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26 DE JUNHO DE 1982 4493

Aproveito para saudar os profissionais honestos e competentes da onda curta da RDP e da RR e, bem assim, todos aqueles que, nas comunidades portuguesas, lutam diariamente para manter no ar a voz de Portugal, apesar dos fracos recursos e da pouca ajuda que de Portugal recebem. Coragem amigos estais a prestar um grande serviço público a Portugal.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orados: - Por outro lado, quero protestar vivamente junto da esquerda totalitária portuguesa pelo ambiente de PREC permanente que mantém em alguns tempos de antena de que usufruem na Europa e que são verdadeiros atentados à dignidade dos portugueses aí residentes, dada a linguagem imprópria e escabrosa e a raiva que transpira, em relação ao Estado democrático português. Os portugueses, felizmente, não os acreditam, mas sentem-se ludibriados.
Apelo à esquerda marxista portuguesa...

O Sr. Sousa Marques(PCP): - Não apela coisa nenhuma!

O Orador: - ... Para darem um contributo no sentido de também os seus porta-vozes dignificarem Portugal e os Portugueses, se é que isso é possível dentro dos seus objectivos de conquista do poder pela técnica da mentira repetida. Sejam também dignos dos nossos irmãos que, trabalhando no duro em terras inóspitas...

O Sr. Medo Tomé (UDP): - E vocês vivem à grande e à francesa!

O Orador: - ... e tantas vezes adversas, têm o direito a uma coisa muito simples, que se chama: a Verdade.
Respeitemos e dignifiquemos esse cidadão do Mundo que nunca deixou de ser nobremente cidadão de Portugal.

Aplausos do PSD, do PPM e do Deputado Menezes Falcão (CDS).

O Sr. Presidente: - Pediu a palavra o Sr. Deputado Custódio Gingão, que ficará inscrito para o próximo período de antes da ordem do dia.
Também para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado Verdasca Vieira.

O Sr. Verdasca Vieira (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Não tem esta pequena intervenção outro objectivo que comunicar a esta câmara que um colega nosso, o deputado Vieira de Freitas, do Partido Socialista, adoeceu súbita e gravemente na madrugada de quarta-feira e foi internado nos Hospitais Civis de Lisboa.
Desejaria, pois, propor à câmara um voto de solidariedade para com este nosso colega, com veemente desejo de rápidas melhoras.
No entanto, como médico, visitei o nosso colega no banco do Hospital de S. José e mesmo como técnico chocou-me o funcionamento daquele serviço de urgência.
Não responsabilizo o pessoal; condeno, sim, a falta de condições para ali ser tratado qualquer ser humano, pois embora seja lugar comum dizer-se que tudo ali vai mal, pude constatar a deficiência daquele serviço, que deveria ser o modelo de prontidão, de eficiência e de humanidade, para servir uma grande parte da população da cidade de Lisboa e uma larga percentagem de doentes vindos da província.
Mas a propósito do nosso colega, se o Sr. Presidente e os Srs. Deputados me permitem, desejaria lamentar profundamente a situação de carência em que se encontram os nossos hospitais centrais quanto a equipamento de diagnóstico.
Foi necessário a este nosso colega efectuar um raio X computorizado, para uma melhor definição do diagnóstico.
Lamentavelmente, tal exame teve que ser feito em clínica privada, com a deslocação do doente em estado de coma, pois o Hospital de S. José, apesar de ter um serviço de urgência de neurocirurgia, não dispõe de aparelhagem para tal exame.
Torna-se imperioso e urgente a instalação de um aparelho de tomografia axial computadorizado nos hospitais centrais portugueses, mormente nos centros de serviços de urgência, pois todos os países europeus já solucionaram tal situação.
De facto, podemos considerar hoje o tratamento dos doentes de neurocirurgia em dois grandes grupos: os que são tratados em hospitais com tomografia e aqueles que são tratados sem exame tomográfico.
Hoje é quase criminoso não poder dispor num serviço de urgência de neurocirurgia de um exame de tomografia à cabeça, num doente com traumatismo crâneo-encefálico ou com um acidente vascular cerebral.
De facto, tratando-se de um método de diagnóstico incruente e que permite um diagnóstico imediato da situação, que pode necessitar de urgente solução cirúrgica, torna-se imperioso que as entidades responsáveis façam o máximo esforço e no mais curto espaço de tempo por forma a equipar os hospitais centrais dos aparelhos respectivos.
Do que sabemos, existem aparelhos privados em funcionamento, um no Porto, outro em Coimbra e três em Lisboa.
É a este centro que os hospitais civis recorrem quando necessitam daqueles exames, mas de forma nenhuma o apoio prestado pode ser suficiente e não é a solução indicada para resolver as situações de urgência.
Portanto, além do problema económico, existem prejuízos quanto à rapidez com que devem ser efectuados esses exames e acresce, ainda, o risco que sofrem os doentes, por vezes em estado de coma, com o transporte.
Lembro, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que diariamente os hospitais civis façam entre 30 a 40 desses exames em clínicas privadas, o que dá uma média de cerca 120 a 150 por mês.
Por outro lado, sabemos que está em montagem no Hospital de S. João um desses aparelhos, não se sabendo quando irá funcionar.
No Hospital de Egas Moniz está um encaixotado, mas neste Hospital não há urgência e não se compreende muito bem para que fim ali será montado.
Quanto aos Hospitais Civis de Lisboa, sabemos que já foi adquirido um, mas não existe consenso para a sua colocação.
Portanto, Sr. Presidente, Srs. Deputados, não é a aquisição dos aparelhos que está em causa, pois eles existem.
Então por que não estão já a funcionar?
Será só para proteger as entidades privadas em prejuízo dos doentes?