devemos todos tornar-nos testemunhas e, como a UDP havia «profetizado», a essência política dos seus discursos não foi além das banalidades que poderiamos ouvir a qualquer político mais temperado da AD ou que poderiam servir de introdução ao projecto de revisão constitucional da AD. Nem latifúndios nem colectivismos, tudo tem direito ao salário justo, as mulheres devem responder ao apelo do lar e dos filhos, o materialismo é o grande mal da civilização, etc.
Reconhecendo os direitos por que os trabalhadores há muito se batem, sofrem e morrem, o Papa mais não fez do que abrir caminho para a sua mensagem
fundamental: o apelo ao sacerdócio, ao reforço das estruturas debilitadas da Igreja.

O Sr. Luís Coimbra (PPM): - És um palhaço!

O Orador: - Quando milhões de portugueses lutam contra a miséria, contra a repressão, João Paulo II apoia o caminho: Ide, sede testemunhas e salvareis o mundo.
Mas o mais notório da visita Papal foi, de facto, a unidade de todos os partidos do regime em torno do «instinto de sobrevivência deste mundo carcomido, a cair de podre, ajudando a escorar o pilar cambaleante da Igreja» no dizer perfeito de Francisco Martins, na sua coluna do semanário Lm Marcha.
E lá estiveram «perfilados em recolhimento os adversários irreconciliáveis (?) desde Freitas do Amaral a Álvaro Cunhal, para o beija-mão da Santidade, a dar o exemplo de obediência», no dizer, ainda, de Francisco Martins.
A greve geral a reboque da visita Papal, delineando-se claramente a tentativa de isolamento da classe operária e dos seus sectores mais avançados.
Grande, enorme, vai a crise, Sr. Presidente e Srs. Deputados!
Numa altura em que os avanços da ciência haviam já posto em causa, de forma definitiva, os dogmas místicos da Igreja, em que a própria cultura burguesa havia já deixado para trás o obscurantismo religioso, eis que de novo todos ficam suspensos dos segredos de Fátima, da conversão da Rússia e, agora, da salvação da Polónia!
Mas a crise é grande, o capitalismo não encontra outros caminhos do que os do aumento da produtividade, do aprofundar da concorrência, do desemprego, do tecto salarial, da repressão e da guerra
E para isto, os trabalhadores só vêem uma saída, a sua unidade, a sua luta, a crença na sua imensa força, a esperança nos caminhos de Abril.
E de novo os trabalhadores da Petroquímica vêm à luta, mais firme e radical.
As contas do Governo não são as suas. Tanto pior.
As 2 greves gerais, distanciadas de apenas 3 meses, mostram que os operários estão decididos a vencer.
A derrubar este governo, não se deixando ficar nas ilusões em Eanes que já mostrou sobejamente o que quer. Estão decididos a isolar as direcções reformistas e a encontrar uma política independente que os leve à vitória.
O Governo e a AD estão em crise declarada. A AD entrou na fase da procura de alternativas ao seu próprio projecto. As forças mais reaccionárias do nosso país, continuam a apostar no governo AD que procura aguentar-se no poder através da repressão contra os trabalhadores, do obscurantismo, dos ataques às conquistas de Abril, de algumas medidas eleitoralistas e, sobretudo, com a transformação das eleições autárquicas numa burla, para o que conta especialmente com o actual pacote eleitoral e a manipulação da comunicação social.
O Governo terá de ser derrubado quanto antes, antes das eleições autárquicas.

A UDP dará o seu contributo.