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3710 I SÉRIE-NÚMERO 89

de Estado iam resolver a situação. Primeiro era preciso inventariar a situação e foi isso que foi feito. Agora o Governo desloca-se ao local para ver e para confirmar os dados que lhes são remetidos e, com certeza, as medidas serão tomadas de imediato.

O Sr. Presidente: - Para um contraprotesto, tem a palavra o Sr. Deputado Chaves Medeiros.

O Sr. Chaves Medeiros (PS): - O Sr. Deputado deu-me agora uma novidade que eu não sabia: o Governo foi ao campo por telex e por aí resolveu a situação.
Sr. Deputado, há 15 dias que o acidente se deu, há 15 dias que a geada destruiu as culturas e há 15 dias que se está a fazer o inventário. É um inventário de tal maneira complicado que só por telex é que pode ter a solução! ...

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Quanto ao seguro, o Sr. Deputado diz que os agricultores estão conscientes que devem fazer o seguro. O Sr. Deputado tem, certamente, as estatísticas e sabe que nem 3 % dos agricultores fazem o seguro das colheitas. Portanto, aquilo que o Sr. Deputado está a querer fazer é a defesa de uma coisa que é indefensável: a atitude do Governo, que demonstra o desprezo que ele tem pelos agricultores deste país.

Aplausos do PS e da UEDS.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Lemos Damião.

Pausa.

Como não está presente, tem a palavra o Sr. Deputado Miranda Calha.

O Sr. Carlos Lage (PS): - Sr. Presidente, inscrevemos em vez do Sr. Deputado Miranda Calha, o Sr. Deputado Mata Cáceres.

O Sr. Presidente: - Tem então a palavra, para uma intervenção, o Sr. Deputado Mala Cáceres.
Entretanto, o Sr. Deputado Sousa Tavares pede a palavra para que efeito?

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Sr. Presidente, queria substituir a inscrição do Sr. Deputado Lemos Damião por outro deputado do meu partido.
Não sei se isso é regimental ou não.

O Sr. Presidente: - Pode fazê-lo, Sr. Deputado.
Mas já agora que tinha dado a palavra ao Sr. Deputado Mata Cáceres, o deputado do seu partido intervirá a seguir.
Faz favor, Sr. Deputado Mata Cáceres.

O Sr. Mata Cáceres (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Temos hoje consciência de vivermos num mundo finito, em que os recursos não são inesgotáveis, podendo mesmo vir a terminar.
As causas desse eventual esgotamento são, como todos sabemos, o crescimento demográfico, o super-consumo e a degradação da Natureza que, um pouco por toda a parte, vem praticando-se.
Perante este cataclismo, que pode vir a abater-se sobre a Humanidade, responsáveis políticos e técnicos de todo o mundo começam a manifestar preocupações concretas e tentam encontrar uma saída para este flagelo, que já se perfila no horizonte das nossas vidas com uma potencialidade ameaçadora de consequências imprevisíveis. Muitas soluções se apresentam, aceitáveis umas, de rejeitar outras, pois mais não visam do que perpetuar um statu quo com os países ricos de um lado e os subdesenvolvidos do outro.
Mas se as 3 causas anteriormente enumeradas são, de facto, as responsáveis por um quotidiano já pouco acolhedor e, certamente, por um amanhã carregado de incertezas e de dificuldades, podemos perguntarmo-nos porque encontram tais factores condições para o seu pleno desenvolvimento, sem que a marcha para o abismo seja invertida. Não andaremos longe da verdade se apontarmos os regimes políticos, com os modelos de organização económica que perfilham, como os motivadores principais e primeiros de um tal estado de coisas.
De facto, o conservadorismo político, propiciador de governos retrógrados sob o ponto de vista económico, defensores da exploração e contemporizadores perante a opressão, mais não fazem do que incentivar um quadro político-económico em que predominam a irracionalidade da produção, a desigualdade da distribuição e os desperdícios do consumo.
O sistema capitalista, submetendo a empresa apenas à regra da rendabilidade, fomenta o sobreconsumo, o desperdício, a degradação, comprometendo o património natural comum, corrompendo a atmosfera, inquinando os mares e alterando, inclusive, o clima.
Para tudo isto, a organização económica do mundo actual dispõe de uma legião de contabilistas, de peritos financeiros e de técnicos de planeamento mas, curiosamente, é no seio desta «ordem meticulosamente estabelecida» que começamos a perspectivar um futuro pouco tranquilizador.
Ou contam mal e planeiam pior, ou o seu trabalho visa apenas o bem-estar de alguns poucos privilegiados.
Num panorama de tamanha gravidade, que vamos fazer?
Deixar que as coisas prossigam neste caminho, nada mais nos restaria senão «aguardar que a morte acertasse as contas com a Natureza».
Não nos parece, porém, ser esta a atitude mais concreta do homem do nosso século.
Há, pois, que empreender e conjugar esforços no sentido de alterar radicalmente uma tal situação, que poderíamos designar já como de pré-rotura com um quotidiano saudável e possível, que é tão necessário como desejável.
Face às dificuldades que se vislumbram, não falta quem procure «bodes expiatórios», sendo o aumento populacional, com frequência, o acusado.
Deve reconhecer-se, contudo, que a responsabilidade é mais do desenvolvimento económico anárquico e da sociedade de consumo que lhe está intrinsecamente ligada, do que do acréscimo de população.
A estacionariedade e a diminuição demográficas são as vias dos conservadores, com todo o seu rol de nefastas consequências, não só no domínio político mas também no económico e social.
É este modelo de organização económica e esta sociedade de consumo -de mau e exagerado con-