I SÉRIE — NÚMERO 13
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A democracia e a solidariedade europeias foram as respostas a cinco décadas de ditadura e de isolamento
politico e económico. O arco constitucional construiu os consensos que permitiram aos portugueses construir
um Estado social com níveis de bem-estar jamais conhecidos.
Os últimos três anos estabeleceram clivagens dramáticas na sociedade portuguesa que importa superar
com uma plataforma social e política muito ampla que permita definir, de imediato, um programa de
recuperação económica e social e uma agenda para a próxima década que devolvam a estabilidade e a
confiança aos portugueses.
Cabe ao PCP escolher se pretende contribuir para uma alternativa que abra um novo ciclo de esperança ou
se prefere, como em março de 2011, ser a passadeira vermelha da direita.
Aplausos do PS.
O atual Governo fracassou e está em fase de liquidação e balanço. A clarificação política urgente é o
compromisso fundamental e necessário para construir uma política diferente.
O PS, agora, como em 1975, como na adesão à Europa e na construção do Estado social para todos os
portugueses, assumirá as suas responsabilidades na construção da alternativa de esperança, de crescimento
com rigor e de estabilidade política económica e social.
Aplausos do PS.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Inscreveram-se, para pedir esclarecimentos, os Srs. Deputados
Cristóvão Norte, do PSD, e José Ribeiro e Castro, do CDS-PP.
Peço ao Sr. Deputado Eduardo Cabrita que, entretanto, informe a Mesa a forma como pretende responder.
Tem a palavra o Sr. Deputado Cristóvão Norte.
O Sr. Cristóvão Norte (PSD): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: Neste debate, o Sr. Deputado Pedro
Nuno Santos disse que este projeto de resolução clarificava a posição do PCP. Isso é verdade, clarifica
propostas de catástrofe e de irrealismo. O que não faz neste debate, depois de termos ouvido três oradores do
Partido Socialista, é clarificar as propostas do PS. Aquilo a que o Partido Socialista chama a terceira via não
ficou hoje, nem de longe nem de perto, à vista dos portugueses, em homenagem à verdade, com credibilidade,
com coerência, em relação aquele que o Partido Socialista pensa, e era sobre isso que eu queria ouvir aqui o
Partido Socialista.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
Este debate de hoje, aqui, mais do que um debate sobre as propostas do Partido Comunista, devia ser
sobre as alternativas do Partido Socialista e, portanto, à margem das questões de semântica, com precisão
científica, o mais possível, procuremos o significado das coisas.
O Partido Socialista tem falado a miúde da reestruturação da dívida. O que é que isso significa? Significa a
tese de Pedro Nuno Santos, na linguagem coloquial, «não pagamos«?, «estou-me marimbando para a
dívida»? ou outras fórmulas simpáticas? Significa a extensão das maturidades, como o Governo já fez, ou
significa rever as taxas de juro, como também o Governo já fez? Qual destas coisas significa?
E há uma coisa que me preocupa muito, que é o seguinte: quando o Partido Socialista assume que vai
apresentar um projeto de resolução, e nós sabemos que o Governo já percorreu duas dessas primeiras vias, a
única via que sobra é a do perdão parcial da dívida. Ora, é isso que eu quero que o Partido Socialista
demonstre hoje aos portugueses que rejeita liminarmente, mostrando a sua alternativa.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.