I SÉRIE — NÚMERO 14
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Aplausos do PS.
Protestos do PSD.
Só que, reparem, ainda aqui estou, ainda respiro e vou continuar a respirar! E não esqueçam: os deuses
que coordenam a utilização de raios são deuses gregos e deuses gregos compreendem bem que a
austeridade não é solução para coisa alguma, pelo que estão seguramente a torcer por nós neste debate.
Aplausos do PS.
Mas, dizia-vos, o Partido Socialista deu espaço ao investimento em estruturas de apoio às famílias, criou
políticas adequadas para os rendimentos e adotou medidas que promovem a conciliação da vida familiar e
profissional.
O Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES) permitiu aumentar o número de
vagas nas creches e permitiu-nos superar as vagas que estavam previstas nas metas de Barcelona.
O subsídio pré-natal e o subsídio social de maternidade reforçaram o papel das prestações sociais, essas
mesmas que o Orçamento do Estado este ano quer novamente asfixiar.
A licença de parentalidade alterou o paradigma dominante, valorizando conciliação e promoção da
repartição de tarefas entre homens e mulheres como um elemento novo, determinante e de apoio à
natalidade.
Houve também investimento na escola pública, que já referi: a educação pré-escolar, a escola a tempo
inteiro, a valorização da oferta escolar e os passes escolares, que este Governo tão diligentemente eliminou e
retirou da agenda.
O PS está ciente do desafio que tem pela frente e estará disponível para a responsabilidade que assumir
quando os eleitores lha derem.
Mas, mais do que os desafios tradicionais da natalidade, este será também um debate para recuperar os
erros cometidos durante estes três anos. Basta recordar os números, Sr.ª Deputada Teresa Leal Coelho, que
claramente não viu.
Em 2013, a taxa é de 7,9%, a pior desde que há registo; temos um saldo negativo de 60 000 na natalidade
e temos também, curiosamente, um estudo que revela que 70% a 80% dos trabalhadores portugueses estão
disponíveis para a emigração, um valor muito acima da média global e também revelador de que as
oportunidades não existem e que o Governo criou um beco sem saída para quem quer permanecer em
Portugal.
É neste quadro que o Partido Socialista está a desenhar a sua agenda para a década. É neste quadro que
o Partido Socialista encara os desafios e está a preparar respostas e, na primeira linha, está o
desenvolvimento de uma estratégica integrada para o combate à pobreza infantil. Não podemos olhar para um
terço — repito, um terço — dos jovens em risco de pobreza e cruzar os braços e nada fazer, sendo esta uma
prioridade do Partido Socialista para a próxima década.
Aplausos do PS.
Reduziremos as desigualdades, rejeitando modelos de desenvolvimento assentes em baixos salários e na
subordinação dos direitos dos trabalhadores a um quadro laboral desadequado.
Reforçaremos os serviços públicos de educação e saúde, porque sabemos precisamente que o caminho é
por aí e não pela sua desvalorização, e estaremos preparados para recuperar políticas ativas de emprego,
num quadro de relançamento da economia e também de atração de imigração qualificada para o nosso País.
Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: Em conclusão, o PSD não tem hoje credibilidade para pretender
abrir e liderar este debate nem para conduzi-lo de forma séria,…
O Sr. Hugo Lopes Soares (PSD): — Era só o que faltava!