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4492 I SÉRIE - NÚMERO

a mesma: «mas para quê? Se o inquérito vai apurar as responsabilidades e dentro de dias temos tudo apurado. Para que é que se hão-de suspender os comandantes se tudo vai ser esclarecido? Não vale a pena, a seu tempo se verá». Os comandos continuam lá, a Polícia de Intervenção ainda dará qualquer dia outros enxertos monumentais de pancada com a sua violência no coco dos trabalhadores e do povo português, o PSD continua a rir-se, o Ministro continua lá e tudo continua na mesma e o PSD continua a manifestar esta incongruência e esta falta de coerência.

Aplausos da UEDS, do PS, do MDP/CDE e da UDP.

Protestos do PSD.

O Sr. Presidente! - Também para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado Figueiredo Lopes.

O Sr. Figueiredo Lopes (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Separado da Pátria por milhares de quilómetros, emigrante português nunca deixou de ser nobremente cidadão de Portugal.
Ao cortar temporariamente ou para sempre os laços físicos com a sua terra, não aceita, contudo, esse cidadão do Mundo, que se crie uma descontinuidade sentimental e afectiva.
Procura, por isso, mitigar ou superar a ausência, através de presenças compensatórias e de canais que lhes transmitam a realidade do quanto deixou ficar.
O meio mais directo, mais imediato mais vivo para lhe cobrir a distância é a rádio, ou seja, no caso português, a RDP-Internacional e a Rádio Renascença.
São, pois, estes dois canais os medianeiros de quanto é contínuo e descontínuo na vida do emigrante.
Conforme diz o director do Departamento de Onda Curta da RDP, Moreira da Câmara, «satisfazendo a continuidade de sentimentos e afectos, interesses e necessidades, contribuiremos para superar a descontinuidade em relação à primeira geração de emigrantes. E asseguraremos condições atractivas - convincentes de amor e respeito das gerações seguintes.»
É, pois, a rádio a ligação privilegiada entre a Pátria de origem e a Pátria ausente, constituída pelas comunidades de emigrantes espalhadas pelas sete partidas do Globo.
Através da rádio deve fortalecer-se a identidade cultural do emigrante, posta à prova no confronto com as culturas estrangeiras.
As emissões da onde curta devem, pois, assumir-se como esteio e estímulo desse património exemplar e peculiar dos portugueses emigrados, que é a língua Portuguesa, a qual no conceito de Fernando Pessoa é sinónimo da Pátria.

O Sr. Guerreiro Norte(PSD): - Muito bem!

O Orador: - Terão, pois, de ser os programas de onda curta, e ainda, segundo a visão de Moreira da Câmara, a extensão pátria da língua, a mostrar o rosto de* Portugal sem disfarces ou retoques, sem pressões ou manipulações, comunicando com verdade e actualidade tudo que é peculiar da sua história, da sua cultura, da sua vida.

O Sr. Guerreiro Norte (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Só assim se criarão plataformas de convivência e conhecimento e se fará coincidir no mesmo ponto os nossos interesses nacionais e a curiosidade de quem quer saber de nós.
Deve, pois, a rádio ser a extensão de Portugal. Neste ponto se coloca o problema da informação em ondas curtas. Deve ou não haver uma informação integrada, participativa e harmoniosa em relação à programação?
Ou será de manter um completo divórcio entre quem faz programação e quem faz informação para as ondas curtas? Somos de opinião que devem ser uma equipa funcionando harmoniosamente, sintonizados com o seu público ouvinte da Europa, das Américas do Norte e do Sul, da África (países de expressão oficial portuguesa), da República da África do Sul e, bem assim, da Austrália.
Só assim, procurando adequar a programação e informação a alvos bem determinados, reduzindo ao mínimo a distância, sociologicamente considerada, entre emissor e receptor, conseguiremos alcançar o objectivo da comunicação social - conceito globalizante integrado, ao serviço de tudo para todos.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Só assim se produzirão programas que, pelo facto de serem destinados a portugueses ausentes da Pátria, no tempo e na distância, não tem necessariamente de ser programas sentimentalões, programas para gente especial que muitos pensam que eles são. O emigrante quer programas vivos, actuais, programas para adultos que não vivem a Pátria através apenas do fado e do folclore, mas também através de tudo quanto de bom e de mau nos vai acontecendo no dia-a-dia.
Dia-a-dia que é, para muitos, a porta onde se deveria estar a preparar o regresso de tantos, dia-a-dia que deveria ser um contributo permanente para a criação da sua confiança política nos investimentos em Portugal, dia-a-dia que deveria ser a porta de entrada dos seus filhos que nunca renegaram, nem renegarão, a Pátria dos seus antepassados.
Para que esse dia-a-dia dos acontecimentos nacionais chegue à comunidades portuguesas não bastam, apesar de tudo, os programas de rádio. É necessário que o impulso dessas vozes seja suficientemente forte, que chegue a esses portugueses em condições mínimas auditivas que nos horários que interessam àqueles que trabalham de dia e àqueles que trabalham nos turnos da noite.
Daqui apelo ao Governo da Aliança Democrata no sentido de que seja aumentada a potência dos emissores que constantemente são abafados por outras emissoras, com a tristeza e a frustração que isso causa àqueles que, de ouvido colado ao aparelho, sentem que a voz da Pátria é fraca, tem silêncios inexplicáveis, principalmente quando se ouvem os noticiários (será boicote técnico feito em Portugal ou interferência de potência totalitária para a qual só conta a voz do dono?).

Risos do PCP.

Enfim, penso que 4 milhões de portugueses merecem ouvir em boas condições a voz da Pátria ausente. Mais: exigem ouvir essa voz cordão umbilical com a sua terra com a mesma fidelidade e potência com que ouvem outras rádios igualmente longínquas.