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16 DE JUNHO DE 1982 4231

O assunto está em tribunal, não se sabe quando será resolvido, e em reunião de credores de Setembro de 1981, a Companhia Portugal e Colónias apresentou uma concordata de viabilização que o Banco Borges & Irmão não aceitou.

capital social da unidade é de 11000 contos, mas o património vale mais de 200000 contos (só um túnel de congelação custou mais de 20000 contos), sem contar com a valorização dos terrenos e imóveis, dada a instalação da lota da Figueira da Foz próxima desta fábrica.
Este é o cerne da questão: O que se prepara é uma choruda negociata, de comprar por tuta e meia uma empresa falida, valiosíssima, tudo feito com a cobertura do Governo, pois a Gel-Mar é a maior accionista, 38 % da Geal.
Entretanto o Sr. Ministro da Agricultura vem proclamar-nos que é necessário viabilizar e dinamizar a Gel-Mar, incrementar a rede de frio, etc., etc. Como?
Desta forma e assim mesmo: Deixar abandonados os recursos existentes que já são insuficientes, mas são públicos, para os passar à iniciativa privada, porque esta é que é a solução para tudo.
Quanto aos trabalhadores, que importa que 28 vão para a rua se já foram 98. Ninguém os manda serem teimosos e insistirem na defesa dos seus postos de trabalho. Isso não interessa ao Governo!
Aliás, estes 28 trabalhadores continuam a assegurar todos os serviços que lhes são solicitados pelo único administrador que ainda aparece na fábrica, sem receberem mesmo que parte da produção hipotecada em instalações exteriores tivesse sido posteriormente vendida por 1000 contos.
A Matugal, em Tentúgal, onde, desde a última intervenção e requerimento, a que não obtivemos resposta, e da promessa pessoal do Primeiro-Ministro, se continuam a proceder a despedimentos e se confirma o encerramento e venda para breve.
Esta fábrica de calçado, que se instalou definitivamente num moderno edifício (e convém lembrar que iniciou a laboração num insuflado), atingiu encomendas para produzir 135000 pres de sapatos, abriu concurso para mais 50 trabalhadores, e, de seguida, recusa a produção e começa a despedimentos sem qualquer razão para tal.
Os trabalhadores ainda em serviço, enquanto aguardam o desfecho, fizeram a entrega ao Primeiro-Ministro, na sua deslocação relâmpago ao Vale do Mondego, de um abaixo-assinado em que reclamava a garantia dos postos de trabalho, tendo-lhes sido garantido que o assunto iria ser apreciado, Só que a resposta foi um ofício acusando a recepção e dizendo ter sido a petição remetida à Secretaria de Estado do Emprego.
Nisto, o segredo é a alma do negócio e o Primeiro-Ministro não quer desvendar o que está para se dar: a. fábrica vai ser (ou já foi) vendida e os trabalhadores que vão bater a outra porta.
No sábado, esta fábrica vai ser encerrada.
Nas empresas têxteis o panorama é ainda pior, se é possível: preparam-se despedimentos em massa nas empresas adquiridas por um consórcio
japonês. Na Sidney, Mistral e Vestlan (Figueira da Foz) e na Abridex (Montemor-o-Velho), onde não se conseguiam cumprir contratos de encomenda sem ter que fazer horas extraordinárias, há hoje pessoal parado por falta de trabalho, enquanto os administradores vão dizendo às escâncaras que as fábrias são para fechar e reunir tudo numa grande e única fábrica.
O sector naval, particularmente a Foznave e os Estaleiros Navais do Mondego, empresas privadas, estão já a sofrer a política de restrição de crédito mantida pelo actual Governo e estão em situação difícil, quer devido aos elevados débitos dos armadores, quer ainda pela falta de encomendas derivada do corte de crédito para a construção.
Estes estaleiros da Figueira da Foz tinham encomendas para mais de 5 anos e actualmente as que que têm não dão para 2 anos. A manter-se a situação, ou seja a continuação deste Governo, centenas de famílias na Figueira da Foz terão a sua subsistência ameaçada.
O sector da cerâmica artística, pintura manual, de largas tradições nos concelhos de Soure e Condeixa e que tantas divisas faz entrar no nosso país, começa também a reflectir a falta de iniciativa e apoio governamentais. É a falta de abertura de novos mercados, que deveria ser eficazmente lançada através dos serviços diplomáticos nos países estrangeiros, é a pesada máquina burocrática dos mecanismos de exportação que encarecem o produto, sem vantagens para a produção, tudo a concorrer para o adensar de nuvens que urge soluciono.
As sugestões aqui ficam; se quiserem considerem-nas
E convém realçar que tanto sentem a situação o sector privado como o sector cooperativo.
Muito mais poderíamos acrescentar, mas para concluir abordamos dois aspectos: a degradação do património cultural, monumental e artístico e o Palácio de Justiça de Montemor-o-Velho.
Todo o Vale do Mondego é um verdadeiro arsenal de cultura e sobretudo o concelho de Montemor-o-Velho, pela sua antiguidade, possui autênticas maravilhas, que os Monumentos Nacionais classificaram como de interesse nacional, mas onde não foram além da classificação.
Jóias arquitectónicas, como Convento de Nossa Senhora dos Anjos, a igreja da Misericórdia, a igreja matriz e o castelo, em Montemor-o-Velho, o Convento de Nossa Senhora da Natividade ou das Carmelistas Calçadas, a igreja matriz, a igreja da Misericórdia, em Tentúgal, e as igrejas da Misericórdia e matriz, em Pereira, que este* ano faz 700 anos de foral, estão em abandono, criminosamente.
O Palácio da Justiça de Montemor-o-Velho, a fechar o rol: há muitos anos que tem projecto aprovado, terreno destinado à sua implantação, mas continua sem sair.
Concluímos com cada vez maior certeza e convicção: Só a saída deste Governo da área do poder permitirá a este país lançar-se no caminho aberto por Abril.

Aplausos do PCP.