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808 I SÉRIE - NÚMERO 23

Ora, naturalmente que o Partido Socialista não é propriamente o partido indicado no combate ao desemprego. E como o Sr. Deputado não referiu quaisquer linhas de combate, a minha questão é esta: não basta dizer que se tem como primeira prioridade o desemprego (até porque olhando, como olhou, pela Europa sabe que esse problema existe, simplesmente não existe uma concretização). É outro o problema, dentro do esquiço político, que lhe queria pôr: afirmou que ê necessária uma mudança e que esta mudança tem como prioridade alterar a maioria e mudar de vida. Da mudança de vida V. Ex.ª não disse nada. Mas já agora gostaria de saber qual é a maioria que propõe como mudança.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Para formular pedidos de esclarecimento, tem a palavra o Sr. Deputado Silva Marques.

O Sr. Silva Marques (PSD): - Sr. Deputado Almeida Santos, a intervenção produzida por V. Ex.ª e irá desculpar-me que eu insista nesse aspecto não tem nada de elogio; tem apenas de apreciação crítica. Foi uma intervenção que em nada se distinguiu no que diz respeito à metodologia das intervenções do Partido Comunista, salvo na medida em que V. Ex.ª aliás, como sempre deu provas de ser uma grande personalidade política com um complemento também muito importante, que é o de ter uma grande capacidade literária de discursar. Mas quanto ao fundo da questão, V. Ex.ª não teve possibilidade -e não direi capacidade porque as capacidades dos políticos, como as de qualquer cidadão em geral resultam das situações concretas de fazer um discurso que quanto à substância fosse diferente da do Partido Comunista.
VV. Ex.ªs podem dizer que pelo facto de estarem a interpelar o Governo não são obrigados a formular alternativas. Dando de barato que é assim, de qualquer modo, na própria forma de questionar se adivinha se há ou não alternativa. Ora, na vossa maneira de questionar não apenas se adivinha, como se vê, que não há alternativa.
Nós estamos a discutir tudo ao mesmo tempo, política geral e política económica. Aliás, é uma figura que, quer constitucional quer parlamentarmente, não existe; um debate de política geral centrado em qualquer coisa exige, em termos constitucionais, a possibilidade do debate sobre política geral ou de assuntos com implicações de política geral. Mas, enfim, passemos de largo...
V. Ex.ª já pensou, já explicou por que é que o Governo socialista-comunista francês teve necessidade de inverter completamente as suas prioridades no espaço de 1 ano? A primeira de todas essas prioridades é hoje o combate à inflação, o que V. Ex.ª de certo não vai negar, pois isso está documentado. Temos acesso aos jornais e aos próprios documentos oficiais? V. Ex.ª já explicou como é que a balança do comércio externo em França dobrou o seu défice num ano, que foi em 1981 de 50 biliões de francos e que será em 1982 de 100 biliões de francos? Tanto V. Ex.ª como os deputados do Partido Comunista dizem que o estrangeiro não interessa. Quem defende que tudo está relacionado com tudo?
Mas então falemos apenas das coisas nacionais. Neste aspecto, devo dizer-lhe que V. Ex.ª não fundamentou as suas acusações. Quer um exemplo? V. Ex.ª disse que nós queremos pôr termo à economia mista, que queremos liquidar as empresas públicas, mas não fundamentou esses aspectos.
Mesmo em termos de fazer adivinhar uma outra alternativa relativamente ao tratamento da questão, V. Ex.ª limitou-se a fazer uma acusação em estado bruto, em estado - digamos - não fundamentado. Daí, eu tenho razão para dizer que VV. Ex.ªs na forma de questionar revelam ausência de uma alternativa.
Sr. Deputado, quando V. Ex.» diz que a esperança está proibida no nosso país gostaria de lhe dizer que isso não é verdade, e a prova é que nós existimos. A única coisa que há a lastimar é que W. Ex.»5 não contribuem para a esperança no nosso país.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Fernando Cardote, também para formular pedidos de esclarecimento.

O Sr. Fernando Cardote (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Tal como o Sr. Deputado Carlos Robalo, também eu me extasiei e me deliciei com o discurso do Sr. Deputado Almeida Santos.
Como o meu camarada Silva Marques já salientou, também eu devo dizer que do discurso do Sr. Deputado Almeida Santos não perpassou uma linha perfeitamente definida de política económica.
Para realçar a dificuldade que existe quando não se aborda com o rigor necessário esse aspecto, vou aproveitar para contar não uma anedota, visto que foi um facto verídico que o Sr. Deputado nos relatou e que se teria passado num avião com uma passageira para a Suíça. Uma das razões por que essa pessoa se teria dirigido à Suíça para depositar o seu dinheiro seria o da desvalorização do escudo face à moeda estrangeira.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - Investimento à moda de Salazar!

O Orador: - Ora, uma das razões por que as pessoas procuram esse tipo de investimento é justamente porque a taxa de juro em Portugal não é suficientemente alta para compensar o aumento do custo de vida. Portanto, dá-se uma depreciação do poder real de compra do escudo.

Vozes do PCP: - Isso é incrível!

O Orador: - E quando as taxas de juro bancárias estão abaixo da taxa de inflação diz-se que estamos perante uma taxa negativa. Nessa altura, as medidas de política económica aconselhadas são justamente a não redução das taxas de juro, mas sim a sua subida. Tanto é assim que mesmo economistas fora da área da AD, já tendo ocupado responsabilidades governativas e altos cargos neste país, têm propugnado publicamente o aumento das taxas de juro. Ora, uma das coisas que o Sr. Deputado Almeida Santos verberou a este governo foi justamente as altas taxas de juro.
Por outro lado, Sr. Deputado, V. Ex.ª zurziu fortemente a Sr.ª Thatcher e a política económica seguida por ela. Não é que ela não apresente aspectos negativos, mas um dos aspectos positivos que ela apresenta é justamente os resultados no combate à inflação. Ora, pareceu-me que V. Ex.ª disse que nem sequer isso se tinha conseguido. No entanto, o Sr. Deputado saberá, certamente,