I SÉRIE — NÚMERO 13
34
agora do que 100% daqui a três anos». Isto também é não pagar, isto é ajudar as autarquias a não pagar a
parte dos credores!
Pois, Caras e Caros Srs. Deputados, por que é que o PSD e o CDS não querem reestruturar a dívida
pública portuguesa?
O Sr. Jorge Paulo Oliveira (PSD): — O que é reestruturar?
O Sr. Pedro Nuno Santos (PS): — É que reestruturar a dívida pública portuguesa de forma significativa, e
não da forma que fizeram, permitiria mudar a política em Portugal, mas o PSD e o CDS querem a dívida toda
para poderem continuar a impor ao País a sua agenda, a agenda de retirada do Estado das funções sociais.
É por isso que, ao fim de três anos, com os sacrifícios que impuseram ao País, em nome da dívida, ela não
baixou, continuou a aumentar, porque, verdadeiramente, o vosso aliado — o melhor aliado da direita e da
agenda liberal — é uma dívida elevada, para continuarem a impor ao País a austeridade.
Aplausos do PS.
A Sr.ª Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Bruno Dias.
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: Os Srs. Deputados do PSD e do CDS-
PP dizem que o Governo português não rasga contratos com os credores internacionais e nós bem sabemos
que o Governo, em matéria de rasgar contratos, tem um caminho especial, cujo sentido único é o de rasgar
contratos com o povo. É essa a opção que têm assumido sistematicamente: rasgar contratos com os
reformados, com os jovens, com os trabalhadores da Administração Pública.
Os senhores usam a dívida como uma arma apontada às pessoas e aos seus direitos e querem trazer as
pessoas a pão e água, durante anos a fio, para depois dizerem que, afinal, não chega, porque, desde que
tomaram posse, fizeram aumentar a dívida para 134% do PIB. É este o ponto em que estamos, Srs.
Deputados.
Os senhores apontam o dedo acusador à nossa proposta e dizem «a desvalorização da moeda significa
deixar os produtos estrangeiros mais caros», mas não têm uma palavra sobre os setores produtivos, a
produção nacional, sobre as consequências para esses setores exportadores que, há mais de 10 anos,
resultam da política desastrosa da moeda forte, desenhada à medida da Alemanha e das grandes potências.
O que é preciso, Sr.ª Deputada Vera Rodrigues, não é uma moeda para ir às compras a Paris, é uma
moeda para pôr Portugal a produzir, para substituir importações por produção nacional, para poder exportar
com melhores condições, mas os senhores querem amarrar o País ao garrote do euro, ao garrote da dívida,
de uma dívida crescente.
O que vos trago, Srs. Deputados, não é uma pergunta, é um apelo: da próxima vez, falem do País, do País
real, da economia real. Olhem para o que está a acontecer com a vossa política, mas assumam a vossa
responsabilidade de condenar este País a uma saída impreparada ou a um beco sem saída. Não, Srs.
Deputados! Há outro rumo, há outro caminho e há propostas concretas que vamos votar dentro de momentos.
Aplausos do PCP e de Os Verdes.
A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, terminou aqui o debate, pelo que passamos ao encerramento.
Para esse efeito, dou a palavra ao Sr. Deputado João Oliveira, que dispõe de 5 minutos para intervir.
O Sr. João Oliveira (PCP): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: O debate que, hoje, aqui fizemos é a
continuação de um debate estruturante que o PCP inaugurou no País com a apresentação pioneira da
proposta para a renegociação da dívida como alternativa ao pacto de agressão a que Portugal foi amarrado
pelo PS, PSD e CDS.
Mas este debate parlamentar constituiu uma nova fase numa discussão que irá, necessariamente,
prosseguir. Este debate constitui um avanço, pela abrangência da proposta que o PCP trouxe à Assembleia da