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21 DE MAIO DE 1982 3737

do Douro, da vastidão e sobriedade do planalto mirandês, com o seu dialecto, à vida do Vale da Vilariça, das amendoeiras de Freixo de Espada à Cinta e Moncorvo à vida comunitária de rio d'Onor, da prática dos desportos de caça e pesca, nas serrai, à motonáutica e vela nas albufeiras das barragens, do artesanato ao folclore, dos monumentos históricos à gastronomia ..., muitas são as solicitações que se põem a quem goste de viajar e conhecer terras e gentes.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Mas é evidente, que isto não chega.

É preciso que estas condições sejam desenvolvidas e beneficiadas e que outras se criem para que o turismo no Nordeste seja uma realidade.
Como acção primeira, é necessário criar a Comissão Regional de Turismo do Nordeste Transmontano.

O Sr. Daniel Bastos (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Não podem ser as comissões municipais de turismo, por si sós e sem qualquer coordenação, sujeitas como estão aos mais diversos condicionalismos, a concretizar as múltiplas acções que neste sector urge desenvolver.

O Sr. Daniel Bastos (PSD): -Muito bem!

O Orador: - Os municípios do distrito de Bragança estão desde há muito empenhados na constituição desta Comissão.
O processo já está em curso e espera-se que o Governo Central o apoie, desbloqueando qualquer tentativa que impeça a sua concretização.
É urgente a criação de parques de campismo. Sendo a região do País que maior número de fronteiras tem abertas com carácter permanente, é urgente e indispensável fazerem-se alguns parques de campismo. É cada vez maior a procura, por parte dos turistas, deste tipo de alojamento.
Na verdade, embora o Nordeste esteja servido de instalações hoteleiras, não são suficientes para albergar quantos ali passam e desejam ficar.
Esta situação, em termos de turismo e porque obriga aqueles que nos visitam a ter de continuar viagem muitas vezes algumas centenas de quilómetros mais, é demasiado negativa para a podermos permitir.
Outras condicionantes há, no entanto, que embora relacionadas com diferentes sectores da vida local, têm também acção decisiva no turismo.
Refiro-me à política de fronteiras e às ligações rodoviárias e aéreas.
Quero desde já congratular-me com a abertura definitiva dos postos do Portelo, Quintanilha, Miranda do Douro e Bemposta.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Entendo, contudo, que também em Moimenta, em Vinhais, e Freixo de Espada à Cinta devem ser abertas.
A facilidade de circulação de pessoas nas fronteiras transmontanas é hoje uma das grandes fontes de progresso e desenvolvimento daquela região.
Quando caminhamos para a. Europa, as fronteiras no que respeita à livre circulação de pessoas deixam de ter sentido.
Em termos de ligações rodoviárias, se as vias internas do distrito são razoáveis, continua a ser urgente a concretização da ligação ao litoral, com a construção da via rápida Porto-Bragança.
Iniciaram-se os trabalhos em bom ritmo, criaram-se expectativas nos residentes, esperemos que os prazos sejam cumpridos e Bragança possa chegar mais depressa ao Porto do que ainda hoje chega a Madrid.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Sem ligações capazes não há desenvolvimento possível, e lembro aqui que as ligações ferroviárias ou não existem ou são muito fracas.
As ligações aéreas de e para Bragança são já uma realidade.
Acções conjuntas da Câmara Municipal de Bragança e da Direcção-Geral da Aeronáutica Civil permitiram criar as condições suficientes para que os voos regionais da TAP sejam regulares e se façam nas melhores condições com aviões de 5 e 19 lugares.
Porém, os preços que estão a ser praticados têm de ser revistos, de modo a permitir uma maior utilização por parte dos residentes daquela região e daqueles que ali querem deslocar-se.
Tal como para os Açores e Madeira, a TAP deveria praticar para Trás-os-Montes preços de excepção.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - É preciso criar condições de ligação rápida, para que deixe de se ouvir a pergunta: como se vai para Bragança?
É preciso dar resposta àqueles que ainda pensam que no Nordeste se vive na Idade da Pedra, ou, como dizia um transmontano ilustre que durante algum tempo nos acompanhou nestas bancadas, «o Nordeste é ainda uma reserva de índios» ou uma «terra de Coitadinhos».
Nada mais errado do que estes pensamentos.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Faço aqui um apelo aos órgãos de comunicação social, para que continuem, sempre que possam, a transmitir uma imagem correcta e verdadeira do que é o Nordeste Transmontano.
É necessário, no entanto, que quando se mostra o que ainda hoje é típico no Nordeste, se não incorra no perigo de induzir na ideia das pessoas que a tipicidade da vida é sinónimo de miséria ou de pobreza.
É conveniente que, a par do que é típico e original, se mostre também o nível de vida e o progresso que hoje é uma realidade palpável em todo o Trás-os-Montes

Aplausos do PSD, de alguns deputados do PS, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Verdasca Vieira.

O Sr. Verdasca Vieira (PS): - Quero congratular-me com a intervenção do Sr. Deputado Eleutério Alves, sobre o distrito de Bragança.